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Notícias

Equipe da Unip desvenda os segredos das plantas

      
Dr. Drauzio Varella não permite que a sensatez seja perturbada por fantasias românticas. A permanente companhia da tragédia, imposta pela atividade profissional, e o demorado convívio com o cotidiano da maior penitenciária da América Latina podem ter até retocado o modo de sorrir que Drauzio Varella tinha. Mas não lhe revogaram o humor, não suspenderam a linha de produção de finas ironias, não o tornaram refém de lembranças amargas. Compreensivelmente, anda inquieto com as coisas do Brasil. Mas é um homem de bem com a vida.

Parecia especialmente feliz no fim do verão, a bordo do barco transformado em estandarte flutuante da Escola da Natureza. Criada em 1989 como parte do campus avançado da Unip na Amazônia, essa faculdade da selva sobe e desce o Rio Negro. Drauzio lastima a impossibilidade de viajar com muito mais freqüência pela imensa estrada fluvial, que lhe inunda a imaginação desde a primeira visita à região. "Conheci a Amazônia há pouco tempo", conta. Hoje, parece ter nascido lá.

"Se, antes de morrer, me fosse concedido o privilégio da derradeira viagem, voltaria mais uma vez", escreveu na apresentação do livro Florestas do Rio Negro. "Viajaria de Manaus, rio acima, até São Gabriel da Cachoeira e, se possível, mais longe, na direção da Colômbia. Quinze dias vendo o mundo refletir-se no espelho das águas escuras do rio, o recorte das margens verdes no horizonte, os papagaios no alvorecer e as circunvoluções arrojadas das andorinhas todo final de tarde."

Naquele crepúsculo de março, acomodado numa lancha voadeira que ondulava nas cercanias das Ilhas Anavilhanas, maior arquipélago fluvial do planeta, o médico oncologista promovido a celebridade por aparições na TV manteve-se sereno mesmo ao comentar questões que costumam elevar um tom de voz nunca estridente. Homeopatia, por exemplo. Em recente entrevista, negou-se a tratar do tema. "Não falo sobre religião", impacientou-se.

Foi mais didático na superfície do Rio Negro. "A substância supostamente terapêutica chega ao paciente em quantidades tão diminutas que produzem o mesmo efeito de um placebo", avisa. Apaixonado pelas singularidades da selva, estudioso dos usos e costumes nativos, nem por isso permite que a sensatez seja perturbada por fantasias enganosamente românticas.

"Uma delas é a que celebra o poder de cura de plantas consideradas quase milagrosas por algumas tribos", ensina. "Em primeiro lugar, os índios não conhecem tantas plantas com efeitos terapêuticos", registra Drauzio. "Além disso, são menos eficazes do que imaginam. Se não fossem socorridas pela medicina halopática, várias etnias teriam desaparecido há muito tempo."

Mas a floresta também tem remédios, ressalva. Foi sobretudo por isso que começou a circular por lá na virada do século. Em menos de dez anos, a equipe comandada por Drauzio agrupou no laboratório em São Paulo 100 extratos com atividade antitumoral. Não é pouca coisa. Mas, como se verá nas reportagens seguintes, é só o começo para esses caçadores dos segredos da selva.

Primeira de uma série de três reportagens sobre o trabalho da Escola da Natureza da Unip


O homem que sempre pensa primeiro

João Carlos Di Genio tem vaga assegurada em qualquer lista dos 10 gatilhos mais rápidos do Brasil. Gatilhos mentais, ressalvam a fisionomia plácida, o sorriso manso, os modos gentis. Nunca lhe falta uma boa idéia na agulha. E sempre saca primeiro.
Estudante de medicina na Universidade de São Paulo, Di Genio inventou o curso intensivo especializado na preparação de candidatos ao vestibular, depois o colégio que anteciparia a largada para o sucesso e, enfim, a universidade que transformaria bons alunos em profissionais prontos para a luta pelo primeiro emprego.

Copiar as fórmulas concebidas por um visionário incontrolável é perda de tempo e dinheiro: o criador não pára de recriar. Concorrentes assimilam o estilo esfuziante dos professores do Objetivo? As instituições comandadas por Di Genio incorporam requintes eletrônicos de impressionar favoritos a um Oscar de efeitos especiais.

Universidades criam cursos? A Unip inventa em Angra dos Reis a Escola do Mar e, em Manaus, a Escola da Natureza. Desde 1989, um barco ensina nas águas do Rio Negro que é na selva que se aprende a compreender a selva. E amá-la.


Brasil quer ajuda para manejo sustentável

A conservação da floresta amazônica pode tornar-se uma tarefa de várias nações daqui a alguns anos. Uma das propostas que o Brasil apresentará na 7 Sessão do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF) é que os países desenvolvidos contribuam financeiramente para que o Brasil possa implementar programas de manejo sustentável na Amazônia.
O evento das Nações Unidas sobre florestas começou no último sábado em Nova York e se estende até o próximo dia 29. A participação do Brasil está prevista para a próxima semana. O diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo, representa o País nos debates. "Proteger as florestas custa muito caro e nós acreditamos que é muito importante protegê-las, mas também tem que ser criado algum mecanismo que faça com que o mundo ajude a pagar a conta de manter a floresta em pé." Segundo ele, ao preservar a floresta o Brasil prestará um serviço ao mundo inteiro.

O Brasil, diz Azevedo, reduziu o ritmo de desmatamento em 50% nos últimos dois anos e isso de forma voluntária, já que não existe no País nenhuma meta a cumprir. "Nós acreditamos que isso é superimportante, mas também tem que haver incentivos, ou seja, é preciso recursos que venham do mundo para pagar pelo serviço prestado pelo Brasil". A proposta de parceria para conservação de florestas será novamente apresentada na reunião do G-8, em junho próximo.
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