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Notícias

Olimpíadas do conhecimento

      
Por Lilian Burgardt

Olimpíada de Português

Diante das iniciativas bem sucedidas com a Matemática e Física o governo decidiu repetir a dose criando uma Olimpíada de Português. A idéia partiu do próprio presidente Lula ao questionar o MEC (Ministério da Educação) sobre uma competição que valorizasse nosso idioma entre os jovens de Ensino Fundamental e Médio.

Segundo o secretário da educação básica do MEC, Francisco das Chagas, a competição, ainda em fase de preparação, irá reunir estudantes do Brasil todo entre 3¦ e 4¦ série do Ensino Básico; 7¦ e 8¦ do Ensino Fundamental; até alunos do 3º ano do Ensino Médio. O grande diferencial da Olimpíada de Português é que ela não terá questões objetivas ou discursivas, mas irá estimular o estudante a escrever. "Trata-se de uma competição em que os estudantes deverão escrever prosa e poesia", explica Chagas.

A primeira edição desta olimpíada deve ser realizada no próximo ano. A meta é atingir 80 mil escolas e 7 milhões e 200 mil alunos. Só poderão se inscrever alunos cujas escolas estiverem filiadas à competição.

Além de passar horas debruçado sobre os livros ou arrumando espaço entre o teto do quarto e a parede do banheiro para colar as fórmulas tão impossíveis de memorizar, há outras maneiras de exercitar seu raciocínio. Como? Ingressando no universo das olimpíadas do conhecimento. Matemática, Física e Português são algumas modalidades que reservam aos estudantes a oportunidade de treinar seu aprendizado, ter seu talento mental reconhecido e, de quebra, estar mais preparado para o vestibular. Isto porque, quanto mais você exercita seu raciocínio, melhor preparado você estará para viver e vencer situações estressantes como a "bendita" TPV (Tensão Pré-Vestibular).

Antes de que você saia por aí dizendo "ah, eu já vou me estressar com o vestibular e vocês estão me dizendo para viver a pressão de uma olimpíada!!!!" Relaxe! Aí é que está o grande "xis" da questão. Bem diferente das competições olímpicadas e até do programa S-O-L-E-T-R-A-N-D-O que coloca os estudantes frente a frente em uma disputa, o competidor de uma olimpíada do conhecimento tem tempo para pensar e responder as questões com calma, já que a competição é feita por meio de provas. Funciona mais ou menos assim: conforme você vai acertando, vai passando para outras fases. ? como um funil, onde sobrevivem só aqueles que obtiverem os melhores desempenhos.

Atualmente, os estudantes brasileiros têm duas grandes olimpíadas do conhecimento a sua disposição: Matemática e Física. A OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática) é dividida em três etapas, os dois primeiros níveis são dirigidos aos alunos do Ensino Fundamental, sendo o nível 1 para os alunos da 5¦ e 6¦ séries e o nível 2 competem alunos da 7¦ e 8¦ séries. Já o nível 3 é para Estudantes do Ensino Médio. A disputa ocorre em duas fases. A primeira, constituída de uma prova com questões de múltipla escolha, seleciona 5% dos alunos inscritos em cada escola participante. Já na segunda fase, o aluno tem seu desempenho avaliado por questões dissertativas e disputa com concorrentes de todo o Brasil por uma das 300 medalhas de ouro concedidas pela organização.

A OBF (Olimpíada Brasileira de Física) é voltada para jovens desde a 8¦ série do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio. A escola que tem interesse faz a inscrição e a partir daí ela começa a receber todas as informações para que o aluno dessa escola que tenha interesse possa participar da Olimpíada. O professor do Instituto de Física da USP/São Carlos (Universidade de São Paulo, campus São Carlos) também organizador da Olimpíada de Física, Euclydes Merega Junior, explica que, em uma primeira fase, a olimpíada é organizada na escola e somente os que atingirem a nota mínima, que é de aproximadamente 40% de acerto, vai para a segunda fase, que é organizada em sedes regionais dos estados. Aí existe uma terceira etapa, que é a fase final, em que os alunos se deslocam para um local de cada estado. Daí sãm os premiados.

A primeira e segunda fase das olimpíadas de Matemática e Física são exatamente iguais aos grandes vestibulares da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade de São Carlos), por exemplo, sendo, respectivamente, objetiva e discursiva. Daí em diante, cada uma passa a apresentar suas particularidades. Na Olimpíada de Matemática, continuam os cálculos como anteriormente, já a de Física muda para uma prova discurso e outra experimental. Nessa prova experimental, cada alunos recebe alguns materiais para resolver um problema proposto pelos jurados. "A Física é uma ciência experimental, matemática é uma linguagem, daí a diferença na terceira etapa", compara o professor.

Segundo Merega Junior, os melhores alunos recebem uma medalha de ouro, prata e bronze. No entanto, também há uma 4º categoria que funciona como uma menção honrosa. "Ela é destinada para o aluno que foi bem e não ganhou uma medalha, mas também não foi mal para não ganhar nada", explica. A última edição da prova de Física reuniu aproximadamente 70 mil alunos. Para o professor, a grande procura tem outro chamariz além do treino do raciocínio, o fato de que os aprovados na seleção nacional representam o Brasil na disputa internacional.

? importante lembrar, porém, que o objetivo destas olimpíadas não é fazer ranking de melhores alunos do País, mas sim, incentivar que os estudantes se interessem por estas disciplinas, quase sempre detestadas ao longo da vida escolar. "O objetivo das olimpíadas é difundir a Matemática e a Física para o jovem estudante para que, no futuro, ele possa até cogitar a possibilidade de seguir carreira na área de Ciência e Tecnologia, tão essenciais para o País e tão carentes de mão-de-obra especializada", reforça Merega Junior.

Treinamento especializado

A onda das Olimpíadas pegou tanta gente de jeito que teve até cursinho montando treinamento especial para ensinar os competidores. A iniciativa, que é gratuita, parte do Cursinho Anglo, em São Paulo. O programa prepara estudantes interessados em participar não só da OBM como também de outras competições da mesma disciplina. O treinamento é voltado a alunos a partir do 6º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio.

O treinamento não é ministrado só na unidade do Anglo, mas compartlhado com as escolas conveniadas também interessadas em aplicar esse treinamento. "A gente sabia da existência de treinamentos espalhados, mas dependia muito de um ou outro professor apaixonado e às vezes ele não tinha tempo para ir atrás, preparar o material. Então a gente pensou em fazer um material que pudéssemos aplicar aqui e também, em todas as escolas interessadas", explica o coordenador do Treinamento para Olimpíadas de Matemática do Anglo, Marco Antônio Gabriades.

Mas por que, afinal, preparar os estudantes? Gabriades diz que as Olimpíadas de Matemática, em geral, incentivam o estudante a mudar a visão sobre a disciplina, quase sempre encarada como vilã, mas fundamental para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no País. Por isso, a importância de criar um projeto nesta linha. "·s vezes, nas aulas comuns, o aluno tem uma postura antipática diante da Matemática. Quando ele se depara com um exercício de olimpíada, ele pode mudar radicalmente porque quando ele olha um problema desse tipo ele fala: 'puxa, mas isso é matemática?'. Pode não parecer Matemática, mas os conceitos são trabalhados com criatividade e isso acaba contagiando o aluno e, inclusive, melhorando sua postura em sala de aula."

O treinamento do Anglo não trabalha conteúdos novos, mas sim, a criatividade do aluno por meio de exercícios. Funciona da seguinte forma: propõe-se uma situação problema ou então um exercício e é dado um tempo para o aluno tentar achar saídas. "Acreditamos que essas habilidades que são desenvolvidas, como criatividade, raciocínio e análise crítica, não se limitam à Matemática. Tudo isso estimula o desenvolvimento de uma capacidade intelectual e mental de articulação que contribui, portanto, para o desempenho das outras disciplinas", complementa o coordenador.

E será que funciona? Gabriades afirma que já houve, sim, casos de alunos que chegaram a ser medalhistas em grandes competições. Não é à toa que a busca pelo treinamento cresce anualmente e, só nos primeiros meses de 2007, o cursinho já computou 700 inscrições. Para participar do treinamento do Anglo o aluno deve se inscrever pela Internet e fazer uma prova de seleção. O coordenador lembra, porém, que todos os alunos inscritos conseguiram participar do curso, não sendo preciso desqualificar ninguém nesta "peneira".

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