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P&D em Informática e TI

      
Por Lilian Burgardt

Mercado de Informática e TI

Segundo dados da IDC, consultoria do segmento de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, o Brasil é hoje o país com maior número de pessoas atuando no segmento de Tecnologia da Informação. Ao todo são 892 mil trabalhadores, 47% do total de vagas existentes em toda a América Latina. O México, por exemplo, fica com 23% do total, com 429,6 mil. O terceiro lugar é ocupado pela Argentina, com 179 mil vagas na área de TI, ou 9% do total.

No ano passado o mercado movimentou um total de investimentos de US$ 16,2 bilhões, alta de 12,8% sobre 2005. A maioria dos gastos foi proveniente de serviços, segmento que já representa 40% do total de investimentos, o que indica mais maturidade do mercado.

Para este ano de 2007, o mercado brasileiro de TI deve crescer 14,5% e atingir a receita de US$ 18,6 bilhões (dólares constantes), segundo os dados consolidados do Brazil Spending Patterns: The Brazil Black Book, que a IDC acaba de concluir, referente ao último trimestre de 2006.

O Brasil também está a passos mais largos com os investimentos em computadores. Para 2007, a expectativa da IDC é de um crescimento de mais de 16% no valor obtido com as compras de PCs. Na Öndia, que vem investindo bastante em educação, este crescimento é previsto em 19,5%, enquanto que na China será pouco mais que 13%.

Regulamentada em 2001, a Lei de Informática (nº 10.176) - que tem como principal objetivo reduzir impostos a fim de incentivar a produção e a comercialização de novas tecnologias - é, para especialistas, a grande responsável pelo boom de investimentos em pesquisas no Brasil. Por meio dela, diversas multinacionais foram estimuladas a se instalar no País e desenvolver seus projetos, seja em seus próprios laboratórios ou aproveitando a mão-de-obra qualificada presente na academia por meio de parcerias com as universidades. "Antes disso era muito mais difícil contar com recursos. As empresas não se interessavam em investir e recorríamos aos órgãos de fomento, muitas vezes sem sucesso, devido a grande demanda de projetos atrás de recursos", lembra o professor do departamento de Engenharia Eletrônica e Sistemas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Frederico Dias Nunes.

De lá para cá, o cenário mudou muito. Mesmo o Nordeste, geograficamente em desvantagem em relação aos investimentos em P&D no setor, conseguiu se fortalecer e obter bons resultados. A consolidação do C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), inicialmente criado na UFPE e, depois, deslocado para a região onde se situa hoje o porto digital - maior obra de revitalização de uma região para criação de um pólo de tecnologia no Brasil - é um dos principais indicadores positivos dessa mudança.

Enquanto estiveram alocados na universidade, fomentaram parcerias e foram responsáveis não só pela formação e qualificação de mão-de-obra especializada, como também conseguiram colocar a instituição em um patamar de qualidade em produção tecnológica. Não à toa, muitas empresas estabeleceram parcerias com a universidade a fim de realizar pesquisas de ponta tanto no setor de Informática como de TI (Telecomunicações). O instituto cresceu e também passou a servir como berço de incubação de empresas da área tecnológica. Referência em P&D no setor, o C.E.S.A.R saiu da UFPE, mas continua mantendo uma relação muito próxima com a universidade. "Professores, estudantes de graduação e pós-graduação têm no centro uma oportunidade de crescimento e aperfeiçoamento profissional, além de estar envolvidos com as mais diversas pesquisas de ponta na área", reforça Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R.

Hoje, o instituto mantém parceria com grandes empresas como Microsoft e IBM. Fora isso, também trabalha em cooperação com outros centros tecnológicos como o Instituto Eldorado e universidades brasileiras de outras regiões do país, como a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Fruto destas parcerias entre C.E.S.A.R, universidades e iniciativa privada, é que, na opinião de Meira, resultou um dos melhores projetos já desenvolvidos ali. Trata-se do centro de testes de software desenvolvido em cooperação com a UFPE, a UFSC, a Motorola e o Instituto Eldorado. "Neste caso a Motorola entrou com a demanda, o C.E.S.A.R e o Eldorado com o ambiente para inovação e execução e as universidades com mão-de-obra especializada", resssalta Meira. Vale lembrar que este projeto foi um dos vencedores do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica de 2006.

Outra iniciativa bem-sucedida do C.E.S.A.R segue na linha da qualificação de mão-de-obra especializada. Hoje, a UFPE conta com uma curso de residência em software, trata-se do único curso com essa finalidade não só no Brasil como no mundo. A idéia, segundo Meira, é fazer com os estudantes aprendam, na prática, como é fazer um teste de software. "? preciso pensar o seguinte: você preferiria ser operado por um PhD em Medicina, com centenas de papers publicados, mas sem experiência cirúrgica ou com um médico também PhD que tivesse feito mais de três mil cirurgias? A maioria opta por quem tem experiência prática, isso vale para todas as áreas", defende.

Dentro da própria UFPE, outros departamentos começaram a semear a importância de parcerias entre universidade-empresa não só para o aperfeiçoamento profissional dos jovens, mas também, para despontar no mercado como um centro de excelência em desenvolvimento tecnológico. O professor Fredericos Dias Nunes, do departamento de Engenharia Eletrônica e Sistemas da UFPE, é um dos principais responsáveis pelas parcerias que a universidade mantém com a multinacional Siemens e outras companhias de renome. Experiente no ambiente acadêmico - já havia lecionado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e, na iniciativa privada, foi um dos fundadores da ASGA, empresa que fornece soluções de alto conteúdo tecnológico, Nunes sabia exatamente o que era necessário para alavancar a colaboração entre ambos os setores no Nordeste. "A parceria com a Siemens, iniciada em 98, foi fruto de uma batalha pessoal apoiada pela universidade. Naquela época, não tínhamos a Lei de Informática para dar suporte as negociações. Mas conseguimos convencer a empresa de que investir em Inovação em parceria com a universidade poderia ser um bom negócio", lembra.

A parceria começou para a criação de um curso de Engenharia Fotônica, mas já foi extendida para diversos outros projetos. Um deles tem como objetivo estudar o desempenho das redes IP. Para tanto, foram modernizados os laboratórios de centrais de comunicação com a instalação dos modelos HiPath 3000 e 4000, plataformas convergentes de dados e voz para uma única rede. Os testes de simulação abrangem o uso de terminais OptiPoint (terminais digitais voz sobre IP que oferecem mobilidade), sistemas de videoconferência e aparelhos sem fio. Outro trabalho desenvolvido pela Siemens e UFPE que obteve grande sucesso foi a criação de um sistema de localização via celular. "Projetamos um sistema de cruzamento de torres de celular para identificar determinado aparelho", explica Nunes. Segundo o pesquisador, as aplicações para esse tipo de tecnologia são múltiplas. Contudo, as questões relacionadas à segurança são das que mais despertam atenção. "A polícia poderá localizar uma vítima de seqüestro rapidamente e com enorme precisão da posição", explica.

Hoje, com cerca de 19 projetos em parceria com a Siemens, além de outros acordo firmados, o professor ressalta que a cooperação foi determinante para prover uma mudança de comportamento e de visão em relação à pesquisa. "Fomos obrigados a ter mais disciplina por conta da demanda da indústria", revela. Além disso, também foi importante para mostrar aos pesquisadores da rede pública que fazer pesquisa pode, sim, ser um bom negócio e que não há nada de mal nessa visão capitalista. "Já ouvi professores dizendo, 'ah mas eu sou um socialista utópico'. Ok, tudo bem. Mas que diferença isso vai fazer? Não podemos deixar de lado um projeto que pode ser uma solução para a sociedade - papel da universidade pública - por conta deste tipo de pensamento", reforça.

Na região Sudeste, mais casos de sucesso

Se no Nordeste é possível encontrar parcerias de sucesso com as universidades, isso fica ainda mais evidente no Sudeste, segundo especialistas, região onde se concentram os grandes centros tecnológicos do País. Em São Carlos, onde estão localizadas a Faculdade de Engenharia da USP (Universidade de São Paulo) e a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), projetos de Informática e Telecomunicações em parceria universidade-empresa não são raridades. De olho na mão-de-obra qualificada da região, a Palm - empresa especializada em computadores de mão - fechou uma parceria com o Instituto de Computação da UFSCar para explorar soluções e melhorar as possibilidades já disponíveis de conectividade de rede e mobilidade para acesso a serviços e dados remotos.

Na opinião do professor do departamento de computação da universidade e coordenador do projeto em parceria com a Palm, Luis Carlos Trevelin, a oportunidade de trabalhar com a empresa é muito importante especialmente para os alunos, pois dá a eles a possibilidade de estarem envolvidos em projetos reais que efetivamente sairão do laboratório e estarão no mercado a serviço da população. "? uma oportunidade de aproximar segmentos que têm visões diferentes sobre a pesquisa mais interesses em comum, ou seja, colocar a ciência a serviço da tecnologia", ressalta.

Na prática, o especialista não vê muitos conflitos em trabalhar com a empresa, na verdade, também encara a diferença do tempo entre a demanda e o resultado da pesquisa um benefício que faz o pesquisador acadêmico ter uma postura mais dinâmica diante dos estudos. "Tudo é uma questão de negociação e até negociar prazos e estabelecer metas para cumprir as diferentes etapas do projeto são fundamentais para o aprendizado e o sucesso de um novo produto", acredita.

Se os pesquisadores acadêmicos entrevistados apresentaram uma visão bastante positiva da parceria universidade-empresa, inclusive, deixando de lado a tradicional "pendenga" do tempo para pesquisar, o que dirão os empresários que precisam de resultados mais práticos por parte da academia? O gerente de assuntos acadêmicos da Intel no Brasil, Ruy Castro, defende que a parceria realmente funciona para a integração dos estudantes e profissionais com a necessidade do universo da indústria, mas também aponta algumas deficiências no contato mais próximo com as universidades. Uma delas é a falta de infra-estrutura de pesquisa a que os alunos são submetidos. "Muitos estudantes têm contato com tecnologias ultrapassadas no ambiente acadêmico e quando vão para o mercado as empresas precisam investir em um treinamento complementar", lamenta.

Em sua opinião, a parceria serve para diminuir as lacunas entre o aprendizado acadêmico e o que o mercado tem a oferecer a estes estudantes, além de servir como alavanca para projetos bem-sucedidos. Hoje, a Intel mantém convênios com sete instituições brasileiras, são elas: LSI/USP (Lboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo); Unesp (Universidade Estadual Paulista); Unicamp; UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais); UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro); UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); e UFPE. E foi da parceria com o LSI/USP que surgiram os mais famosos projetos na área de tecnologia. O primeiro, a Caverna Digital - primeiro centro de realidade virtual da América Latina e, depois, o portal Onconet - primeiro banco de dados com informações online sobre câncer infantil no País. "Dois dos melhores projetos realizados pela Intel em parceria com as instituições de Ensino Superior que se traduzem em benefícios para a sociedade", diz.

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