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Como a indústria percebe a inovação?

      

Por Lílian Burgardt

Se o que os pesquisadores esperavam para acreditar em um cenário mais promissor no que diz respeito a investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) no Brasil eram movimentações do governo e manifestações da indústria em prol de investimentos em inovação, este parece ser o momento propício para comemorações.

Durante o II Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado hoje, em São Paulo, representantes do governo e iniciativa privada se mostraram profundamente preocupados em estimular a inovação no País com o objetivo de colocar o Brasil no caminho do crescimento e, também, numa posição de competitividade no cenário internacional.

Hoje, o Brasil está entre os oito países que mais investem em P&D e segundo uma pesquisa elaborada pelo The Economist Intelligent United Survey, está entre as seis primeiras nações a serem citadas por multinacionais como possível alvo de investimentos. Tal desempenho mostra a importância de continuarmos investindo em inovação para nos tornarmos cada vez mais atrãntes para as empresas estrangeiras, e mais, revela o potencial brasileiro no que diz respeito à produção científica.

No entanto, apesar do saldo positivo, especialistas revelam que o mundo "acordou" para o diferencial que significa investir em inovação. Não são só grandes potências como os Estados Unidos e o Japão que passam a investir pesado em P&D, mas países emergentes também vêm abocanhando mercado, é o caso da China e da Öndia.

Isso significa que, embora o crescimento do Brasil seja expoente, ainda ficamos atrás de tais nações e, caso o Brasil não leve essa questão a sério, poderá perder posições em um ranking internacional. "Isso acontece porque o mundo passou a enxergar a importância da inovação e está investindo pesado nisso. Países como Estados Unidos têm a competitividade a seu favor. China e Öndia a Inovação. O Brasil precisa ter um pouco dos dois para não perder espaço", explicou o professor do Centro Nacional de Artes e Ofícios, na França, Marc Giget.

Segundo o diretor de inovação da ABDI, Evandro Mirra, a batalha do Brasil e sua posição diante de outros países mostram que o momento é propício para apostar em P&D. No entanto, será preciso correr muito apenas para garantirmos nosso lugar. "Nosso crescimento não é ruim, mas estes números mostram que, em relação ao mundo, precisaremos correr muito só para não perdermos posições e mais ainda se quisermos ganhá-las", disse.

Para mudar tal cenário, Mirra destacou a importância de um maior interesse das indústrias, inclusive as brasileiras, de apostar em inovação para aumentar a competitividade. O diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Carlos Henrique Britto Cruz, também presente no evento, reforçou que é preciso aumentar a contribuição da iniciativa privada em pesquisa para que isso se reflita em aumento de sua participação nos índices de depósitos de pedidos de patentes brasileiras. "Hoje, apenas a Petrobras desponta entre as empresas líderes que mais investem em propriedade intelectual," lembrou.

As empresas presentes, por sua vez, deram seu testemunho de como estão interessadas em trabalhar para que o Brasil esteja em um cenário favorável daqui para frente. A CVRD foi um dos destaques, pois além de manter um grande grupo de pesquisadores em suas sedes, possui parcerias com institutos de pesquisa e universidades para investir em P&D. "No Brasil todo e no exterior, contamos com a cooperação de pesquisadores de grandes institutos e mesmo de grandes universidades para desenvolver pesquisas em prol da melhoria de nossos resultados", disse o representante da empresa, Roger Agnelli. A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e a USP (Universidade de São Paulo) são duas universidades que mantém tal cooperação.

A Brasken foi outro destaque da palestra. Segundo o diretor da companhia, Luis Fernando Cassinelli, os bons resultados conquistados pela empresa são pautados na percepção de que para crescer é preciso investir P&D. Além disso, destacou a importância de fazer acordos de cooperação para baratear custos e tornar seu produto mais competitivo. "O Brasil carece de doutores, ao mesmo tempo, boa parte deles está nas universidades. Precisamos trazer estes doutores para a indústria para que eles produzam pesquisa aplicada e, assim, nos ajudem a crescer, nos tornar mais competitivos colocando o país em um outro patamar de desenvolvimento", destacou.

Representando a Suzano, o diretor da empresa, Ernesto Pousada, destacou como a companhia passou a se preocupar com inovação e, por tal razão está desenvolvendo um programa de P&D. "Hoje, a Suzano apresenta uma estagnação nos seus índices de crescimento. A idéia é que com este programa possamos fortalecer a companhia e nos tornarmos ainda mais competitivos", disse.

O diretor da Fapesp lembrou que a empresa foi pioneira no desenvolvimento de papel derivado de Eucalipto, enquanto a comunidade científica do mundo todo dizia ser impossível produzir papel a partir de tal matéria-prima. "Naquela época, a Suzano inovou e conseguiu. Eis uma prova de como a inovação se traduz em quebra de antigos paradigmas e é, portanto, fundamental", disse Britto.

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