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Universitários têm deficiência de visão

      
Enxergar bem é fator determinante para um bom desempenho das atividades intelectuais. Porém muitas pessoas estão alheias a esse princípio básico e vivem sem dar os devidos cuidados à visão.

O projeto Vim-Te-Ver Universitário, da Fundação Hospital de Olhos, detectou, por amostragem, que cerca de 68,5% dos estudantes de ensino superior de Belo Horizonte sofrem de algum tipo de problema de vista.

Mas o que mais preocupou os oftalmologistas foi o desconhecimento dessas deficiências por parte dos portadores. Durante o período de um ano, completado neste mês, foram avaliados cerca de 4.000 universitários, com idades entre 18 e 25 anos, de diversas instituições de ensino superior da capital.

Desses, 22% apresentaram grandes problemas para enxergar e 46,5%, pequenas dificuldades em ver com precisão.

"Muitas vezes a deficiência na visão é tão fraca que a pessoa nem percebe que tem e convive com ela numa boa. Mas aí está o maior dos problemas, já que a doença pode evoluir e, dependendo do caso, causar até a perda da visão. Esse projeto serve para alertar os estudantes sobre a importância de se buscar orientação, mesmo que sua saúde visual esteja, aparentemente, normal", disse o oftalmologista Raul Damásio, do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte.

De todos os problemas detectados durante o projeto, 80% são referentes à visão de longe, caracterizados como miopia. Outros tipos como astigmatismo, hipermetropia também foram descobertos, sendo que todos podem ser tratados com o uso de óculos, lentes de contato ou cirurgia.

A doença mais preocupante de todas e também encontrada entre os avaliados é o ceratocone. "Essa é uma doença de evolução lenta, de etiologia desconhecida e que se inicia entre 14 e 22 anos. Se não for tratada, pode levar à cegueira", afirmou o oftalmologista.

A estudante do terceiro período de comunicação social Kelly Cristina de Paula Gonçalves, 23, só ficou sabendo que tem ceratocone depois de participar do projeto. "Uso óculos há alguns anos para miopia e astigmatismo, mas nenhum médico havia me dito que eu tinha o ceratocone. Fiquei muito assustada quando soube da gravidade dessa doença", disse.

Ela já operou o olho direito e está prestes a operar o esquerdo. A coordenadora do projeto, Jacqueline Fonseca, explicou que o projeto funciona com a ida dos profissionais da Fundação até o local de estudo dos alunos.

Lá eles realizam os testes básicos da visão e, quando algum problema é detectado, os alunos são encaminhados para uma consulta mais completa.

O objetivo do projeto, segundo ela, é cumprir um papel social, já que foi detectada pela Fundação Hospital dos Olhos a necessidade da promoção da qualidade visual entre os jovens, que nem sempre têm planos de saúde. A Fundação Hospital de Olhos criou um pacote especial para os estudantes universitários.

"Facilitamos o acesso à cirurgia e damos orientações aos pacientes. Mesmo aqueles universitários que não receberam o projeto em sua faculdade podem participar e se consultar conosco", afirmou Jacqueline.

Quem enxerga bem tem facilidade para aprender

A pessoa que enxerga bem tem maior capacidade e facilidade para assimilar os conhecimentos. "A visão é um dos sentidos mais importantes do ser humano e é exigida para se praticar um grande número de atividades", afirmou o oftalmologista Raul Damásio, do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães.

A estudante de enfermagem Aline Cristina da Silva, 27, até pouco tempo tinha grandes dificuldades para ler e entender o conteúdo das disciplinas dadas em sala de aula.

Segundo ela, sua visão era muito comprometida pelo ceratocone e sempre pedia ajuda das colegas de classe para copiar o que os professores redigiam no quadro negro. Em casa, assistia à televisão a uma distância muito pequena da tela, o que não é recomendado pelos médicos.

"Eu simplesmente não enxergava e precisava da ajuda dos colegas de sala. Era ruim porque ficava dispersa e acabava por não entender as matérias que os professores davam. Eu achava que ia recuperar o conteúdo estudando em casa, mas não adiantava, porque meu problema de vista me encomodava mesmo para ler de perto. Mas eu não tinha dinheiro para operar e fui levando esse problema por muito anos. Um médico me disse que todo o tratamento, incluindo a cirurgia me custaria cerca de R$ 15 mil", contou.

Depois que operou por meio do convênio com o projeto Vim-Te-Ver Universitário da Fundação Hospital de Olhos, Aline considera que sua vida mudou radicalmente.

"Agora eu sou uma estudante mais dedicada e atenta. Ainda uso óculos e procuro sentar na primeira carteira para não forçar a vista, mas só como método de prevenção e cuidado", disse.
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