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Transporte é martírio para estudantes

      
Moradores da Zona Rural passam horas na estrada e têm que pegar até três ônibus para chegar à universidade

Desde o início do ano letivo, moradores de pelo menos três distritos rurais de Londrina estão enfrentando dificuldades para continuar estudando. Os ônibus que eram cedidos pela administração municipal foram suspensos, sem aviso prévio, e os universitários e outros estudantes têm de tomar de três a quatro coletivos por dia para chegar às instituições de ensino.

Em Guaravera (Zona Sul), 20 estudantes estão passando por essa situação. O itinerário desses alunos passa pelo Distrito de Irerê e Terminal Acapulco. Com sorte, a viagem pode durar apenas uma hora e vinte minutos. Só que nem sempre tudo dá certo. Ao menos uma vez por semana, segundo a aluna Valéria Militão, 23 anos, do primeiro ano de Letras na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o grupo perde a conexão no terminal de bairro da Zona Sul.

A reportagem da FOLHA acompanhou, no dia 26, uma viagem dos estudantes de Guaravera até as universidades Norte do Paraná (Unopar) e Estadual de Londrina (UEL). A indignação é geral entre os estudantes, tanto do ensino superior quanto de outros cursos, e de Paiquerê e Irerê.

A viagem começou cedo. Exatamente às 17h40 os jovens embarcam no coletivo. ? a primeira e única vez que precisam colocar a mão no bolso. Como a integração até o destino é feita dentro de terminais, o passe escolar que custa R$ 2,00 é a única despesa na viagem de vinda.

A maior parte do grupo consegue lugar sentado. Valéria e alguns colegas seguem viagem em pé. Com a dificuldade de segurar-se durante o trajeto pela rodovia, ela conta que a revolta dos moradores é ainda maior porque a verba para o transporte escolar para os distritos rurais está garantida no Orçamento de 2007.

No papel, pelo menos R$ 400 mil são destinados para ''oportunizar o transporte escolar a aproximadamente 600 alunos do Ensino Médio, 3º Grau e Profissionalizante, residentes na Zona Rural do Município. Com recursos do Município.'' De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o valor do orçamento para o transporte da Zona Rural é de R$ 5,2 milhões.

''Estamos tendo dificuldade para conseguir uma explicação da prefeitura. Tem gente que faz cursinho em Londrina que está até pensando em desistir porque não tem condições de pagar o ônibus'', revelou Valéria, no curto trecho entre Guaravera e Irerê.

No terminal de Irerê, estudantes locais juntam-se ao grupo. Até aí, a viagem pode ser considerada tranquila, já que a circular espera a chegada do ônibus de Guaravera. Com muitos passageiros em pé, a viagem segue às 18h10.

Moradoras de Irerê, Renata Hiromi Toda, 18, Regiane Beraldi Masiero, 18, e Franciane Keila Keller Ferreira, 21, alunas da Faculdade Inesul, comentam que a falta do ônibus fretado fez com que aulas perdidas se tornassem rotina. Principalmente no primeiro mês de aula, elas precisavam entrar mais tarde ou sair mais cedo para conseguir chegar em casa à noite. ''Teve dia que a gente passou mais tempo viajando do que assistindo aula'', asseverou Renata.

O aluno do quarto ano de Educação Física da UEL Rafãl Cezar Cutisque passou por uma situação ainda mais complicada. Num dos apagões ocorridos recentemente na universidade, ele nem desceu do ônibus e voltou imediatamente para Guaravera. ''? difícil continuar. A gente fica sem incentivo. Só não paro porque estou terminando o curso'', disse.

A parte crucial da viagem ocorre dentro do Terminal Acapulco. Exatamente às 18h30 a circular encosta. ? preciso ser muito rápido e até acenar para o motorista para que o ônibus que vai levá-los para a Unopar e UEL não os deixe para trás.

O final da viagem para os estudantes da UEL é a descida nos pontos dentro do campus, por volta das 19 horas. A sorte às vezes permite que eles tenham tempo para chegar na sala antes dos professores, já que a aula começa às 19 horas. Se tivessem perdido o ônibus, os jovens chegariam quase 15 minutos atrasados.

Na volta, o martírio é o mesmo e o cansaço, ainda maior. Os jovens de Guaravera só vão conseguir chegar em casa por volta da meia-noite e meia. Para quem trabalha, no outro dia é levantar cedo e preparar-se para enfrentar outra verdadeira maratona para conseguir estudar.

''Não podemos desenvolver um estudo de qualidade passando por essa rotina. Entrar na universidade já não é uma coisa fácil e para a gente continuar estudando está cada dia mais difícil'', lamentou Valéria Militão.
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