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Gestor de grandes cidades

      

A população da cidade de São Paulo, em janeiro de 2007, chegou a 10.812 milhões de pessoas residentes, de acordo com estudo da Fundação SEADE. Até 2010, é projetada uma taxa de crescimento de 0,5%, praticamente metade da taxa de 1,1% verificada na década de 80. Ainda que essa taxa de crescimento tenha diminuído, em função da diminuição dos movimentos migratórios, de acordo com a SEADE, os problemas que se desenham no nosso horizonte não são nem um pouco simples. Por serem pontos estratégicos de concentração de poder, plataformas da globalização contemporânea e por reunirem tanto as potencialidades quanto as mazelas típicas de nossa era, as cidades estão sujeitas a uma série de complicações que preocupam os dirigentes municipais. Acidentes, catástrofes, atos de terrorismo: o que esperar da vida nas grandes cidades, nos próximos 10, 20 anos?

Na opinião do engenheiro e presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, Roberto Salvador Scaringella, o gestor das grandes cidades do presente e do futuro deve ser um indivíduo com uma formação mais holística para entender a complexidade da formação da cidade. "Em termos de cultura de gestão das cidades, estamos passando de um modelo em que se valorizava o hardware urbano, para o que passa a valorizar a operação inteligente, o modelo que podemos chamar de software urbano", classifica.

No campo de trânsito, isso significa que não vale mais a visão anterior, de resolver tudo com enormes e dispendiosas obras. Hoje, de acordo com ele, a visão predominante é que as obras são apenas parte da solução. "A gente deixa de valorizar a betoneira, para passar a valorizar o computador, as medidas operacionais". O desafio, portanto, que se apresenta ao gestor de trânsito do futuro é a combinação das gestões política e técnica das cidades.

Os cursos de extensão universitária da FAAP e da PUC-SP já apontam para essa direção. Na FAAP, o curso "Gerente de Cidade" tem o objetivo de formar, capacitar e especializar profissionais, objetivando sua habilitação para o adequado exercício da gestão pública, prestando serviços de excelência à sociedade como um todo. E na PUC-SP, o curso de especialização "Economia Urbana e Gestão Pública" busca preparar o profissional para a realidade das grandes metrópoles do presente e do futuro.

"No futuro, cada vez mais teremos recursos tecnológicos de operação inteligente da cidade", prevê Scaringella. Para ele, nesses últimos anos a universidade tem se dedicado muito a ensinar a parte do hardware (a projetar obra), e pouco a mostrar como operar a obra e a cidade. "O gestor da cidade do futuro vai ter que entender melhor a dinâmica da cidade, que não é somente um punhado de grandes prédios com um monte de viadutos", opina ele, que acredita que a informação online de tudo o que acontece na cidade vai ter papel preponderante no futuro. Por exemplo, se você preciso ir do ponto A ao ponto B sem nenhuma informação, você tem uma única opção. Caso tenha informação, você terá cinco opções: enfrentar o trânsito sabendo o que vai enfrentar, mudar o horário, mudar o percurso, mudar o modo de transporte, ou não ir. Por acreditar nisso, a prefeitura de São Paulo vai instalar, gratuitamente, chips nos veículos, dentro do prazo de 24 meses.

O geógrafo Eduardo Marandola Jr. afirma que se o profissional que cuida da metrópole do futuro não tiver essa visão ampla da relação sociedade-natureza, vai trabalhar só com a contingência, remediando com medidas paliativas. "Ele tem que ser um generalista, entender de um monte de coisas, senão vira um mero técnico. Existe uma lacuna entre o conhecimento que a gente consegue produzir e o tempo que a sociedade civil leva para reagir, para dar respostas às situações que estamos enfrentando", adverte.

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