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Grau duplo: prós e contras

      

Por Silvia Angerami

O drama atual da estudante do terceiro ano do Ensino Médio do colégio Equipe, Júlia Lopes, 17 anos, assim como o de muitos outros jovens nessa fase da vida, é decidir que carreira seguir. Só que, ao contrário da maioria, que já sabe pelo menos qual é a área preferida, as opções que atrãm Júlia são tão díspares quanto Física (Exatas), Relações Internacionais (Humanas) e Medicina (Biológicas). Veja o vídeo ao lado.

Para os que conseguirem sobreviver à rotina às vezes massacrante demandada por duas graduações simultâneas, o mercado pode até sorrir, conforme atesta a consultora Vera Modolo, gerente da SP-Task Force, divisão de recrutamento e seleção da Gelre. "O mercado recebe muito bem este estudante, desde que os cursos tenham certa complementação, como por exemplo Direito e Relações Internacionais", aponta, citando um exemplo conhecido. Outro exemplo de combinação favorável: Marketing e Educação Física, com o objetivo de obter formação em marketing esportivo.

Quando o estudante se identifica com as duas carreiras, ele pode encarar o desafio. "A decisão de fazer as duas não é nada fácil, mas a pessoa que tem diploma nessas duas áreas está extremamente valorizada no mercado", garante Vera. De acordo com ela, quem trabalha com duas formações adquire uma visão muito mais ampliada. E o mercado tende a valorizar o profissional que demonstra ser capaz de fazer um esforço adicional e de ter mais envolvimento com seu próprio futuro. Vera aponta que em geral os alunos nessa situação contam com o apoio irrestrito da família que investe neles. "Esses estudantes vão formar aquele grupinho de início de carreira que faz a diferença, com salário inicial acima da média de um recém-formado", ressalta.

Dicas de Vera

1) O mercado recebe bem o profissional com dois diplomas, desde que sejam de dois cursos complementares.

2) Além da dedicação intelectual, o aluno deve pensar no investimento material, financeiro, além da questão da locomoção, principalmente nas grandes capitais.

Apoio total e irrestrito

Vanessa Siqueira Dezem, 23 anos, aluna do terceiro ano de Economia na USP e também do terceiro ano de Jornalismo na Casper Líbero, em São Paulo, é um exemplo de total e irrestrito apoio da família. Morar no município de São Bernardo do Campo não estava favorecendo a estudante na sua rotina puxada de cumprir a carga horária dos dois cursos. Então, ganhou um apartamento no Jardim Paulista, o que "facilitou muito" a vida dela.

Dobradinhas
bem-casadas

Alguns exemplos inspiradores, de carreiras que "combinam" entre si:

Direito & Relações Internacionais
Economia & Jornalismo
Educação Física & Fisioterapia
Esporte & Marketing
Jornalismo & Letras
Medicina & Psicologia
Nutrição & Gastronomia
Pedagogia & Psicologia
Psicologia & Odontologia

Ainda que nem todos os estudantes possam ter acesso a facilidades como essa, Vanessa também foi confrontada a decisões bem difíceis. Prestou Jornalismo na USP, mas não passou. Depois entrou no Ibmec no mesmo ano, mas descobriu que não era aquilo que ela queria. Decidiu então levar o cursinho Anglo a sério e prestou 10 vestibulares naquele ano: 5 para Jornalismo e 5 para Economia. "Passei em todos", relembra. Em alguns, ela passou em primeiro lugar. Estava quase decidida pela dobradinha Unicamp / PUC-Campinas quando saiu o resultado da Fuvest.

Vanessa nunca teve dúvidas sobre o caminho a seguir: "Desde os 13 anos eu sempre quis ser jornalista econômica, sempre foi meu foco", explica. Mas o começo não foi fácil. O primeiro semestre foi o mais difícil, pois ela morava longe, não tinha carro. Mesmo assim, ela conseguiu. "Quando decidi mudar para cá facilitou muito, mas não dá para falar que é tranqüilo. Tenho 15 matérias", contabiliza. "Nunca peguei exame, nem DP. Dá para levar", garante ela. Sua rotina é parecida com a de quem trabalha e faz faculdade. "Não passo um final de semana sem pegar nos cadernos", diz ela.

O que deixa Vanessa preocupada é ver que enquanto alguns de seus colegas já têm experiência profissional de três anos, ela ainda nem saiu do lugar. "Isso me dá um desespero, uma angústia", confessa. Para compensar, conseguiu fazer alguns trabalhos como "free-lancer", para conseguir suas primeiras reportagens assinadas, nas áreas de Nutrição e de Medicina Esportiva, e foi para a Alemanha fazer três meses de estágio na Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. (Ela também fala Alemão.)

Quando Vanessa se formar, ela acredita que terá uma importante vantagem competitiva, ao pleitear uma vaga no mercado de trabalho. "Por isso, continuo as duas faculdades". Ainda que tenha a desvantagem da falta de experiência, como a adquirida por alguns de seus colegas. "Meus amigos que fazem só uma faculdade me perguntam como eu consigo fazer tudo direito. E eu consigo", afirma. E isso sem abrir mão do lazer. "Sou eu que agito a balada do pessoal. Faço tudo o que eles fazem e até mais, vou em tudo", conta.

Dicas de Vanessa

1) Tem gente que escolhe fazer duas faculdades por não saber o que quer. Aí eu não apóio, não. Não faz muito sentido fazer cursos que não se complementem.

2) Não fazer duas faculdades se não estiver fazendo direito. Se conseguir, continua.

3) Não deixar a vida social de lado. Tenho namorado, sempre o vejo. Ele mora perto, também fez FEA-USP e trabalha muito, tem menos tempo do que eu.

4) Tomar cuidado, nas entrevistas de trabalho, para não dar impressão de indecisão.

Abraçar o mundo

Outro caso exemplar é o de Juliana Cruz da Silva, 23 anos, que estava na dúvida entre Letras e Jornalismo. "Então, optei por prestar Letras na USP, um curso menos concorrido, e Jornalismo na Casper Líbero e na Metodista", relembra. Este ano, ela se forma nas duas graduações: árabe na USP e Jornalismo na Metodista. Com a vantagem de morar perto do metrô, em São Paulo, e de ter recebido todo o apoio da família, o que permitiu que ela começasse no estágio apenas no terceiro ano da faculdade, Juliana praticamente cruza a cidade todos os dias. Mora na zona sul, estuda na zona oeste de manhã, trabalha no centro da cidade à tarde e estuda no município de São Bernardo do Campo à noite.

"? complicado, é querer abraçar o mundo de uma só vez", admite. Mesmo assim, ela acha que vale a pena, especialmente para quem pretende seguir a carreira acadêmica. Por outro lado, como as vagas de emprego em geral são para período integral, as duas graduações podem retardar a entrada no mercado de trabalho.

Para Juliana, tudo ficou mais claro quando ela percebeu que poderia conciliar seu interesse pelo Oriente Médio com a carreira jornalística, em uma editoria de politica internacional. "Em último caso, se eu não consiguir me estabelecer como jornalista, penso em trabalhar com pesquisa mesmo", conforma-se. "Todo mundo fala que é loucura, até os meus pais. Comecei a trabalhar só no terceiro ano da faculdade. A principal diferentça é que você dorme ainda menos. No tempo livre, você só quer dormir", relata. Juliana tem namorado, mas confessa que ele tem que aceitar ficar sozinho em alguns domingos, quando ela precisa estudar.

Dicas de Juliana

1) Pensar duas vezes antes de optar por fazer uma dupla graduação

2) Tentar não deixar as coisas acumularem.

3) Não achar que você é a única pessoa que está fazendo isso, na USP muita gente faz dois cursos.

4) Lembrar que a experiência profissional também conta muito, não só a acadêmica.

5) Tentar ficar um ano nas duas e depois optar por uma e se dedicar a ela.

6) Tentar procurar estágio mais para o final do curso, para ter tempo de aproveitar as duas faculdades.

Atitude preventiva

A psicóloga Elaine Schevz, formada pela USP (Universidade de São Paulo) e especializada em orientação vocacional, conhece vários casos de estudantes que não conseguem escolher uma carreira e acabam entrando na faculdade sem conhecer direito o curso. Por isso, ela recomenda, em primeiro lugar, que o aluno tenha uma atitude preventiva, ou seja, que deixe a preguiça de lado e visite as faculdades onde pretende estudar. "Converse com o pessoal dos centros acadêmicos, dos grêmios estudantis, que são mais acessíveis, mais abertos. Se é uma questão de dúvida, dá pra resolver antes. Não precisa se matricular para descobrir do que se trata o curso", alerta. Elaine acredita que o maior risco de encarar o desafio da graduação dupla é o de não conseguir levar bem nenhum dos dois. "Isso é muito pessoal. Tem gente que agüenta, tem gente que acaba se perdendo. Tem a ver com o perfil da pessoa".

Dicas de Elaine

1) Procure a secretaria para ver a grade curricular.

2) Fale com alunos e com professores.

3) Informe-se sobre visitas organizadas, promovidas por algumas faculdades.

4) Escolha um curso como principal e faça o outro mais devagar.

5) Pensar na alternativa da pós-graduação, ao invés da graduação dupla.

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