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Floresta, nem sempre, esfria o planeta

      
Modelo mostra que onde há muita neve no solo, o reflexo da luz do Sol para a atmosfera pode aumentar a temperatura

Na zona do Equador, onde está a Amazônia, a tese de que a existência da floresta contribui para um ar mais fresco permanece válida


EDUARDO GERAQUE

Plantar florestas, dependendo da área geográfica, pode não ajudar na redução do aquecimento global, muito pelo contrário. Estudo apresentado hoje na revista "Pnas" mostra que a continuada ausência de vegetação nas regiões mais ao norte do mundo pode até ajudar no resfriamento global.
Isso tudo por causa do efeito albedo, que é a quantidade de radiação solar que é refletida pelo solo para a atmosfera.
"A neve reflete grande parte da luz solar de volta para o espaço. Dessa forma, as florestas não conseguem absorver essa radiação", disse Ken Caldeira à Folha. O pesquisador do Instituto Carnegie, da Califórnia, é um dos autores do artigo publicado hoje.
Sem o amortecimento natural do calor que é normalmente feito pela vegetação, o balanço acaba sendo favorável ao aquecimento. "Nas áreas com neve, as florestas têm uma influência no aquecimento sim", explica o cientista americano. O trabalho mostra que, até 2100, se todas as florestas do norte do mundo continuassem sendo derrubadas em níveis de hoje, a temperatura média do planeta poderia ficar até 6C maior.
Mas antes que alguém resolva sair derrubando as florestas canadenses, americanas ou européias, os próprios cientistas avisam. "Apesar disso, as florestas continuam muito importantes por uma série de motivos", explica Govindasamy Bala, do laboratório americano Lawrence Livermore, outro autor do estudo.
Segundo ele, além de ser o ambiente natural de plantas e animais, as florestas produzem madeira de importância econômica e protegem também os reservatórios de água.
Para o físico brasileiro Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, o trabalho americano é importante porque o modelo científico gerado agora engloba algumas variáveis que não haviam sido estudadas ainda.
"Eles mostraram que uma parte do aumento de temperatura é anulado pelo aumento do albedo. Essas relações são importantes e somente agora estão sendo levadas em conta de modo adequado pelos trabalhos", explica o cientista.

Balanço florestal
Uma floresta como a Amazônia, os cientistas já sabiam, pode afetar o clima de três formas principais. A mais estudada é a da absorção de dióxido de carbono, processo que ajuda no combate ao aquecimento global de forma direta.
Como as florestas também transpiram, elas lançam mais vapor d"água na atmosfera. Como conseqüência disso, aumenta a quantidade de nuvens sobre essas vegetações. Mais chuva também ajuda no resfriamento do clima.
O terceiro processo é exatamente o que está relacionado com o albedo. As florestas, por serem predominantemente de cor escura, tendem absorver a radiação solar da atmosfera.
Mas com esses novos resultados, os estudos terão que levar em conta todos os três fatores e não apenas os dois primeiros, como vinha ocorrendo com mais freqüência até agora, explicam os cientistas.
Segundo Bala, plantar árvores nos Estados Unidos ou em parte da Europa, nas zonas de clima temperado, terá um efeito quase nulo no combate ao aquecimento global.
Em compensação, plantar florestas no Canadá, na Escandinávia ou na Sibéria poderá até aumentar a temperatura global nesse próximo século.

Trópicos frios
O que modelo apresentado hoje também mostrou é que nos trópicos, como não existe neve, o balanço vegetal contra o aquecimento global continua totalmente válido. A retirada das florestas dessa zona, até 2100, aumentaria a temperatura média do planeta em 6C.
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