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Universidade se rende a protestos e pedidos de perdão

      
André Bezerra

Os estudantes da Universidade de Brasília (UnB) prometem parar o câmpus Darcy Ribeiro, no Plano Piloto, hoje. Eles preparam uma grande manifestação para cobrar das autoridades e a da própria instituição a punição dos responsáveis pelo crime ocorrido há sete dias na Casa do Estudante Universitário (CEU). As portas de três apartamentos, onde moravam 10 alunos africanos, foram incendiadas durante a madrugada. Ninguém ficou ferido, mas segmentos do movimento estudantil acreditam que o caso foi um ataque racista e xenófobo (de ódio a estrangeiros). Moradores do alojamento defendem que o crime provém de rixas antigas entre os vizinhos brasileiros e africanos. Até o momento, os autores não foram identificados pela Polícia Federal, que investiga o caso.

A partir das 12h de hoje, a comunidade universitária se reúne na entrada norte do Instituto Central de Ciências (ICC), o Minhocão, para discutir o assunto e definir uma pauta de exigências a ser apresentada à reitoria da UnB. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) espera a adesão de alunos de todos os cursos. A assembléia será precedida de um ato público do grupo EnegreSer, formado por militantes do movimento negro. "Nosso objetivo será entregar uma carta de apoio aos estudantes africanos e pedir o comprometimento da UnB pelo combate ao racismo", afirma uma das organizadoras do ato, Lia Maria dos Santos, 27 anos. Em seguida, os alunos irão até a reitoria para entregar a carta e as propostas.

Desculpas
Na tarde de ontem, cinco dos estudantes africanos vítimas do ataque na CEU participaram de uma audiência pública no Senado Federal. Estavam presentes o ministro da Educação, Fernando Haddad, os senadores Paulo Paim (PT-RS), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) e César Borges (DEM-BA), além do reitor da UnB, Timothy Mulholland. No plenário da casa, o grupo foi recebido por outros parlamentares e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).

"A UnB quer pedir desculpas a esses jovens que sofreram essa violência dentro da nossa casa. A universidade está compromissada com a busca da igualdade racial e vem abraçando os estudantes estrangeiros há muito tempo", declarou, diante dos parlamentares, o reitor da UnB. Os estudantes condenaram a xenofobia e o racismo, e ressaltaram que o crime foi uma ação direcionada. "Foi um grupinho que cometeu o ato xenófobo, um ato de barbárie", disse Lenine da Silva, 29 anos, de Guiné-Bissau.
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