text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

A esperança chamada Universidade do Mercosul

      

Por Lílian Burgardt, de Curitiba

Enquanto o Brasil ainda não está preparado para uma internacionalização tal e qual a Europa pretende instaurar na região com o Tratado de Bolonha, o país busca alternativas de cooperação a fim de consolidar a Educação Superior brasileira em outros países. Além disso, também fecha acordos para que outras nações que compõem a América Latina possam crescer e se fortalecer contribuindo para o desenvolvimento da região.

Para especialistas, este é o principal motivo que leva Brasil e países vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile a discutir e pleitear a criação da Universidade do Mercosul. Segundo o assessor de Relações Internacionais do MEC (Ministério da Educação), Alessandro Candeas, as nações que compõem o bloco econômico do Mercosul entenderam a necessidade de integrar os países a fim de se fortalecer. Para atingir tal objetivo, perceberam que mais do que a integração econômica é faz fundamental apostar e investir em uma interação educacional entre os países. Daí as discussões para o estabelecimento de uma unidade de ensino que atenda as necessidades do bloco econômico.

"Diferente do que aconteceu na Europa - cuja integração do bloco resultou de uma movimentação envolvendo a economia - queremos fortalecer as relações educacionais para que nossa cooperação comercial se consolide de maneira mais integrada e completa para os povos da região", disse.

Ao contrário do que acontece com as discussões acerca do Mercosul como bloco econômico, o especialista diz que outros países, incluindo a Argentina, se posicionam extremamente favoráveis ao esquema de colaboração internacional, pois entendem que vencer as barreiras do idioma e as barreiras culturais entre os países serve como benefício não só para seu próprio povo, mas para uma região inteira.

"Ainda que estejamos apenas em fase de discussão, questões como a utilização de mão-de-obra de todos os países envolvidos no bloco econômico para fortalecer a educação de jovens que falam o português e o espanhol tem sido bem aceita", afirmou.

Entre as premissas já estabelecidas em reuniões com países que compõem o bloco, estão: a elaboração de um projeto pedagógico integrado que atenda amplamente as necessidades regionais; o ensino do idioma português e espanhol para promover a integração entre os jovens dos diferentes países da América Latina; a construção de um novo campus para sediar a Universidade do Mercosul e, ainda, um trabalho de reconhecimento da titulação conferida pela universidade nos países que fazem parte do bloco.

Palavra do especialista

Por mais que a idéia pareça inovadora e extremamente positiva para a região, quando ouvimos falar em Mercosul, difícil é esquecer os entraves que fizeram o bloco econômico permanecer estagnado. Mais ainda não se questionar sobre o possível fim de uma idéia de interação educacional que mal saiu do papel. Para especialistas, porém, o projeto não só deve entrar em ação em médio prazo, como servirá de catalisador para que o bloco econômico do Mercosul se fortaleça.

O presidente do Cepri (Centro de Relações Internacionais do Paraná), coordenador de relações internacionais da UNINTER (Faculdade Internacional de Curitiba), René Berardi e membro da comissão que discute a Universidade do Mercosul com países vizinhos, explica que a criação da Universidade do Mercosul é o primeiro passo rumo a verdadeira internacionalização com nossos "vizinhos" da América Latina. Mais do que isso, serve como modelo de cooperação internacional unificado entre os países do Mercosul.

Segundo ele, o projeto não corre o risco de ser cancelado, porque há interesse dos países em sua consolidação. Tanto é que, em sua opinião, as atividades da Universidade do Mercosul devem começar em, no máximo, em dois anos. "Ainda estamos na fase de discussão, mas sem entraves por partes dos governos, e mais, num momento em que todos passam a enxergar a importância da globalização. Sendo assim, creio que dois anos é o tempo máximo para o início das atividades educacionais", disse.

Por fim, Berardi defendeu que, para o Brasil, o estabelecimento de tal cooperação se faz extremamente importante, já que, apesar da pouca distância entre as nações do bloco, pouquíssimos estudantes tem domínio do espanhol - idioma amplamente falado mundo afora e, também, da cultura latino-americana. "Dominar diferentes idiomas e saber sobre as mais variadas culturas são diferenciais competitivos que põem um indivíduo e uma nação à frente dos demais no caminho do desenvolvimento", destacou.

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.