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'As faculdades precisam deixar de ser conservadoras'

      
Fredric Michãl Litto: presidente da Abed

Professor que trabalha há 50 anos na área defende novos projetos e diz que ensino a distância evolui de forma tranqüila no País

O presidente da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed) e professor aposentado da Escola do Futuro, Fredric Michãl Litto, está às voltas com a educação a distância desde 1957, quando ensinou matemática pelo rádio, numa emissora mantida pela prefeitura de Nova York.

Hoje, vê com entusiasmo projetos como o do professor Renato Bulcão e da Unifesp, por exemplo, que já ministra um curso de técnicas cirúrgicas a distância.

Fala com alegria de iniciativas como essas, porque diz saber que a mudança de mentalidade que poderá levar à tão sonhada democratização do conhecimento está em andamento. Recém-chegado de uma temporada em Londres, onde estudou novas metodologias de ensino a distância graças a uma bolsa de pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Litto fez um breve balanço da área em entrevista ao Estado.

Qual o contexto da educação a distância no Brasil?

Conheço projetos de várias partes do mundo, entre países europeus, China, Noruega, México, e posso dizer tranqüilamente que o Brasil não está devendo. ? um processo que no mundo todo se faz aos poucos. Você precisa lembrar que a educação a distância atua em vários universos. O Telecurso 2000 tem 500 mil alunos, e só no México há algo parecido com isso. Há hoje 150 cursos em mais ou menos 40 universidades credenciadas para educação a distância, a maioria de cursos por correspondência. Temos mais ou menos 1,5 milhão de pessoas no Brasil que estão fazendo uso de educação a distância dentro de empresas, como a Petrobrás. As novas tecnologias ajudam a criar novos cursos em áreas que não eram exploradas.

O apego à figura clássica do professor é mesmo um entrave para a disseminação do ensino a distância?

Sim, em todo o Brasil as faculdades mantêm uma postura conservadora. Elas se apóiam muito na figura do professor como o grande estimulador na sala de aula, mas não é mais assim. Sabe-se que uma edição de domingo do New York Times tem mais informação do que uma pessoa na Europa na Idade Média leu em toda sua vida. Estamos numa sociedade pluralista, em que só a cabeça do professor não é mais suficiente para o aluno. Por isso, eu acho que com o tempo esse conservadorismo vai deixar de existir. Os alunos estão pedindo isso, estão impacientes com os professores atrasados.

Quais são os principais pontos a serem discutidos no seminário?

Um dos assuntos mais importantes será a discussão com a Capes, que tem tido uma postura conservadora com relação à pós-graduação a distância, apesar de o MEC ter aprovado a criação de cursos desse tipo no ano passado. Também vamos discutir o papel da TV digital no processo, porque acreditamos que ela terá um papel fundamental.

Qual é o maior entrave para o desenvolvimento do setor no País?

Há dez anos, eu diria que era a legislação, muito conservadora, e as cabeças do MEC. Agora, não é mais. Temos hoje 3 milhões de pessoas fazendo algum tipo de curso a distância e colégios conceituados utilizando tecnologias desse tipo. A coisa está evoluindo, não a toque de caixa, mas de maneira tranqüila.
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