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MEC quer dobrar número de alunos nas federais

      
Atualmente, as universidades federais formam 79% dos alunos que ingressam a cada ano. Existem nove estudantes para cada professor nas instituições e a meta é aumentar para 18 por cada docente. Os reitores pleiteiam que a proporção exista em cursos de graduação e pós-graduação

REITORIA DA Universidade Federal do Ceará, uma das instituições que deve se adequar aos novos índices (Foto: Mauri Melo) O Ministério da Educação (MEC) pretende que, num prazo de 10 anos, as universidades federais formem em torno de 90% dos estudantes que ingressam em seus cursos e tenham pelo menos 18 alunos para cada professor em atividade. As metas deverão ser estabelecidas em um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ser publicado nas próximas semanas como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), mas que ainda estão em negociação.

Apesar de o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais estabelecer uma década de transição para atingir as metas, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) quer objetivos menos rígidos. Hoje, as federais formam cerca de 70% dos alunos que ingressam a cada ano.

A relação aluno-professor é ainda mais distante da meta: na graduação, são apenas nove estudantes para cada docente. ? justamente nesse ponto que está a maior distância entre a proposta do ministério e a alternativa apresentada pela Andifes. Os reitores reivindicam que a meta de 18 alunos por professor leve em conta todos os cursos da instituição, incluindo tanto a graduação presencial, como quer o MEC, quanto também a pós-graduação.

Se a conta for feita desta forma, a média de alunos por professor sobe dos nove contabilizados pelo ministério para 14. "Muda de modo substancial o esforço necessário e torna mais razoável porque inclui a pós-graduação. Já a meta de concluintes, com algum esforço, acredito que é possível alcançar sem problemas" - analisou em Brasília o presidente da Andifes, Paulo Speller.

A discussão entre MEC e Andifes ainda está em andamento e pode levar as propostas envolvendo as instituições federais de ensino a ser uma das últimas a definir no pacote do PDE. A alternativa apresentada pela entidade dos reitores diminui em muito o esforço necessário para aumentar o número de alunos em sala de aula, mas não é o que o ministério quer.

A intenção é aumentar as vagas de graduação. A ampliação da pós também está prevista. Mas a maior preocupação do MEC hoje é ter mais vagas para alunos que não têm condições de pagar uma faculdade privada. A idéia é dobrar o número dos estudantes da graduação, chegando a 600 mil. Se o governo aceitar a proposta dos reitores, o crescimento das vagas na graduação não terá a proporção desejada.

O MEC prometeu aos reitores mais recursos para ampliação, construção de salas, bibliotecas, laboratórios, compra de material e contratação de pessoal como apoio para que as instituições alcancem os objetivos que vão ser determinados no decreto. Cada universidade, no entanto, terá que apresentar um planejamento para receber os recursos extras previstos pelo ministério, o que inclui diretrizes a serem seguidas. O ministério quer que as instituições diminuam as taxas de evasão.
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