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Notícias

UnB completa 45 anos

      
Universidade faz aniversário em meio à crise com hospital universitário e lutando para superar problemas de infra-estrutura e financeiros

André Bezerra

Instituição tem hoje cerca de 24 mil alunos matriculados, entre graduação e pós-graduação


Erguida sobre os alicerces da modernidade e da cidadania, a Universidade de Brasília (UnB) foi inaugurada em 21 de abril de 1962, enquanto a jovem cidade ainda aprendia não só o que era ser a nova capital do país, mas também o que era ser uma cidade. Nem mesmo as quadras residenciais da Asa Norte estavam prontas, e a cidade já tinha a seu dispor um centro de formação, cultura e geração de conhecimento que sintetizava todos os ideais modernistas dos fundadores de Brasília. O projeto revolucionário proposto pelo educador Anísio Teixeira e pelo antropólogo Darcy Ribeiro queria mudar o Brasil a partir das pessoas.

Ao chegar aos 45 anos, a UnB figura entre as principais instituições de ensino superior e pesquisa do país. Nos dez últimos anos, a universidade formou pouco mais de 60 mil alunos e tem hoje cerca de 24 mil alunos matriculados ? entre cursos de gradução e de pós-graduação. Mesmo distante do modelo inicial, a universidade é pioneira em muitos sentidos e saiu à frente em várias discussões, desde a adoção de novos meios de seleção de alunos, como o Programa de Avaliação Seriada (PAS), ou o sistema de cotas para minorias.

Contudo, além dos percalços de ordem financeira que abalam outras universidades públicas do país, a UnB viveu episódios no último ano que marcaram os alunos, professores, funcionários e servidores.

Desde o início do ano passado, o câmpus principal ? batizado em nome do antropólogo que foi o primeiro reitor ?, sofreu inúmeras quedas de energia que comprometeram aulas e o andamento de pesquisas. No Hospital Universitário de Brasília (HUB), que atende a quase 30 mil pessoas por mês, a situação caótica levou a direção a pedir demissão após o fechamento da área de internação, devido a um vazamento de água no fosso dos elevadores.

Há motivos para comemorar? Essa é a questão que no momento passa pela cabeça de quem estuda ou trabalha na universidade e é responsável pela produção acadêmica de um dos principais pólos científicos do Brasil. Com todas as dificuldades, muitos acreditam que sim. "A realidade atual é bastante diferente do modelo idealizado por seus fundadores, mas mesmo assim, a universidade ainda mantém o frescor, a curiosidade e a capacidade de questionar", acredita o professor Antônio Carlos Carpintero, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Chumbo
Docente há quase 20 anos, Carpintero acompanha a evolução da UnB desde 1965, quando se matriculou como aluno do curso de arquitetura. Ele chegou a ver o Instituto Central de Ciências (ICC) ser construído, da janela da residência estudantil. Para o professor, a universidade consegue se reinventar a cada dia. "Mesmo com as dificuldades ? principalmente financeiras ? os professores e alunos criam mecanismos, formas de fazer prosperar o conhecimento", acredita.

O professor também testemunhou os dias de chumbo dentro da universidade, quando o autoritarismo da ditadura militar provocou a saída de vários professores e alunos. "Felizmente, com o fim da ditadura, a UnB voltou a ter autonomia. Acredito que hoje está em sua maturidade", afirma Carpintero. Entre suas relíquias da época de estudante, ele guarda um retrato feito pelo escultor e colega Alfredo Ceschiatti.

Falta de professores
O fato de permanecer como uma instituição pública e gratuita é um dos motivos que a professora de história Diva Couto Muniz destaca para comemorar. "A UnB ainda resiste como pólo de conhecimento, sendo um espaço muito democrático. Mesmo enfrentando os percalços impostos pelas condições financeiras escassas, o que é um problema de todo o país", avalia a professora Diva Couto Muniz, membro do departamento de história desde 1988.

"As políticas governamentais não privilegiam a educação pública, o que gera a maioria dos problemas nas universidades federais", avalia a docente. Ela aponta a falta de professores efetivos como uma das principais dificuldades da instituição. "Muitos colegas se aposentaram, mas não há concurso para contratação de novos professores. As lacunas são preenchidas com substitutos, mas eles são malpagos, e acabam não se comprometendo efetivamente", avalia. Segundo a Associação dos Docentes da UnB (AdUnB), há um déficit de quase mil professores na graduação e pós-graduação.
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