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Aluno do ProUni leva curso mais a sério

      
CAROLINA COUTINHO

Universitários beneficiados pelo programa Universidade para Todos (ProUni) apresentaram notas superiores aos alunos de ensino superior não bolsistas no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) - substituto do Provão -, aplicado em novembro de 2006.

O resultado foi divulgado recentemente pelo Ministério da Educação (MEC) e apontou tal superioridade nas 14 áreas do conhecimento avaliadas. A prova foi aplicada a 406.076 alunos do primeiro e do último ano da graduação em todo o Brasil.

A coordenadora do ProUni do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), Rosemeire Diniz Silva Pinheiro Camargos, não se surpreendeu com o resultado.

Segundo ela, o aluno do ProUni leva a graduação mais a sério que os demais, pois vê a bolsa do programa (de 100% ou 50% no valor da mensalidade) como uma oportunidade única na vida para concluir um curso superior - os estudantes beneficiados são oriundos de escolas públicas e de classes sociais baixas.

"Mesmo com situação econômica difícil, tendo que trabalhar para sobreviver e estudando, a maioria, à noite, os bolsistas do ProUni têm uma postura diferente em sala de aula. Eles são mais comprometidos e cumprem o que os professores determinam", afirmou Rosemeire.

Dos 1.200 bolsistas do Uni-BH - 80% com bolsa integral e 20% parcial -, de acordo com a coordenadora, 90% são aprovados em 100% das disciplinas.

"? normal a pessoa dar mais valor ao estudo quando ela é de origem humilde. Quando implantamos o programa aqui, não acreditávamos que fosse dar certo, existia um certo preconceito, mas esses bolsistas provaram que são capazes", disse.

A professora Maria Auxiliadora Monteiro Oliveira, do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), disse que o resultado não pode ser parâmetro para generalizar nenhum dos dois tipos de estudantes. Segundo ela, existem alunos bons e ruins, bolsistas e não bolsistas.

"Muitos dos alunos bolsistas são medíocres, já outros dão conta do recado muito bem. Mas isso acontece também com os alunos que pagam o estudo. Vivencio essa semelhança dentro da sala de aula e não posso falar que os bolsistas são melhores que os não bolsistas", afirmou.

No dia 8 de maio, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do MEC divulgará o resultado do Enade por região do país.

No geral, no curso de administração - área com maior número de universitários no Brasil - os alunos do ProUni atingiram nota média de 42,3, na escala de 0 a 100, enquanto os não-bolsistas ficaram com 34,4. Em direito, os beneficiados pelo ProUni obtiveram 43,5 contra 38,4 dos não-bolsistas.

A maior diferença ocorreu nos cursos de biomedicina: 45,7 contra 36,7. As outras áreas analisadas foram biblioteconomia, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, música, normal superior, psicologia, secretariado executivo, teatro e turismo.

Bolsista nunca perdeu média em dois anos

O estudante do 5º período de jornalismo da Newton Paiva Renato Lombardi, 20, recebe bolsa integral do programa Universidade para Todos (ProUni) desde 2005. Até hoje, ele não perdeu uma média sequer em nenhuma das disciplinas cursadas.

Lombardi disse que se esforça muito para ser um bom aluno e aproveitar a oportunidade que recebeu do governo federal. "Sem essa bolsa, não teria condições de custear meus estudos. Sempre estudei em escola pública e minha família não tem dinheiro para bancar uma faculdade particular", disse.

Lombardi contou que sentiu uma certa desconfiança no início do curso, em relação ao seu potencial por parte dos professores e colegas, mas que com o passar do tempo acabou. "Sentia que as pessoas tinham um certo preconceito em relação a mim. Hoje acho que todos me vêem como um aluno normal", disse ele.

O prazo para as instituições de ensino superior aderirem ao ProUni termina no dia 11 de maio. A adesão se refere ao segundo semestre deste ano.

Os estabelecimentos de ensino que já participam do programa também precisam aderir para continuar oferecendo as bolsas, sendo essas integrais ou parciais, para estudantes de baixa renda. No primeiro semestre deste ano, foram oferecidas 65.276 bolsas integrais e 43.366 parciais.

Mais de 517 mil estudantes participaram da seleção. O prazo para os estudantes se inscreverem vai de 23 de maio a 9 de junho. A participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2006 é obrigatória, assim como a nota mínima de 45 pontos.

O estudante também precisa ter feito todo o ensino médio na rede pública ou ter sido bolsista integral em escola privada. Ainda é necessário comprovar renda familiar per capita de até um salário-mínimo e meio (R$ 570) para concorrer à bolsa integral e até três salários-mínimos per capita (R$ 1.140) para bolsa de 50%.
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