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Incêndio em moradia da UnB foi criminoso, diz PF

      
Três apartamentos habitados por alunos africanos na Casa do Estudante foram atingidos; tijolos na porta dificultaram fuga e extintor foi esvaziado

Vannildo Mendes

A Polícia Federal diz ter provas de que foi criminoso o incêndio registrado em três apartamentos habitados por alunos africanos na Casa do Estudante Universitário da Universidade de Brasília (UnB) na madrugada de anteontem. Os primeiros indícios apontam para racismo e xenofobia (preconceito contra estrangeiros). Há dois suspeitos, provavelmente alunos brasileiros da mesma universidade, que foram vistos no local momentos antes do incêndio.

Quando as portas dos apartamentos foram incendiadas, havia dez estudantes africanos dormindo. Ninguém ficou ferido, mas houve pânico. Os criminosos colocaram tijolos diante das portas para dificultar a fuga e esvaziaram extintores, numa evidência de que o crime foi premeditado. Depois, jogaram combustível nas portas e atearam fogo. Dos extintores e da garrafa plástica, encontrada parcialmente preservada do lado de fora do imóvel, foram recolhidas impressões digitais, que estão sendo analisadas pela perícia técnica da PF.

Os depoimentos de oito testemunhas e dos primeiros suspeitos serão tomados hoje. O crime teve repercussão entre autoridades e na comunidade universitária. Uma comissão de representantes do Congresso, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e de órgãos de combate ao racismo se reuniu ontem com o reitor da UnB, Timothy Mulholland, para cobrar providências. "Não é um fato isolado, nem na UnB nem na sociedade brasileira", afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Estiveram presentes ao encontro o ex-reitor da UnB, senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Mulholland anunciou punição aos autores do crime, que serão expulsos se forem alunos e uma série de medidas para conter a xenofobia e o racismo na instituição, pioneira na implantação de cotas raciais para negros em seus cursos. A UnB decretou 28 de março como o Dia da Igualdade Racial para lembrar o caso. Por meio de acordos internacionais, a UnB tem cerca de 400 alunos estrangeiros, dos quais 23 vivem na casa do estudante, sendo 20 de países africanos.

PROVOCAیES

Antes do incêndio, a comunidade africana já vinha sendo provocada com frases xenófobas pintadas nos muros da universidade, hostilidades e até brigas. As portas dos apartamentos incendiadas haviam sido pintadas com cruzes vermelhas. O reitor informou que tomou conhecimento de uma divergência entre brasileiros e africanos há seis meses, mas não imaginou que a situação pudesse chegar ao caso de anteontem. Testemunhas do incêndio entregaram uma representação à Seppir, à PF e ao Itamaraty. Um dos trechos da representação, à qual o Estado teve acesso, diz: "Atearam fogo às portas dos nossos apartamentos covardemente enquanto dormíamos, não tivemos chance de defesa. Tivemos que saltar pela janela e chamar os seguranças para tentar controlar o fogo. Curiosamente os extintores estavam todos esvaziados."
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