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Crédito para estudantes é filão bancário

      
Os bancos estão investindo pesado em crédito para educação continuada. Já para os cursos de graduação, as únicas alternativas para quem precisa de um reforço financeiro para pagar as mensalidades são os programas de crédito educacional das universidades e o Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).

Desde que foi criado, em 1999, o Fies já liberou R$ 4,2 bilhões para ajudar 495 mil alunos a realizar o sonho do diploma. Henrique Mattoso Guzela, 21, está no 7º período de direito. Ao contrário de muitos estudantes, ele pode contar com a ajuda dos pais para pagar o curso.

Mesmo assim, se não tivesse conseguido o Fies há um ano, os estudos estariam ameaçados. Guzela conseguiu financiamento de 35% do curso, que tem mensalidade de mais ou menos R$ 800. Para ele, que ganha uma bolsa de um salário-mínimo como estagiário, pagar o valor integral seria inviável.

"O Fies não é uma bolsa, é um empréstimo que terei que pagar após a formatura, mas, por enquanto, o importante é estudar, depois eu me preocupo em pagar", afirma.

Acesso
Para ter acesso ao Fies, o estudante precisa estar regularmente matriculado numa instituição privada de ensino superior cadastrada no fundo. As inscrições acontecem uma vez por ano, no segundo semestre, e podem ser feitas pelo site do Ministério da Educação (MEC).

Como não há uma data fixa para o início do cadastramento, os interessados devem ficar atentos ao site. No ano passado, a matrícula foi em novembro. A inscrição é só o início de uma jornada para conseguir o crédito.

Segundo o diretor do departamento de modernização e programas da educação superior do MEC, Celso Carneiro Ribeiro, os estudantes cadastrados passam por uma entrevista seletiva.

"Não é estipulada renda máxima para participar do Fies, mas exigimos que o aluno ou responsável tenha renda duas vezes superior ao valor da mensalidade", explica Ribeiro. Guzela se lembra bem dessa etapa.

"Eles investigam todas as informações passadas pelo aluno para saber se ele realmente não tem condições de pagar", conta o universitário. Mesmo após a concessão do Fies, o estudante beneficiado precisa se recadastrar todos os anos.

Condições
Durante o curso, o aluno paga diretamente à instituição a parcela da mensalidade com o desconto. E, a cada três meses, quita, na Caixa Econômica Federal, uma parcela dos juros, no valor máximo de R$ 50. Essa quantia vai sendo abatida do saldo devedor e o empréstimo total só é pago após a conclusão do curso.

"O aluno tem o mesmo tempo que usou o Fies para o pagamento. Se ele usou por um ano, pagará até um ano após a formatura", explica o superintendente da Caixa Econômica Federal em Minas, Dimas Lamounier.

Cheque universitário é terror do comércio


Ter crédito sem precisar comprovar renda é o sonho de qualquer universitário que ainda não tem um contracheque. Mas é o pesadelo do comércio, que teme que a crescente concessão de crédito aumente ainda mais os índices de inadimplência.

"Muitas vezes, os jovens têm um limite de crédito maior do que a mesada, acabam gastando mais do que podem pagar e isso se reflete diretamente no comércio", afirma o economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL), Fernando Sasso.

O limite de crédito nas contas universitárias varia de R$ 500 a R$ 1.500 por mês. Para evitar o uso inadequado do crédito, os bancos investem em programas de orientação financeira.

"Promovemos palestras em faculdades para dar um suporte aos jovens que estão ingressando na vida financeira", destaca a superintendente do segmento universitário do banco Real, Litiza Bernardes. (QA com Joice Solano)

BB vai financiar cursos de graduação

O Banco do Brasil se prepara para lançar uma linha de financiamento para cursos de graduação. Segundo o superintendente de varejo do BB em Minas, Amauri Sebastião Niehues, o banco está em fase de negociação com as instituições de ensino, que terão que firmar convênios com o BB.

"Estamos confiantes no interesse das instituições e acreditamos que esse produto deve ser lançado no ano que vem", afirma Niehues.

Segundo o superintendente, as regras ainda não estão definidas, mas o convênio deverá funcionar como os já existentes para casas de material de construção e lojas de eletrodomésticos, em que os próprios funcionários são treinados para oferecer a linha de financiamento.

"O aluno vai entrar em contato com a universidade e negociar um valor de pagamento à vista. O BB vai pagar diretamente para a instituição e assumir a dívida do aluno, podendo parcelar em prazos maiores do que aqueles que ele pagaria", explica.

Ideal
De acordo com Niehues, o produto será ideal para quem estiver no último ano da faculdade. "Ao invés de pagar um ano em 12 meses, ele poderá suavizar as prestações em 24 meses", explica.

No entanto, lembra Niehues, o estudante terá que comparar se o valor das mensalidades pelo financiamento não ficará maior do que se ele pagasse da maneira normal.

"Só valerá a pena se a prestação cair, o que é possível porque, ao emprestarmos o dinheiro para o aluno pagar à vista, ele conseguirá descontos", analisa.

Niehues afirma que o lançamento depende da aceitação das instituições, mas está otimista: "As universidades são um negócio como outro qualquer e, quanto mais possibilidades oferecerem para os clientes, melhor", afirma.

Tarifa reduzida e juros muito camaradas

Os universitários fazem os olhos dos banqueiros brilharem de desejo. Segundo dados do mercado financeiro, 70% dos estudantes que abrem uma conta universitária ficam no mesmo banco após a formatura. Atentas às estatísticas, as instituições financeiras não perdem tempo na captação desse público.

As iscas são tarifas reduzidas e generosos limites de crédito sem comprovação de renda. Enquanto a cesta de serviços para contas correntes convencionais custa na faixa de R$ 12 mensais, para as contas universitárias os valores ficam em torno de R$ 3 por mês, quatro vezes menos.

A estudante de educação física Fabiana Santos de Almeida não pensou duas vezes na hora de optar pelas vantagens da conta universitária, mas confessa que deu trabalho escolher o banco. "Fiz muita pesquisa na Internet para comparar os valores das tarifas e o limite de crédito mais conveniente", afirma.

Fabiana não precisou comprovar renda e rapidamente conseguiu um crédito de R$ 800 no cheque especial e no cartão de crédito. "Foi ótimo, pois, embora eu trabalhe, não tenho como comprovar minha renda", destaca.

Dificuldades
A superintendente do segmento universitário do banco Real, Litiza Bernardes, explica que os bancos sabem das dificuldades dos estudantes e planejam tudo para facilitar a vida deles.

"Sabemos que a entrada na universidade é um rito de passagem e muda a vida da pessoa. Logo depois, ela arruma um estágio, começa a ganhar um salário e precisa de apoio para administrar o dinheiro", ressalta. Segundo Litiza, o crédito também é fundamental para ajudar o jovem nessa etapa da vida.

"O Real concede um crédito com limite progressivo. Começa com R$ 800 no primeiro ano, no segundo, sobe para R$ 1.000, no terceiro, para R$ 1.200 e, no quarto, chega a R$ 1.500 para usar com cartão e cheque especial", explica. No Santander Banespa, o limite também é de R$ 800 e o período de isenção é igualmente de três meses.
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