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Notícias

UnB: Inspeção na Casa do Estudante

      
Reitoria vai vistoriar alojamento estudantil, onde ocorreu o atentado contra os africanos há seis dias. Alunos denunciam problemas no alojamento desde 2005

Talita Cavalcante

A Universidade de Brasília (UnB) vai realizar um pente-fino na Casa do Estudante Universitário (CEU). A finalidade da operação é retirar os universitários em situação ilegal. Além disso, a universidade lançou ontem um Programa contra Discriminação, como resposta ao atentado ocorrido na madrugada de quarta-feira passada no alojamento estudantil. O projeto prevê a criação do Centro de Convivência dos Estudantes Estrangeiros, além da inclusão optativa de disciplinas sobre cultura e história africanas no currículo de todos os cursos da universidade. Será criado também um conselho de ouvidoria, responsável por apurar todos os casos de intolerância no câmpus.

O atentado na CEU ocorreu às 4h de quarta-feira passada, quando 10 estudantes africanos tiveram as portas dos três apartamentos, onde dormiam, incendiadas. O crime chocou os estudantes e revelou os problemas de convivência entre brasileiros e africanos, existentes há pelo menos quatro anos no alojamento dos alunos de baixa renda. Para a direção da universidade, a ação foi um ato racista e xenófobo. "Queremos promover a igualdade racial no câmpus e excluir qualquer comportamento de intolerância", afirma a decana de Extensão, Leila Chalub. Segundo ela, haverá uma expansão das nove turmas das disciplinas de Pensamento Negro Contemporâneo e de História da áfrica, oferecidas pelo Faculdade de Educação. "Vamos formar uma educação anti-racista", completa.

O pente-fino servirá para retirar ou regularizar os ilegais da CEU. A UnB, por meio da assessoria de imprensa, informou que isso é feito semestralmente. Porém, documentos apresentados pelo estudante da engenharia florestal Wagner Guimarães, 28 anos, mostra que, em 2005, havia 23 africanos ilegais na CEU. "Eles não passaram pelo crivo do Serviço de Moradia Estudantil (SME), como nós brasileiros passamos", comenta Wagner, apontado como um dos suspeitos pelos africanos. Segundo a assessoria da UnB, 5% das vagas da CEU são asseguradas a estrangeiros e eles passam por um processo de permanência semelhante ao dos brasileiros e também estão subordinados ao SME.

Os estudantes afirmam que os conflitos entre brasileiros e africanos perduram por pelo menos quatro anos. E até o Ministério Público Federal (MPF) já foi acionado por eles, em dezembro de 2005. Os estudantes da CEU enviaram uma carta ao órgão com denúncias como a permanência de africanos ilegais na CEU e as constantes ameaças e brigas entre os moradores. "Não tivemos respaldo nem do MP nem da Reitoria da universidade", afirma Wagner. Ele prestou depoimento à Polícia Federal na última sexta-feira e nega qualquer participação no episódio.

A UnB só tem conhecimento de dois casos: um ocorrido em abril do ano passado ? quando um brasileiro e um africano trocaram socos e pontapés devido a um som alto ? e as pichações de fevereiro deste ano. O MP, por meio da assessoria de imprensa, informou que foi aberto um Procedimento Administrativo para investigação do caso. O órgão teria encaminhado a carta à Controladoria-Geral da União, para apurar denúncias de improbidade administrativa na UnB.

Investigações
Ontem, ninguém prestou depoimento na Superintendência Regional da Polícia Federal, sobre o atentado. O delegado Francisco Serra Azul passou o fim de semana estudando o caso e deve intimar testemunhas e suspeitos até o fim da semana. Já a Polícia Civil investiga apenas as pichações, ocorridas em fevereiro, quando os criminosos escreveram "Morte aos Estrangeiros" nos corredores da CEU. De acordo com o delegado da 2¦ DP (Asa Norte), existem policiais infiltrados entre os alunos no câmpus da universidade para apurar o crime. "Vamos trabalhar em conjunto com a PF e convocaremos pessoas para depor ainda esta semana. A dificuldade da investigação é a falta de provas", emenda o delegado Antônio Romeiro.
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