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Notícias

Relações Públicas: o fascínio dos bastidores

      

Por Silvia Angerami

A relação candidato-vaga no vestibular de 2007 da Fuvest para o curso de Relações Públicas, ou RP, foi de 23,50 candidatos por vaga, enquanto que para Jornalismo foi de 44,75 por vaga. Muitos jornalistas, ao se formarem, acabam sendo "empurrados" para a área de Relações Públicas, mais especificamente Assessoria de Imprensa, pela própria dificuldade do mercado de trabalho de absorver toda a mão-de-obra que se forma a cada ano. Alguns desses profissionais se "encontram" na nova atividade, ainda que não tenham formação específica para exercê-la e que tenham de aprender tudo na prática. Ao levar em consideração tudo isso, quem gosta da área de Comunicação, mas não faz questão dos holofotes, deve pensar seriamente nessa possibilidade: RP pode ser um excelente caminho. Principalmente se você busca um emprego mais estável do que a área de Jornalismo é capaz de oferecer - quem sabe até em uma multinacional - como é o caso de uma das entrevistadas para essa reportagem.

O engano mais comum, conforme aponta o coodenador do curso de Relações Públicas da FAAP (Fundação Armando álvares Penteado), Valdir Cimino, está na simplificação da responsabilidade do RP: "Muita gente ainda confunde RP com promoção de eventos". Mas quem busca a área de eventos, pura e simples, também encontra sua "praia", porém na pós-graduação. "Já estamos com a terceira turma na pós de Planejamento e Organização de Eventos", contabiliza.

A carreira de RP é adequada para quem, como Michelle Medeiros, gerente de Relações Públicas da Intel do Brasil, prefere os bastidores aos holofotes. "Gosto muito mais dos bastidores", diz ela. "? ali onde você pode ter uma ação estratégica de fato, onde você consegue influenciar", define. Michelle é formada em Relações Públicas pela FAAP e foi responsável pela área de comunicação com a imprensa nacional na Claro.

Informação e Interdisciplinaridade

Assim como o jornalista, o RP também trabalha com a informação. Ele precisa estar muito bem informado para que consiga encontrar as melhores estratégias de construir e manter a imagem institucional do seu cliente. E não apenas na imprensa, mas junto a todos os públicos que interagem com a empresa onde ele trabalha. "Leio todos os jornais, todos os dias", explica Michelle. Mas apenas a leitura dos jornais não basta. Como ela trabalha em uma empresa de tecnologia, também precisa estar ligada em conceitos como blogs, web 2.0 e tudo o que existir de mais atual na área.

O professor Valdir Cimino foi convidado a reformular o curso de RP da FAAP há quatro anos. Ele procurou, com a participação de alunos e ex-alunos, rever seu conteúdo e estímular a interdisciplinaridade, aproximando RP de Publicidade e Propaganda. "Queremos criar um modelo para desenvolvimento sustentável de projetos. Nosso curso visa capacitar o aluno para administração global da área", diz.

Leia as entrevistas abaixo e descubra os motivos que levaram um vestibulando, uma graduanda e um profissional a escolher o curso de Relações Públicas:

Idade: 18 anos

Flávio Trevisan Marcon

Idade: 21 anos

Onde estuda: ECA/USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo)
Vinicius Fiori

Idade: 30 anos

Profissão: Gerente de Relações Públicas da Intel do Brasil

Michelle Medeiros
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?

Antes, queria música, porque toco bateria. Mas estava querendo alguma coisa na parte empresarial. Então, como gosto de eventos (meu pai tem uma empresa de sonorização de eventos), tive contato com promoção de eventos, festas, palestras de empresas, e por isso decidi por RP. Além disso, você pode trabalhar em terceiro setor, em ONGs, com diversidade. Sou de Andradas, no sul de Minas Gerais, estou morando em São Paulo e estou adorando a cidade.

Graduando - Por que escolheu a profissão?

Escolhi quando estava no terceiro colegial. Minha irmã mais velha me dizia que eu tinha que prestar Relações Públicas porque eu falava muito e escrevia bem. Comprei um guia de profissões e fui vendo. Não tenho aptidões e nem paciência para outra coisa. Não cheguei a conhecer nenhum profissional que trabalhava nessa área, em São Joaquim da Barra, cidade do interior de São Paulo onde nasci. Vim para São Paulo para estudar e devo ficar aqui trabalhando, depois de me formar.

Profissional - Por que escolheu a profissão?

Pesquisei quando estava no Ensino Médio. Fui às faculdades, conversei com profissionais e vi que Relações Públicas é a arte de influenciar pessoas, sempre levando em conta a questão ética. E me identifiquei com a profissão. Existe uma aura, um mito ao redor de RP que não é real. O Relações Públicas é responsável pela imagem da empresa onde ele trabalha, mas não tem o poder de aumentar as vendas, por exemplo. Isso é com a Publicidade. RP é mais barato que Publicidade, mas não é de graça.

Vestibulando - O que espera do curso?

Espero ter uma formação mais voltada para o mercado de trabalho. Na parte de produção, de me relacionar com o público, mas ainda não tenho muita clareza do que quero dentro da profissão. Também posso trabalhar dentro da área de RH, cuidar da parte de eventos.

Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?

Quanto à expectativa do curso, no meu caso, acho que a universidade não soube ensinar o quão relevante é a profisssão (estou no nono semestre). A faculdade não me ajudou profissionalmente, só na teoria. Trabalhei um ano e meio como estagiário em uma assessoria de imprensa e fui efetivado há 3 meses.

Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?

Quando prestei vestibular, prestei só para a FAAP, que foi a que considerei melhor, quando fiz minhas pesquisas, conversei com professores, alunos e profissionais. Mas como sempre fui muito autodidata, eu corri atrás. O RP tem que ser antenado, tem que correr atrás das oportunidades.

Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formado?

Não acho que vou começar ganhando bem. Você vai crescendo aos poucos dentro da profissão. Acredito que no início vou ganhar R$ 1.500, em média.

Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?

Dependendo da especialização e dos seus caminhos depois da faculdade - se você fizer pós-graduação em Marketing, por exemplo - você pode ganhar mais. Só com o diploma, sem um algo a mais, você não tem muito campo. O salário inicial, logo depois de formado, é de R$ 2.000, no meu caso. A média salarial seria de R$ 1.300 a R$ 1.500, para quem está começando.

Profissional - Quanto ganha?

O salário do RP varia conforme o local de trabalho, se é agência, local ou internacional, ou uma empresa. Depende da importância que a empresa dá para aquela área. Quando a companhia entende o peso da função, quando você tem um cargo gerencial, mais estratégico, o RP é melhor remunerado. Nas grandes empresas, a média é de R$ 6.000 a R$ 12.000.

Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

Mais ou menos o que eu falei sobre a facilidade de relacionamento, que me dou bem, e também promover a boa imagem da empresa em que vou trabalhar.

Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

O melhor da profissão é ser responsável por articular a política de comunicação da empresa, chegar a todas as áreas, mexer com todas as pecinhas para tentar construir ou manter uma boa imagem para todos os seus públicos. ? muito bacana quando você vê o resultado, quando consegue fazer com que todas as áreas trabalhem integradas, o que vai beneficiar a companhia toda, ou seja, acionistas, clientes e todos os públicos.

Profissional - O que acha de melhor na profissão?

O melhor é atuar na parte estratégica da empresa, onde você consegue de fato influenciar. Leio todos os jornais, todos os dias, o RP precisa sempre estar atualizado. O RP não pode ficar viciado, só lendo clipping (serviço de recorte de notícias de jornal).

Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

Eu ainda estou meio confuso, não conheço tão bem a profissão assim. O fato de ser uma profissão não muito conhecida, e de disputar a vaga com jornalistas, administradores de empresas, isso seria ruím. Só as empresas maiores estão mais preocupadas com a profissão de RP.

Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

De pior, a falta de reconhecimento dos próprios empresários da alta administração. RP gera algum tipo de preconceito, marketing soa mais bonito. Além disso, o ensino não é tão bom, as associações não colaboram, o que não gera uma boa imagem para a profissão no Brasil.

Profissional - O que você acha de pior na profissão?

O pior é não ser entendida, é quando a empresa não entende o que RP pode fazer por ela, sua abrangência, sua importância e aonde pode chegar. ? preciso ainda educar a empresa, mostrar que RP cuida da imagem institucional junto a todos os públicos.

Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

Suponho que esteja em crescimento. Devido à globalização, as empresas precisam mesmo cuidar da sua boa imagem. Toda empresa devia ter um RP, não só para a comunicação externa, mas interna também, no relacionamento com os funcionários.

Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

A profissão perde muito espaço para os profissionais de jornalismo, por ser uma profissão mais conhecida e também ligada a escrever bem. Se for uma empresa de engenharia, a pessoa que vai ocupar o cargo que seria de um especialista em Relações Públicas será um engenheiro treinado. Mas isso faz parte da dinâmica do trabalho, o diploma não é o principal fator da profissão. Qualquer pessoa habilitada e inteligente na área pode fazer esse papel.

Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?

Hoje, a profissão está melhor do que estava antes. Os empresários dão mais valor, entendem melhor o que a gente faz. Mas ainda têm expectativas diferentes do que as que podemos atender, tanto para mais quanto para menos. As maiores empresas de RP são americanas, os EUA são o berço da profissão. Mas nós somos mais criativos do que eles. Temos mais agilidade. O tempo deles é muito diferente do nosso.

Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Relações Públicas e outras áreas?

O estudante tem que ver como é a personalidade dele, se gosta de lidar com pessoas, com opiniões diferentes. ? preciso respeitar o cliente e o empregado, para chegar a um fator comum, para promover a boa imagem da empresa.

Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Relações Públicas?

Tem que ler bastante, ficar atento, pensar em coisas à frente do seus colegas, ou competidores, ficar sempre antenado, saber de tudo um pouco, ter senso crítico para desenvolver uma boa ação na hora necessária. Também vai ser necessário lidar bastante com a parte digital, tem que ter um dominio bacana de internet. Precisa saber uma segunda língua, inglês, até uma terceira. Os principais fatores para se dar bem são nunca parar de se atualizar em todos os assuntos, saber se posicionar junto aos profissionais de outras áreas e ter uma postura mais pró-ativa.

Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nessa profissão?

Em qualquer profissão, ser extrovertido abre portas e assim você consegue receber mais informações. A dica é conversar com alguém que já esteja na área, porque RP não é só "festinha". O curso vai te dar ferramentas para construir relacionamentos. O RP tem que ser bom em fazer relacionamentos, sim. Mas também tem que ser antenado. Leio tudo o que cai na mnha mão. Tem que estudar muito sobre a área, visitar sites, buscar oportunidades. Hoje, procuro conversar com pessoas que têm uma posição semelhante à minha, para ver o que elas estão fazendo de diferente do que eu faço. Nessa área, a inovação é muito importante. E, para mim, o que mais me fascina é ficar nos bastidores. Não quero aparecer. Ninguém precisa saber da sua participação quando sai a reportagem falando do seu cliente. Mas você sabe.

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