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Notícias

Pela via política

      

Por Bárbara Semerene

Parece meio "fora de moda" essa história de se filiar a partidos políticos, militar e tal. "As organizações de jovens no terceiro setor têm atualmente mais visibilidade do que os partidos políticos, até porque nosso sistema permite que se perpetue figuras antigas no poder e não dá espaço para figuras novas, o que desmotiva a gente, além da falta de credibilidade nos partidos e no parlamento. Por isso, os jovens se organizam pouco na esfera política brasileira." Quem diz isso é alguém que, apesar de assumir as falhas no sistema político brasileiro, está atualmente inserida nele: Manuela dïávila, 26 anos, uma das mais novas deputadas do país, eleita no ano passado pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil) do Rio Grande do Sul.

Formada em ciências sociais pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e em Jornalismo na PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), ela explica porque resolveu se envolver com a política: "não entrei num partido com o objetivo de ser candidata a nada. Entrei no movimento estudantil do PCdoB por ter afinidade com a ideologia deles. Fui me aproximando de jovens que já faziam parte e depois me filiei, em 2001. E, em Porto Alegre, na época em que me filiei, não havia nenhuma outra referência para juventude que tivesse respaldo legal. Os jovens não conseguiam representatividade".

"Uma das formas de você economizar tempo e recursos é utilizar-se da estrutura de partidos políticos. Se eu fosse hoje jovem buscaria esse tipo de investimento", recomenda José Luciano Dias, cientista político do IBEP (Instituto Brasileiro de Estudos de Política). Já Manuela acredita que ninguém pode fazer nada sozinho por um país. ? preciso fazer parte de um projeto coletivo. Mas ela alerta que, para se filiar a um partido não adianta só fuçar no site de cada um e ler o estatuto deles. "São quase todos iguais. Tem que acompanhar as atividades práticas, conviver com quem já faz parte, participar das reuniões. Só depois decidir", ensina. Antes de tudo isso, no entanto, é preciso ter muito claro para si qual é a sua ideologia, no que você acredita que pode ser feito pelo país e qual é a melhor maneira de fazer. A partir daí, procurar um partido que tenha mais a sua cara.

A principal vantagem de ser filiada a um partido é que você pode - além de participar das reuniões e dar suas opiniões - votar na diretoria do partido que poderá concorrer a cargos públicos para representá-lo no governo. E também pode, você mesmo, concorrer a um cargo político. Manuela, como jovem, está levando para o Congresso diversas questões dos movimentos ligados à juventude e quebrando preconceitos. Como, por exemplo, a questão do movimento Hip Hop. "90% da população não entende que o hip hop pode gerar trabalho para os jovens da periferia. Acham que os grafiteiros são pichadores, não entendem que é arte e a relação que essa atividade tem com tirar o jovem do narcotráfico", explica.

Antes de ser candidata, por conta da militância no partido, ela viajou por quase toda a América Latina participando de Fóruns ligados à juventude e conhecendo a realidade de jovens de vários países. "Esse foi um rico período de minha vida e militância. Porque quando representamos nossa organização em outro país vemos que a nossa luta contra a exploração e pela construção do socialismo exige que sejamos internacionalistas. Mas também nos dá a certeza de que para sermos internacionalistas de verdade devemos lutar pelo projeto nacional de nosso país", diz ela em seu site oficial. Em 2003, foi eleita vice-presidente Sul da UNE (União Nacional dos Estudantes), lutando em muitas universidades de todas as regiões do estado pelo direito a educação. E encabeçou passeatas pela reforma democrática da Universidade. Logo depois, foi eleita vereadora, antes de ser eleita deputada.

Mas é possível ter uma idéia do dia-a-dia de um deputado sem ser um (você aproveita e vê se tem jeito pra coisa). A Câmara dos Deputados, em brasília, promove estágios para universitários e anualmente realiza uma simulação das atividades do congresso em um programa chamado "Parlamento Jovem", com jovens de escolas de Ensino Médio. Em 2006, foi realizada a terceira edição. Para se inscrever, os alunos têm que enviar projetos de lei por meio de suas escolas de Ensino Médio. As Secretarias de Estado de Educação pré-selecionam um número de projetos três vezes maior do que o número de deputado por estado.Depois, uma comissão técnica da câmara faz a seleção final. Os alunos são selecionados em números proporcional à população dos estados (assim como os deputados). Eles ficam uma semana na Câmara como se fossem deputados. Tomam posse em plenário, elegem mesa diretora, compõe comissões temáticas. Seus projetos de leis são discutidos nas comissões competentes, os aprovados vão para votação em plenário. Também companham as comissões reais da casa.

O melhor: os projetos deles são aproveitados na comissão de legislação participativa, comissão que recebe as propostas populares - é verificada a constitucionalidade e pode ser transformado em projeto de lei mesmo, se um deputado ou uma comissão tiver interesse em tocá-lo para frente. O projeto foi criado no final de 2003, de autoria do deputado Lobbe Neto. Ainda não tem data de inscrição definida para 2007, mas fique ligado no site da câmara dos deputados. E alguns municípios possuem o mesmo programa em suas prefeituras.

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