text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Comissões convidam homenageados para colações de grau e exigem apoio financeiro

      
Tássia Galvão e Hacksa Oliveira

Escolher os homenageados nas cerimônias de colação de grau parece tarefa fácil, mas pode surpreender. ? mais comum do que se pensa as comissões de formatura cometerem deselegâncias ao convidar as pessoas que vão entregar os canudos ou fazer o discurso. Muitas vezes as turmas optam por "homenageados" que têm mais condições de oferecer um presente generoso, como quantias em dinheiro, do que personalidades que representem algo a mais para os formandos. Nessa hora, os alunos cometem gafes como convidar e depois desconvidar e ainda, sem vergonha nenhuma, explicar o motivo: preferimos alguém que nos ajude mais.

O cerimonialista Weiler Carneiro afirma que acontece muito de formandos escolherem os homenageados pensando no quanto poderão receber de ajuda nas despesas das festas. "Esse tipo de comportamento faz perder o sentido e foge da essência da formatura, que se transforma em relação comercial, um jogo de interesses." Ele recomenda às turmas que só planejem o que terão condições de pagar. A ajuda deve ser voluntária, segundo Weiler, e a obrigação financeira é dos alunos e não dos convidados.

Márcio Cupertino é cerimonialista e explica que é comum os convidados a padrinho, patrono, paraninfo ou patronesse se prontificarem a colaborar com um presente dedicado aos formandos. Normalmente, segundo Cupertino, o paraninfo (homenageado que faz o discurso) é quem oferece alguma quantia em dinheiro para ajudar nos gastos com as festas ou promovem um coquetel para a turma, ou ainda patrocinam o local onde será realizada a cerimônia. "Não é uma obrigação. Recomendamos que os alunos convidem pessoas que representem uma figura importante para a turma e não pela contribuição que ela possa dar."

O que acontece muitas vezes são comissões que convidam políticos pensando apenas em arrecadar recursos, conta Cupertino. "Já vi casos de alunos que convidaram um representante político, ele não quis contribuir e a turma resolveu chamar outro." Essa prática é mais comum hoje devido aos altos gastos nas cerimônias de colação de grau. Cupertino afirma que as pessoas exigem glamour e acabam pagando um preço alto por isso. Uma turma de 60 alunos, por exemplo, chega a gastar R$ 60 mil só na colação de grau. Esse valor inclui aluguel do local, som, decoração até com raio laser e equipe de som. "Daqui uns dias tem gente colocando até banda na cerimônia de colação de grau", aponta o cerimonialista.

De acordo com o cerimonialista, os presentes dos homenageados variam. Em época de campanha eleitoral, eles contribuem mais. Cupertino conta que alguns já pagaram a banda do baile (cerca de R$ 12 mil), ofereceram o Teatro Rio Vermelho (em torno de R$ 7,5 mil) ou o CEL da OAB (R$ 7,5 mil).

O cerimonialista Ricardo Souza afirma que a escolha dos padrinhos é decisiva para os formandos. Na maioria das festas organizadas por ele, os paraninfos foram pessoas conhecidas pela sociedade goiana ou representantes políticos. "Os alunos, assim que os convidam, já perguntam com qual quantidade eles podem contribuir." Nos eventos que Souza promoveu, ele conta que nunca ocorreu de um padrinho negar ajuda. "Mas já ouvi histórias de desconvite."

O diretor de marketing de uma empresa que promove formaturas, Guto Belgado, diz que em quatro anos no ramo nunca aconteceu esse tipo de problema. "Instruímos as comissões antes e pedimos para dar preferência às pessoas ligadas à profissão", conclui.

Interesse - A vice-presidente da comissão de formatura do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Goiás (UCG), Diva Ribeiro, 26, afirma que ainda não escolheu as pessoas que vão compor a mesa diretora porque a equipe procura padrinhos políticos "que podem dar um valor maior".

Flávia Martins Fagundes, 21, é presidente da comissão de formatura do curso de Design de Modas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela conta que, ao convidar o paraninfo e os padrinhos, não sugeriu um valor de contribuição, mas acabou ganhando a aparelhagem de som de um dos homenageados, o vereador Virmondes Cruvinel.

Ela diz que convidou o governador Alcides Rodrigues para ser padrinho. "Ele aceitou o convite, mas disse que até julho desse ano não poderia ajudar nenhuma turma." Foi então que resolveu convidar a ex-primeira-dama Valéria Perillo. Ela aceitou e doou R$ 1,5 mil para realização da festa. A assessoria de imprensa do governo confirma a informação de Flávia e afirma que a ordem foi expedida no Diário Oficial de 2 de janeiro de 2007, em que suspende esse tipo de ajuda até o final de junho.

Sem pedido - Maraísa Mendonça Machado, 23, é tesoureira da comissão de formatura do curso de Direito da Universidade Católica de Goiás (UCG) e conta que os homenageados já foram escolhidos. De acordo com ela, em nenhum dos convites foi feito qualquer pedido de ajuda financeira. A festa vai acontecer em agosto desse ano e os preparativos estão quase no final. "Ficamos constrangidas em pedir alguma coisa para as pessoas que estamos homenageando. Toda ajuda é bem-vinda, mas até agora ninguém se prontificou e estamos receosas de falar alguma coisa."

Como critério de escolha, a estudante diz que o patrono foi sugerido dentre os professores de renome e que marcaram os anos passados na faculdade. O paraninfo, uma pessoa conhecida no Estado pelo trabalho que realizou na administração pública. "? um representante político e ligado à nossa área."
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.