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Novas perspectivas para inserção internacional

      

Por Lílian Burgardt, de Curitiba

Não basta enviar estudantes para o exterior sem planejamento para o aproveitamento do aprendizado obtido fora do país, tampouco, receber estudantes no Brasil sem garantir que eles tenham um ganho real em termos de conhecimento e profissionalização. O conceito de reciprocidade entre os países foi o denominador comum no discurso de especialistas presentes na palestra "Novas perspectivas para inserção internacional" realizada na manhã desta quarta-feira na XIX Reunião Anual do FAUBAI (Fórum das Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais), em Curitiba.

Com o processo de globalização acelerado, os países estão em uma corrida para estabelecer cooperação a fim de promover a seus alunos, docentes e pesquisadores oportunidades para o crescimento profissional que se transforme em ganho para o país. O vice-reitor do CRUB (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras), Mário Luiz Neves de Azevedo, citou o Tratado de Bolonha como exemplo.

Segundo ele, o bloco se movimenta para enfrentar o "jogo da educação" que lida com muito dinheiro no mundo todo. O Brasil, na opinião de especialistas, não pode ficar de fora deste cenário. No entanto, não será abrindo mercado para a mercantilização do Ensino Superior que iremos conquistar espaço, mas sim, nos pautando em acordos de cooperação que tragam benefícios para nossos estudantes no exterior e,também, nos tornemos atrãntes para que estudantes estrangeiros venham ao Brasil interessados no conhecimento que temos a oferecer.

Para conseguir tais objetivos é necessário acabar com "amarras" como a dificuldade da revalidação de diplomas e reconhecimento de créditos que impossibilitam essa troca de experiências. Além disso, o domínio de um idioma estrangeiro também é outro entrave para a internacionalização. "Para ganhar o mundo, é preciso olhar para nós mesmos", disse o vice-reitor da ANDIFES (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras), Lúcio Botelho.

Em sua opinião, antes de nos atermos a questão da internacionalização as universidades precisam ter este conceito arraigado dentro de seus próprios campi. Ele explica que, no Brasil, é muito difícil que as próprias IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) consigam promover mobilidade entre seus alunos sem que eles precisem retroceder em seu processo de aprendizagem. "? preciso observar estas dificuldades e tentarmos resolver estes problemas para pensar em uma internacionalização eficiente, do contrário, não seremos competitivos", disse.

Cooperação com os vizinhos da América do Sul

Outro ponto levantado na palestra é a necessidade de um estreitamento nas relações com os países vizinhos a respeito da cooperação. Os especialistas dizem que o Brasil se mantém muito ocupado tentando estabelecer acordos com os Estados Unidos e a União Européia, é claro, importantes do ponto de vista do desenvolvimento, mas que ignora as possibilidades com os pares da América Latina, sendo que existe, sim, muito a ser feito e a ganhar com essas cooperações.

Não à toa, o representante do CRUCH (Conselho de Reitores das Universidades Chilenas), Jose Martinez Armeste marcou presença no evento para destacar o interesse do Chile em estabelecer acordos de cooperação com o Brasil e explanar sobre o sistema de Ensino Superior do País. "Estamos cientes da importância do tema internacionalização do Ensino Superior e , por isso, estamos abertos para estabelecer parcerias que sejam benéficas não só para a comunidade chilena, mas para o fortalecimento da América Latina como um todo", destacou.

Ao longo do evento foram levantados questionamentos sobre como, afinal, estabelecer a tão sonhada reciprocidade para que o Brasil não seja só um fornecedor de estudantes para o exterior, mas que se consolide como um pólo de formação de qualidade para estudantes estrangeiros. Especialistas ressaltaram que o momento é muito favorável e citaram como exemplo o fato do Brasil ser um país de terceiro mundo e, pela primeira vez na história, estar á frente no que diz respeito ao conhecimento científico e tecnológico na questão do biodiesel. "Sem dúvida temos áreas de qualidade para despertar o interesse de estudantes, é preciso ter estrutura para recebê-los," disse o reitor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Carlos Augusto Moreira Junior.

Unânime entre especialistas foi reconhecer que um dos nossos principais entraves é o domínio de nosso idioma. Daí a defesa de estabelecer acordos para o ensino do português em universidades estrangeiras, principalmente as européias. "Não dá para dizermos ao estudante que pretende passar um ano em curso no Brasil que venha seis meses antes para aprender o idioma. O que devemos é criar condições para que em seu país ele se interesse pelo Brasil e estabeleça condições para vir para cá", finalizou Lúcio Botelho.

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