text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

UnB: Protesto na reitoria

      
Estudantes exigem que reitor peça desculpas por incêndio criminoso no alojamento de colegas africanos e entregam lista de reivindicações

Guilherme Goulart

A Universidade de Brasília (UnB) viveu ontem um dia marcado por protestos e cobranças. Universitários de diversos diretórios acadêmicos e de entidades do movimento negro estudantil entregaram uma carta ao reitor da instituição, Timothy Mulholland. Pediram o comprometimento da universidade no combate ao racismo e manifestaram apoio aos africanos. Mas também protagonizaram cenas de protesto no auditório da Reitoria, onde cerca de 200 pessoas exigiram um pedido de desculpas formal da maior autoridade da UnB.

O ato serviu ainda para cobrar de Mulholland mudanças na Casa do Estudante Universitário (CEU). O local foi palco de um incêndio criminoso ocorrido na quarta-feira da semana passada. As portas de três apartamentos onde moravam 10 alunos africanos ficaram destruídas pelas chamas. Não houve feridos, mas o ataque da madrugada deixou em evidência problemas de relacionamento entre os universitários. Parte do movimento estudantil, no entanto, denunciou racismo e xenofobia (ódio aos estrangeiros) como os motivos do crime. O caso é investigado pela Polícia Federal.

As duas suspeitas ficaram evidentes nos cartazes espalhados pelo Coletivo Negro do Distrito Federal e Entorno (EnegreSer) ao redor do auditório da Reitoria. Mulholland ouviu as críticas dos universitários de costas para as faixas com dizeres como "Racismo na UnB". Durante o encontro, que durou quase duas horas, o reitor recebeu a carta-compromisso encaminhada pelo próprio EnegreSer, Diretório Central dos Estudantes (DCE) e lideranças africanas. Antes disso os próprios alunos se desentenderam na organização do protesto. Alguns queriam uma assembléia. Outros seguiram direto para a Reitoria.

O documento lista as principais reivindicações dos alunos desde o incêndio planejado da quarta-feira. Entre elas, a implantação de um centro de convivência africana na UnB, combate e punição aos professores racistas, incorporação de aulas sobre a história da áfrica nos currículos e repasse de informações sobre o crime na CEU. Mulholland se comprometeu a ler a carta, mas preferiu respondê-la mais tarde. "Nada do que foi pedido se afasta da nossa filosofia. Tentaremos uma série de ações, como erguer mais dois prédios na CEU", afirmou o reitor, que prometeu despachar na CEU periodicamente.

O momento mais tenso do ato, porém, ocorreu durante a pressão exercida pelos estudantes para o pedido de desculpas em nome da universidade. "Exigimos uma retratação do senhor pela tentativa de homicídio ocorrida nas dependências da instituição", cobrou a estudante de direito da UnB Ana Luiza Pinheiro Flausino, 27, do EnegreSer. As palavras da aluna ganharam apoio do auditório. O reitor preferiu fazer referência ao discurso realizado no Senado no dia anterior. "Houve um crime de alta gravidade. A UnB pede desculpas em nome dos jovens, mas vamos esperar o fim das investigações."

Política de integração
Está prevista para hoje, às 14h, a primeira reunião do Programa Institucional de Combate ao Racismo na UnB. A coordenadora Leila Schalub pretende aprimorar a integração dos estrangeiros na universidade. Pelo menos três pontos serão tocados no encontro: a implantação de um centro de convivência, o oferecimento de disciplinas sobre história da áfrica e a criação de um fórum de discussões na internet. "Mas o programa só terá validade se tiver respaldo da comunidade acadêmica", adiantou Leila.

O delegado Francisco Serra Azul, responsável pelas investigações na Polícia Federal, ouviu ontem mais três depoimentos no caso do incêndio na CEU. Ele evitou dar os nomes dos envolvidos para não atrapalhar as investigações. Mais seis pessoas serão ouvidas na próxima semana.
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.