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Notícias

Novas estratégias para a Segurança

      

Larissa Leiros Baroni

Segurança da Informação

A violência também andou invadindo o mundo virtual. Por isso, a Faculdade IBTA resolveu apostar em uma especialização na área de Segurança da Informação. "Inicialmente, a instituição fez um análise de mercado e verificou que existia uma demanda por profissionais especializados em gestão da segurança da informação e que o mercado acadêmico ainda não tinha preenchido essa lacuna", explica coordenador geral de pós-graduação da faculdade, Mairlos Navarro.

O objetivo do curso é formar um gestor, profissional que conhece os problemas da segurança da informação e que, antes mesmo de sair implantando soluções técnicas, pense em soluções conceituais. Desta forma, as aulas são divididas em quatro áreas: fundamentos da segurança da informação; contribuição e problemáticas da tecnologia; ferramentas aplicáveis; e, por fim, aspectos éticos e judiciários. Para participar, segundo Navarro, os interessados devem ter uma base técnica na área de TI (Tecnologia da Informação). "Desta forma, o público do curso está restrito a profissionais de TI ou profissionais de gestão que atuam em empresas dessa área", diz.

"Ataques do PCC paralisam São Paulo." "Menino morre ao ser arrastado por carro em assalto." "Mais um adolescente é morto por bala perdida durante tiroteio em favela." "Assalto a banco termina com pelo menos sete feridos." Essas são algumas das manchetes que enfeitaram as capas dos principais jornais e revistas do País nas últimas semanas. Informações reais que escancaram uma das principais preocupações do governo, empresários e de grande parte da sociedade: a violência. Um problema que tem mobilizado, inclusive, a comunidade acadêmica.

A idéia é capacitar profissionais para agirem de maneira estratégica no campo da segurança pública e empresarial, contribuindo para a diminuição do índice de criminalidade e da violência no Brasil. "Atualmente, a segurança brasileira trabalha com base nos incidentes. Mas o mercado pede uma atuação baseada em fundamentações científicas, com procedimentos, normas e visões preventivas, para antever os riscos e evitar as perdas", explica o presidente da ABSEG (Associação Brasileira de Profissionais de Segurança), Igor de Mesquita Pípolo. E é nessa mudança de mentalidade que as instituições de ensino superior pretendem atuar.

Ainda que o segmento não tenha um curso de graduação específico, as universidades apostam em especializações, extensões e pós-graduações para atender uma demanda que cresce a cada ano. "Não existe mais aquela visão de segurança estereotipada no vigilante. Hoje, a área faz parte do negócio e há um leque de opções muito grande: segurança empresarial, pública, pessoal, patrimonial, de informação, de logística, de executivos, de dignitários entre outras mil e uma facetas", descreve Pípolo. Oportunidades que podem ser desenvolvidas na iniciativa privada e na pública. "E a tendência é de crescer à medida que você tiver uma profissionalização diferenciada qualitativamente", garante.

O mercado para os profissionais especializados em segurança é vasto e os investimentos no setor por parte do governo e das instituições privadas comprovam isso. Segundo um estudo realizado pela Federação Nacional de Empresas de Vigilância, em 2006, a segurança empresarial movimentou R$ 15 bilhões. Além disso, estima-se que outros R$ 21 bilhões sejam investidos em equipamentos especializados a cada ano. Já o governo, de acordo com Pípolo, gasta aproximadamente R$ 36 bilhões por ano com a segurança pública.

Para atender a toda essa demanda, muitas universidades estão empenhadas em formar especialistas em segurança. A UFF (Universidade Federal Fluminense) foi uma das pioneiras na criação de um curso de pós-graduação stricto senso (doutorado e mestrado) na área de Segurança Nacional. "A iniciativa visa dar ao profissional uma visão estratégica, formando-o para atuar na gestão de segurança", aponta o diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da instituição, professor Ronaldo Leão. Para isso, os participantes estudam desde os autores clássicos até os mais modernos especialistas em estratégias de segurança. "Uma forma de ensinar como as pessoas podem e devem observar o ambiente estratégico no sentido da defesa", completa.

Como não há mão-de-obra para atender à demanda do setor, as pós-graduações, em geral, aceitam profissionais das mais variadas áreas. "Para poder suprir essa carência de pessoal qualificado, a UFF pretende atuar na graduação, pó-graduação e extensão", revela Leão. "Segurança é bem coração de mãe, cabe todo mundo. Tem espaço para todos os profissionais, mas é preciso saber qual caminho trilhar, qual é a sua colocação profissional e seguir para uma especialização nesta área", orienta.

Unidos por um mesmo interesse

Como estratégia para a construção de um novo modelo para a segurança pública no Brasil, o Ministério da Justiça criou a Renãsp (Rede Nacional de Especialização em Segurança Pública). A iniciativa, em parceria com 22 instituições de ensino superior, oferece mais de 1.600 vagas em cursos de especializações na área de segurança pública para policiais militares e civis. "Uma forma de articular o conhecimento prático dos policiais, adquiridos no seu dia-a-dia profissional, com os conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico", afirma o diretor do departamento de pesquisa, análise de informação e desenvolvimento de pessoal em Segurança Pública do Ministério da Justiça, Ricardo Balestreri.

Cada uma das universidades segue um conteúdo programático. No entanto, todas enfatizam o tema das políticas e das práticas de segurança pública em relação aos direitos humanos, à violência de gênero, à liberdade de orientação sexual e ao enfrentamento da homofobia e à igualdade racial. Além disso, os participantes estudam a questão da segurança ambiental, trabalham temas relacionados às técnicas de abordagem policial e de direitos humanos e aprendem mais sobre as dinâmicas do crime, os novos paradigmas de policiamento e os princípios do policiamento interativo e comunitário.

As monografias elaboradas pelos alunos dos cursos deverão ter como tema as linhas de pesquisa estabelecidas pela SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública), construídas em função dos eixos estratégicos do Plano Nacional de Segurança Pública. "O que falta para o Brasil é ter um padrão de procedimentos nacional fundamentado na ciência, na racionalidade e na tecnologia. Os operadores de segurança não podem atuar fundamentados nas emoções ou no senso comum. Por isso, o Renãsp pretende transformar a atuação policial em uma ciência", ressalta Balestreri.

O governo oferece bolsas de 100% para policiais militares, civis, bombeiros e guardas municipais. Mas há também oportunidades para outros profissionais. Os interessados em participar da Rede Nacional de Especialização devem procurar a Instituição de Ensino Superior mais próxima e participar do processo seletivo que acontece uma vez por ano. (Clique aqui e confira a lista das participantes). Em junho, a Renãsp vai lançar um novo edital ampliando o número de parceiras e de vagas. "Para essa terceira edição, conseguimos passar de 22 para 50 universidades e de 1.600 para 3.000 oportunidades", relata o diretor, com exclusividade ao Universia.

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