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Senado se manifesta sobre possível crime racial na UnB

      
Nesta sexta-feira, o senador Paulo Paim (PT-RS) comunicou ao Plenário que na próxima terça-feira a CDH (Comissão dos Direitos Humanos e Legislação participativa) fará uma reunião extraordinária para realizar ato de desagravo aos estudantes africanos vítimas de possível crime racial praticado na madrugada de quarta-feira, na CEU (Casa do Estudante Universitário) da UnB (Universidade de Brasília). Os apartamentos onde os estudantes estrangeiros dormiam foram atingidos por um incêndio criminoso. Por sugestão de outros senadores, é possível que o ato seja realizado no Plenário.

O discurso de Paim durou 1h03 e recebeu sete apartes. O senador afirmou que fará contato com diversas entidades de defesa dos direitos humanos e órgãos públicos para que estejam presentes na próxima terça-feira. Entre as instituições e entidades já convidadas, estão o Ministério Público, a diretoria da UnB e a Fundação Palmares.

Paim e os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) participaram na véspera de um ato de solidariedade na UnB aos estudantes estrangeiros vítimas da agressão, com a presença do reitor da Universidade de Brasília, Timothy Mulholland. "Foi um ato de solidariedade dos homens de bem deste país, que sonham com justiça e igualdade, com um mundo onde brancos e negros tenham efetivamente os mesmos direitos e oportunidades. A Comissão de Direitos Humanos se deslocou de maneira simbólica", disse o parlamentar gaúcho, que preside a CDH.

Paim quer que a data de 28 de março entre para a história do país como o dia da igualdade racial. "Que seja uma data marcada pelo contrário do que quiseram fazer os racistas e conservadores, mas que seja uma data que não esqueçamos jamais", afirmou.

O senador pediu a punição dos "bandidos assassinos" que incendiaram o alojamento dos jovens africanos e lembrou que os estudantes estrangeiros estão agora "confinados" em um hotel em Brasília, cujo nome é mantido em sigilo. "Calcule se fossem os nossos filhos estudando em outro país e sua casa fosse incendiada. Que país é este que permite que estudantes de um outro país amigo, que estão lá em um convênio legítimo, sejam atacados?", questionou.

Paim destacou que o atentado na UnB não foi um ato isolado. A capital tem sido cena de outros casos de racismo, registrou, lembrando que Brasília já viu uma situação semelhante, quando o índio Galdino foi incendiado por jovens de classe média em uma parada de ônibus em abril de 1997.

O senador destacou que a história é ainda mais chocante por ter se passado na Universidade de Brasília, um centro de referência, de saber, para todo o país. Paim disse que é difícil falar no assunto, que dói, mas que é necessário "tratar dessa ferida". O senador sugeriu que cada um se coloque no lugar dos pais desses jovens, que tiveram as portas dos seus apartamentos incendiadas, para que não pudessem sair. "Precisamos aprofundar o debate. Pregamos igualdade, liberdade, justiça, combatemos toda forma de intolerância. Não podemos permitir que isso aconteça", afirmou.

Muito emocionado, Paim disse que esses ideais não podem morrer nunca, e pediu "vida eterna aos homens e mulheres - independentemente da raça, cor, etnia, origem - que dedicaram sua vida à causa da liberdade, igualdade e justiça". "Que os pais e mães dos meninos negros covardemente atingidos saibam que aqui no Brasil a ampla maioria está solidária com eles. Atingir a eles é atingir também a todos os filhos do Brasil", afirmou, entre lágrimas.
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