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P&D, nosso calcanhar-de-aquiles

      
Por Lilian Burgardt

Para não sentir tão drasticamente os impactos de uma possível retaliação da Merck, ou mesmo, ser refém da indústria indiana no futuro, o Brasil precisaria contar com uma indústria de fármacos bastante desenvolvida. O que, hoje, não é uma realidade. ? fato que temos boas empresas que produzem medicamentos. Contudo, pouquíssimas investem na produção de um novo fármaco (o composto químico), arcando com os custos dos testes pré-clínicos e clínicos, fases que determinam a eficácia de um medicamento para uso humano e, portanto, têm custo muito mais alto do que a produção em larga escala. Hoje, três empresas brasileiras se destacam por trabalhar nesta linha, são elas: EMS, Cristália, e Medley de Campinas. (Saiba mais sobre o processo de desenvolvimento de um medicamento lendo a matéria O nascimento de um medicamento).

Os especialistas entrevistados pelo Universia sobre o assunto são unânimes em dizer que o Brasil precisa "acordar", e rápido, para tal deficiência. "Desde a década de 60, meados dos anos 70 eu e mais um grupo de pesquisadores de diferentes universidades viemos lutando para a consolidação de uma massa crítica voltada para o desenvolvimento de fármacos. Estou me aposentando, ou seja, saindo do sistema, e isso ainda não se concretizou", lamenta o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), José Carlos Nassute. O que há no Brasil, hoje, são grupos isolados de pesquisadores desenvolvendo testes nas universidades, como na USP/São Carlos, Unesp e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por exemplo. Muitas outras até mantêm parcerias com a iniciativa privada, mas que se resumem a apoio financeiro para equipar laboratórios, sem cooperação científica.

Na opinião do diretor do Instituto de Física da USP-São Carlos (Universidade Federal de São Paulo - campus São Carlos) e especialista em manipulação de medicamentos, Glaucius Oliva - que vive essa realidade dentro da universidade - o cenário ideal para o Brasil é aquele em que, além de se fazer pesquisa básica nas Instituições de Ensino Superior, a indústria brasileira investisse em pesquisa aplicada. Dessa forma, ela criaria departamentos de P&D nas empresas, contrataria mão-de-obra qualificada para elaborar os estudos e todos sairiam ganhando. "A Öndia só conseguiu consolidar uma indústria no setor de fármacos a partir de uma mudança de estratégia priorizando investimentos em inovação no país", ressalta o pesquisador. O mesmo aconteceu no setor de informática com a consolidação da indiana Lenovo. Hoje, tão competitiva que comprou o setor de PC's da IBM. (Saiba mais lendo a matéria P&D no setor de Informática e TI).

No Brasil, as indústrias se envolvem pouco com essa questão. Além disso, as multinacionais não trocam conhecimento com a comunidade científica brasileira. O que elas fazem é testar seu medicamento aqui, não produzir. Para uma mudança de cenário, Oliva propõe a criação de uma Lei de Informática para o setor de fármacos. Incentivando que as empresas estrangeiras instaladas no Brasil transferiram seus centros de pesquisa para cá. Isso contribuiria para a consolidação de uma indústria nacional de que o Brasil tanto carece. "Enquanto o governo não se mobilizar para atrair P&D estrangeiro na área de fármacos, ficaremos a mercê da comunidade internacional para decidir sobre o nosso presente e nosso futuro", conclui Oliva.

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