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Genoma do macaco reso ajuda a explicar o que nos faz humanos

      
Espécie, muito utilizada em pesquisas médicas, é terceiro primata a ter DNA seqüenciado

Giovana Girardi

Um grupo internacional de 170 pesquisadores divulga hoje o terceiro seqüenciamento do genoma de um primata. O objeto de estudo da vez é o macaco reso (Macaca mulatta), que divergiu dos nossos ancestrais há cerca de 25 milhões de anos.

O mapeamento é mais um dado para ajudar os cientistas a compreender o que nos faz humanos. A pergunta, que eles tentam responder desde o seqüenciamento dos nossos genes, em 2000, mostrou-se muito mais complexa. Conhecer apenas o genoma humano não basta. Só por meio da comparação com outros primatas os pesquisadores esperam encontrar as características próprias da nossa espécie.

E a comparação precisa ser ampla, como ficou claro no final de 2005, quando saiu o genoma do chimpanzé. O seqüenciamento mostrou que Homo sapiens e Pan troglodytes são 99% parecidos, mas não foi capaz de esclarecer por que, por exemplo, desenvolvemos a linguagem e os chimpanzés não. Em relação ao reso, as diferenças genéticas são bem maiores, de 7%.

Observando os três genomas já é possível começar a desenhar a árvore da evolução primata. Uma característica encontrada em humanos, mas não em chimpanzés, pode ser considerada uma perda dos segundos - caso esteja presente no reso - ou pode ser vista como um ganho dos humanos, caso ela esteja ausente no macaco.

Segundo os pesquisadores, que publicam um pacote de estudos hoje na revista Science, a partir da comparação entre os três genomas é possível identificar mutações que foram críticas nos últimos 25 milhões de anos.

"Esses dados nos permitem olhar para trás na história e ver como essas espécies evoluíram e divergiram, quais genes foram adicionados ou deletados na evolução", explica Richard Gibbs, diretor do Centro de Seqüenciamento do Genoma Humano da Faculdade de Medicina Baylor (no Texas, EUA) e líder do consórcio. "Queremos descobrir o que faz de nós humanos", disse em comunicado à imprensa.

O grupo já identificou cerca de 200 genes como candidatos em potencial a determinar as diferenças entre os primatas. Eles estão envolvidos com formação de pêlos, com a resposta imunológica, com as proteínas da membrana celular e a fusão entre óvulo e espermatozóide. Aparentemente esses genes passaram por um processo de seleção positiva durante a evolução.

Para este ano, outros cientistas prometem o seqüenciamento do genoma de gorilas, orangotangos, micos e gibões. Estão na lista ainda os galagos (um macaco noturno africano), os musaranhos e os lêmures, distantes mais de 80 milhões de anos dos humanos. Quando a árvore dos primatas estiver completa talvez os cientistas possam responder o que nos torna diferentes.

IMPACTO NA SAéDE

Estudar o reso tem relação direta também com a saúde humana. Como o M. mulatta é genética e fisiologicamente semelhante aos humano, ele é muito usado em pesquisas médicas. As duas espécies são bastante similares em termos de suscetibilidade a infecções e doenças metabólicas. E a descrição do genoma do macaco facilita a compreensão da sua biologia.

O reso é o melhor modelo animal para estudar o comportamento do HIV e do influenza e para pesquisar novas vacinas. Alguns progressos importantes na medicina foram obtidos através dos estudos com o macaco. ? dele que vem, por exemplo, a definição do fator Rh do sangue (o famoso negativo e positivo dos tipos sanguíneos). A sigla vem de rhesus, o nome do animal em inglês.

A análise do genoma mostrou que muitos dos genes ligados a doenças em humanos também estão presentes no reso, mas não nos chimpanzés, nosso primo mais próximo.

Uma das coisas em comum é a presença de genes saltadores - trechos de DNA que "pulam" através dos cromossomos que os carregam e são capazes de se duplicar, sendo responsáveis por uma série de doenças, como um tipo hereditário de colesterol alto (conhecido como hipercolesterolemia), câncer de mama e hemofilia. "Alguém pode perguntar: quem liga se um macaco tem colesterol alto, certo? O que importa é que nós carregamos em nosso genoma essas coisas que estão constantemente causando novas mutações", explica Mark Batzer, da Universidade Estadual da Louisiana. "Agora estamos descobrindo como eles se movem."
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