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Cadê os alunos?

      
Faculdades enfrentam o desafio de fechar turmas para o curso de turismo

Fabiana Vieira tem 25 anos, se formou em turismo no segundo semestre de 2004, mas trabalha na empresa dos pais, no ramo da indústria gráfica. "Eu procuro emprego em turismo até hoje." Assim como Fabiana, vários graduados em turismo, os turismólogos, ou estão desempregados ou não trabalham no setor. Crise semelhante se confirma na diminuição da procura de vestibulandos pelo curso nas faculdades de Brasília, há, no mínimo, três anos.

O Centro Universitário de Brasília (UniCeub) não fechou turma de turismo para o segundo semestre de 2006 e para o primeiro deste ano. A Universidade Paulista (Unip) também não fechou turmas em 2005 e em 2007. O Centro Universitário UniEuro deixou de formar turma para primeira metade deste ano. E as Faculdades Integradas Upis e o Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) confirmam uma redução no preenchimento das vagas de até 70%.

A crise no ensino, contudo, não reflete o desempenho do setor. Ano passado, os turistas estrangeiros que estiveram por aqui deixaram US$ 4,316 bilhões. Segundo o Banco Central, o número representa um salto de 11,77% em relação a 2005, que já havia sido um ano histórico para o turismo. Entre 2003 e 2006, foram gerados 966 mil empregos. De acordo com o Ministério de Turismo, para cada emprego formal, dois informais são criados. E como meta para este ano, pretende-se receber 9 milhões de turistas estrangeiros e gerar 1,2 milhão de empregos e ocupações.

Falta de emprego
Nos anos de 1990, houve um inchaço no número de faculdades que oferecem o curso de turismo e, com isso, muitos profissionais foram lançados no mercado. Esse crescimento não acompanhou a expansão do mercado de turismo, que ainda é novo. Essa é a opinião de Cláudia Brochado, coordenadora do curso no Iesb, também compartilhada pelo UniCeub e pela Upis.

Anya Ribeiro, diretora de planejamento e avaliação de políticas de turismo, pensa parecido ,mas acrescenta que os cursos não preparam os profissionais que o mercado de trabalho precisa. "Os cursos têm um foco no planejamento (de políticas, atividades, setores públicos, projetos, territórios e produtos) e gestão do turismo, mas o mercado quer profissionais que trabalhem nas áreas operacionais (agência, hotelaria, eventos e transportes). O mercado de trabalho não precisa de graduados", diz.

Em resposta, Cláudia Brochado, do Iesb, e a bacharel Fabiana Vieira acreditam que são os empresários do setor que não sabem o que um turismólogo faz. "A graduação não é um curso técnico e os bacharéis são pró-ativos, foram ensinados a pensar e esse é um diferencial acadêmico", afirma Cláudia. Ela confirma que, numa primeira fase, há um número maior de vagas para a área operacional, mas que a graduação visa preparar profissionais para o planejamento, pois oferece salários melhores.

Fabiana ainda levanta a falta da regulamentação do profissional como dificuldade na hora de conseguir um emprego. "? diferente eu chegar com o diploma de turismólogo e um administrador chegar com o dele. Ele já sai com um passo à frente", compara. Regina Maris, coordenadora de turismo na Upis, o mais antigo curso em Brasília, desde 1993, e Anya discordam. Para elas, a falta de regulamentação não tem impacto no mercado de trabalho, o que importa é a qualidade do profissional.


O IMPACTO

35,7 %
foi a queda no número
de ingressos no curso, de 2004 a 2005, em Brasília

15,8%
foi a queda no número de matrículas, de 2004 a 2005, em Brasília

100
era o número de vagas oferecidas para o curso em Brasília, em 1991
 
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