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Relações Internacionais e o papel das IES

      

Por Lílian Burgardt, de Curitiba

Cada vez mais o Brasil desponta para o cenário internacional como um país promissor. Haja visto o papel significativo alcançado nos últimos anos no que diz respeito a produção científica brasileira. Com 16 mil papers publicados no ano de 2005, estamos à frente de nações como Bélgica e Noruega, impondo respeito com nossa ciência. Para o assessor de Relações Internacionais do MEC (Ministério da Educação), Alessandro Candeas, são estes números favoráveis que devem servir como incentivo para que os representantes das universidades brasileiras se mostrem profundamente comprometidos em contribuir para este avanço.

Durante sua palestra, realizada na noite desta segunda-feira, 17 de abril, na XIX Reunião Anual do FAUBAI (Fórum das Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais) que acontece em Curitiba - Paraná, Candeas destacou que embora a produção científica apresente resultados positivos, como um crescimento quatro vezes maior do que a média mundial, a comunidade acadêmica e científica não deve se acomodar diante destes dados. "Hoje, formamos cerca de 10 mil doutores por ano, número expressivo, mas que ainda é insuficiente. Nossa meta para 2009 é formar 16 mil. Além disso, devemos nos pautar não pela média de crescimento mundial, mas pelo crescimento de países que, hoje, são os líderes no ranking de produção científica", ressaltou.

Ele lembra que, em 1981, Brasil e China estavam praticamente na mesma posição no quesito produção científica. Hoje, a China já nos deixou para trás e figura entre os cinco líderes. "O crescimento da China é um exemplo de como devemos nos pautar, buscando um crescimento equivalente ao dos líderes para não ficarmos para trás e tampouco em uma posição estagnada nos próximos anos", disse.

Candeas também destacou a importância das universidades brasileiras figurarem entre as maiores do mundo para atrair estudantes estrangeiros, motivar outras instituições de ponta a estabelecerem parcerias conosco e, assim, garantir oportunidades de intercâmbio para os alunos e docentes em universidades do exterior. "Há dois anos, a Universidade de São Paulo figurava entre as 200 melhores instituições de Ensino Superior do mundo. Hoje, ela não aparece mais nesta lista e o Brasil perde com isso", lamentou.

Segundo ele, um dos itens que mais faz com que as instituições ocupem uma posição de destaque neste ranking é a cooperação internacional. Isto porque, quanto mais uma instituição colabora com a outra, melhor ambas se desenvolvem. Com isso, também aumentam as colaborações e, por conseqüência, as citações em publicações científicas, a abertura para os estudantes estrangeiros, etc. "Daí a importância que a colaboração internacional exerce, não só para colocar a universidade em um patamar elevado, mas contribuir para que o país também siga este crescimento", explicou.

O que o Brasil tem feito?

Ao longo de sua palestra, o ministro destacou os acordos de cooperação vigentes entre Brasil e outras nações enfatizando as novas parcerias estabelecidas com países africanos, em sua opinião, uma decisão sublime do governo brasileiro, ao passo que está ajudando outras nações menos desenvolvidas a se fortalecer no quesito educação. "Não somos como a maioria dos governos que importam os talentos de países menos desenvolvidos. Nos preocupamos que tais países tenham suas próprias condições de crescer para conosco cooperar. Daí os investimentos em Educação Superior enviando mão-de-obra qualificada para nações como Angola, por exemplo, a fim de que estes professores possam ensinar o caminho das pedras para que, no futuro, tais países também possam ser competitivos", disse.

Ao citar os acordos estabelecidos com blocos econômicos, o ministro destacou a criação da Universidade do Mercosul que terá como objetivo formar mão-de-obra qualificada para atuar na América do Sul unindo os países do bloco. "? um projeto pedagógico de integração regional cuja finalidade é aproximar países vizinhos," disse.

O ministro também falou dos cuidados tomados para garantir uma internacionalização que seja interessante para o governo brasileiro, tranqüilizando os presentes sobre a questão da abertura de mercado para universidades estrangeiras. "O governo tem uma posição muito firme de que educação não é mercadoria. Portanto, não vemos razão em abrir mercado para instituições estrangeiras sem fortalecer as nossas IES. Entendemos que, para o Brasil, o melhor é trabalhar em parceria promovendo o intercâmbio de alunos, docentes e pesquisadores, ao invés de gerar essa competitividade", ressaltou.

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