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Grupo cria sangue 'doador universal'

      
Tipos A, B e AB, que têm restrições em doação, foram transformados no tipo O, compatível com todos os outros

Reuters, Nova York

Um dos principais problemas em cirurgias de emergência - a falta de sangue compatível com o da vítima para transfusões - pode estar prestes a ser resolvido. Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu uma maneira de converter sangue dos tipos A, B e AB, que hoje podem ser doados apenas com restrição (veja quadro ao lado), no tipo O, conhecido como doador universal.

Na edição deste domingo da revista britânica Nature Biotechnology, cientistas liderados por Henrik Clausen, da Universidade de Copenhagen (Dinamarca), descreveram o uso de novas enzimas que "limpam" esses tipos sanguíneos de seus antígenos (moléculas que levam à reação de anticorpos), tornando-os viáveis para qualquer tipo de transfusão. Isso tornaria o procedimento virtualmente mais seguro e liberaria os hospitais da dependência do tipo O.

O sangue é composto de glóbulos brancos e vermelhos. Os antígenos estão presentes na superfície desses últimos. Tipos diferentes - A e B, por exemplo -, quando misturados, podem se aglutinar. Os primeiros têm anticorpos que reagem ao antígeno presente no segundo e vice-versa.

Com o O não ocorre esse risco porque ele não tem nenhum antígeno e não provoca reação dos outros tipos sanguíneos. Em compensação, uma pessoa do tipo O tem anticorpos anti-A e anti-B, o que faz com que ele só possa receber doação de alguém do mesmo tipo. Já quem é AB sai ganhando, pois pode receber sangue de todo mundo. No entanto só pode doar para alguém que compartilhe as mesmas características.

As tentativas de neutralizar o sangue têm sido feitas há mais de 25 anos. Inicialmente os pesquisadores tentavam remover a superfície de proteínas dos glóbulos vermelhos para criar células universais, o que acabava destruindo as células. Em 2000, alguns pesquisadores conseguiram converter o tipo B em O e tiveram sucesso em transfusões para pessoas dos tipos A e O, mas o procedimento se mostrou inviável, porque dependia de uma quantidade muito grande de enzimas para obter a transformação.

Agora Clausen e equipe descreveram a ação de duas enzimas até então desconhecidas, que, em pequenas quantidades, são capazes de remover com eficiência os antígenos A e B dos seus respectivos tipos sanguíneos, tornando-os inócuos e virtualmente adequados para qualquer tipo de transfusão como o tipo O.

Essas enzimas agem diretamente nas moléculas de açúcar presentes na superfície dos glóbulos vermelhos que ativam a reação dos anticorpos da pessoa que está recebendo a transfusão.

"Os processos de conversão enzimática que nós descrevemos prometem alcançar enfim o objetivo de produzirmos glóbulos vermelhos universais, que vão aumentar o suprimento de sangue ao mesmo tempo que devem melhorar a segurança das transfusões", escreve a equipe no estudo.

O trabalho foi elogiado pela dupla Geoff Daniels, do Instituto para Ciências de Transfusão de Bristol, na Inglaterra, e Stephen Withers, da Universidade de Columbia Britânica, no Canadá, que comentou o trabalho: "O método deles pela primeira vez vai permitir a fabricação de sangue para todos".
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