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E a carreira, como fica?

      

Por Bárbara Semerene

Certamente um filho interrompe algumas oportunidades e a liberdade de pensar grande. Não dá para pensar em fazer mestrado no exterior ou um estágio de seis meses fora, em casa de família. Mas tanto os professores nas faculdades, quanto os empregadores no mercado de trabalho estão mais tolerantes com mamães e reconhecem os benefícios que a maternidade - precoce ou não - pode trazer para uma mulher profissionalmente: maior responsabilidade, maturidade e organização. Isso é o que garante a coordenadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB (Universidade de Brasília), Yone Vasques-Menezes.

"Não se nota que quem engravida tem pior desempenho, mas certamente que o esforço delas é muito maior", diz o professor de Tocoginecologia da Unicamp Aarão Mendes Pinto Neto, do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism). "Não adianta ter mais pique por ser jovem se o tempo é mais restrito. A sociedade hoje é mais exigente. Nas famílias, todo mundo trabalha, não tem como ajudar, e a própria criança exige mais hoje do que antigamente", acredita o docente.
Um estudo de Ivo Chermont, Alinne Veiga e Adriana Fontes, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, mostrou que nas classes mais escolarizadas, o impacto negativo na renda da mulher que teve gravidez precoce é maior. Os autores compararam, a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) de 2002, do IBGE, a renda média de mulheres entre 24 e 40 anos que tiveram filhos antes ou depois dos 20 anos. No grupo com mais de 12 anos de estudo, mulheres com gravidez precoce apresentavam uma média de rendimento de R$ 877, enquanto as que não tinham tido filhos antes dos 20 anos ganhavam R$ 1.290. No grupo de mais baixa escolaridade, praticamente não houve diferença.

Mas Yone relativiza os resultados dessa pesquisa. Tudo depende da motivação e da cabeça de cada jovem - algumas são mais focadas na carreira (independentemente de ter filhos ou não), outras menos. "Há adolescentes que têm uma proposta e uma expectativa de carreira antes mesmo de passar no vestibular. E tem aqueles que só querem fazer um curso", diz.

Outro fator levantado pela psicóloga são as condições que essa mãe adolescente vai ter para cuidar do filho. Se ela tem uma infra-estrutura, a gravidez não vai interferir em seu desempenho "A gente percebe na universidade que aquelas alunas casadas, um pouco mais velhas, com filho, acabam tendo uma seriedade no curso muito grande. Aí ela tem mais ganhos."

Mas se a infra-estrutura não é boa, um filho vai atrapalhar no sentido de que ela terá que se dividir em várias. Aí o filho vai disputar espaço com a saída, a inquietação da adolescente, a falta de paciência com a criança. E nesse caso a carreira e a vida estudantil podem ser prejudicadas. Segundo Yone, pode ser uma atitude inteligente também fazer um planejamento. Ficar dois anos mais dedicada a ser mãe e depois investir na vida profissional.

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