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Notícias

Volta às aulas

      
Reitoria e professores chegam a acordo e colocam fim à greve de 33 dias

DANIELE RICCI

Os professores da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) voltam hoje ao trabalho, depois de decidirem em assembléia na noite de ontem, pelo fim da paralisação que durou 33 dias. Para os alunos, as aulas serão retomadas nesta sexta-feira (20).

A decisão pelo fim da paralisação recebeu votação unânime entre os 152 docentes presentes à assembléia. Foi comemorada com festa, aplausos, cumprimentos e emoção.

Durante cerca de três horas, docentes, estudantes e pais de alunos - que se tornaram presenças constantes nos debates em torno das negociações - ouviram, falaram, discordaram e, ao final aceitaram a proposta discutida entre o IEP (Instituto Educacional Piracicabano), mantenedor da universidade, representantes da Adunimep (Associação de Docentes da Unimep), do Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro), do DCE (Diretório Central Estudantil) na tarde de ontem. Apenas dois professores foram contra os termos estabelecidos pelo acordo.

Na reunião da tarde, o reitor da Unimep e diretor geral do IEP, Davi Ferreira Barros, aceitou a proposta apresentada em audiência no dia 21 de março pelo juiz presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, que, em síntese, previa a redução de 12,5% do salário do professorado pelo período de 24 meses, quando será recomposto, e estabilidade empregatícia por três anos.

O acordo prevê ainda algumas cláusulas como a que trata sobre o Plano de Desligamento Voluntário dos Docentes (PDVD), que pode ser transformada em demissão sem justa causa; a possibilidade de migração dos professores para a nova carreira docente, onde há oportunidade de crescimento horizontal na carreira e nesse caso ocorre a aceitação de salários até 25% mais baixos do que os da carreira atual; reintegração por força de decisão judicial liminar de professores demitidos em 7 de dezembro do ano passado (quando estourou a crise da Unimep); reinstalação do processo sucessório das direções das faculdades de Ciências Humanas, Exatas e da Natureza, Direito, Engenharia, Arquitetura e Urbanismo (incluindo nesta o cargo de vice-diretor) e dos cursos em que a nomeação feita pela reitoria não correspondeu à indicação da faculdade; nas faculdades e cursos haverá novo processo de escolha de coordenadores e diretores.

O reitor Davi Barros ressaltou que tais medidas representam um esforço institucional na busca da superação das dificuldades atuais enfrentadas pela Unimep.

Discursos

Depois de levantarem os braços em favor da aceitação da proposta, professores comemoraram o que chamaram de "retorno à vida". Muitos solicitaram o microfone para falar aos presentes, entre eles, a professora Josiane Maria de Souza, que ressaltou as dificuldades e incertezas enfrentadas pelos docentes durante as negociações. "Passamos momentos difíceis e só conseguimos superar em função do trabalho. ? muito bom ver que nossa Unimep está, de alguma maneira, resguardada."

Cláudio Jorge, presidente do Sinpro, afirmou que a Adunimep, como entidade representativa dos docentes, "terá que se fortalecer para fazer frente ao que vem por aí nos próximos três anos", referindo-se à readequação da universidade às novas realidades diante da crise. "O importante é que não perdemos a oportunidade de termos uma universidade digna."

A diretora de base do Sinpro, Conceição Aparecida Fornazari, disse que o resultado das negociações transformou a Unimep em exemplo para outras instituições. "Educação aqui não é mercadoria", falou.

O presidente da Adunimep, José Alberto Rodrigues Filho, contou que na tarde de terça-feira (17) recebeu um telefonema da procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) propondo agendar uma última audiência de conciliação junto ao TRT, antes de concluir seu pronunciamento no dissídio de greve, que iria a julgamento. Em seguida, foi a vez do professor Sérgio Tavares, em nome do reitor, fazer contato para afirmar que estaria disposto a aceitar a proposta formulada pelo juiz do TRT. A reunião para tratar do assunto foi agendada para a noite de terça. Ontem, a Adunimep foi comunicada pelo advogado da associação em São Paulo que a Unimep havia perdido na sessão de julgamento do mandado de segurança da reitoria contra a liminar concedida no processo de nomeação dos diretores e coordenadores. A proposta do juiz do TRT foi novamente levada à reunião na tarde de ontem, onde finalmente foi aceita pela reitoria. "Agora, precisamos nos manter como escoteiros: sempre alertas. ? fundamental que prevaleça a confiança, que está abalada, por isso todos os atos requerem atenção especial", disse Ferreira ao final da assembléia, referindo-se ao rompimento da confiança do professorado na direção da universidade.

Marco Aurélio de Castro Ribeiro, vice-presidente da Adunimep, salientou que todas as aulas perdidas por conta da greve serão recuperadas, o que deve acontecer durante as férias de julho, que serão reduzidas de 30 para 10 dias. "A situação de crise da Unimep continua a mesma, porém amenizada agora com o retorno dos professores", disse.

Pais de alunos do curso de Direito, Pedro Cruz e Dirce Carmignani acompanharam as assembléias desde a semana passada. "Quando a greve começou, aguardávamos uma negociação que demorou demais para acontecer. Vamos continuar acompanhando a batalha pela educação de qualidade. Nossa confiança é a mesma de quando matriculamos nossos filhos aqui", falou Dirce.

O estudante de Economia Thiago Klafke, representante do movimento estudantil, acredita que apesar da participação pouco expressiva dos alunos - cerca de 50 num universo de 13 mil nos três campi que acompanharam o processo de negociação - os estudantes tiveram papel importante no resultado. "Ainda estamos feridos com tudo o que aconteceu, mas o trabalho dos alunos continua, porque ainda nos deparamos com muitas incertezas no âmbito financeiro da universidade, não estamos convencidos de que a crise seja legítima", comentou Klafke.

Para ele, apesar do sofrimento, o processo ajudou a fortalecer o movimento estudantil. Na tarde de ontem, os estudantes receberam uma carta do presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Augusto Chagas, parabenizando-os pela vitória em relação à aceitação da reitoria da Unimep de levar a proposta à mesa. "Isso é sinal do respeito pelos estudantes da Unimep, que cresceu muito. Agora nossa luta está sendo observada pelas outras universidades", disse Klafke. O próximo passo dos estudantes será na tentativa de reduzir o valor das mensalidades.
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