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Seminário na Ufba discute educação no campo

      
O Brasil, na verdade, são dois Brasis. Separados por um abismo de quinhentos e tantos anos de profundidade, o Brasil urbano só agora parece dar mostra de querer reconhecer e dialogar com o Brasil rural. Este é o espírito das licenciaturas do campo, projeto piloto voltado para a formação superior de professores para atuar nas comunidades que vivem nas zonas rurais do País.

Cinco universidade brasileiras deve oferecer 50 vagas cada, a partir do segundo semestre deste ano. Além da Universidade Federal da Bahia (Ufba), as federais de Minas Gerais, Brasília, Sergipe e Campina Grande (PB) aceitaram o convite do Ministério da Educação (MEC) e estão debatendo o tema. A Ufba sediou, segunda e terça-feira desta semana, um seminário que discutiu o projeto com a comunidade acadêmica baiana.

A organização do encontro, que contou com as presenças de estudantes, militantes de movimentos sociais e especialistas em pedagogia, ficou a cargo da Faculdade de Educação (Faced). Na pauta, o debate sobre como chegar ao projeto pedagógico inicial para a implantação das licenciaturas.

Presente ao encontro, o coordenador geral de educação no campo da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC), Antônio Marangon, destacou que cerca de 97 mil das 207 mil escolas públicas brasileiras estão no campo. Nestas, apenas 20% dos professores do ensino fundamental têm curso superior.

No projeto piloto, O MEC está investindo R$ 200 mil para cada universidade. "Além disso, os cursos aproveitarão a estrutura e o pessoal das universidades. A idéia é que as licenciaturas do campo entrem na grade das universidades como um curso permanente e recebam recursos como outro qualquer".

Academia no campo - Convidado de honra da manhã de terça-feira, o professor e especialista na área de educação no campo, Miguel Arroyo, da UFMG, enfatizou o importante papel que as universidades públicas desempenham na aproximação com a zona rural.

"Os movimentos sociais não são mendicantes, de pires na mão, querendo entrar na universidade pela porta dos fundos. Se o pensamento for este, estaremos fechando até as portas da frente. E aí eles vão arrombar", ironiza o professor, chamando atenção para a metáfora usada como bandeira dos movimentos sociais, que diz "Arrombemos as fronteiras do saber".

"Ou nos abrimos ao debate, ou não há debate, há catequização. E isto eles não querem", alerta.
Mas a ?invasão?, segundo Arroyo, não será necessária. "Vejo uma nova sensibilidade para com a educação do campo", diz. Ele defende, entretanto, que, antes de qualquer participação da academia na educação na zona rural, é essencial que o conhecimento produzido nas universidades busque o diálogo com os saberes do campo, em vez de tentar uma "colonização".

"? preciso reconhecer que existem sujeitos no campo. Temos que preparar educadores que conheçam as realidades específicas de coletivos quilombolas, ribeirinhos, indígenas, comunidades agrícolas, camponeses. São realidades vivas e tensas, que exigem um preparo específico".
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