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Entenda a greve estudantil na USP

      

Desde o dia 3 de maio, estudantes da USP (Universidade de São Paulo) ocupam o prédio da reitoria (invadiram e expulsaram os funcionários). O que no início era uma manifestação contra o decreto do governador José Serra que limitaria a autonomia da Universidade, nesta quinta-feira, 17, ganhou caráter de greve - após assembléia na noite do dia 16 com 2 mil alunos (número divulgado pelos próprios estudantes grevistas). Aproveitando o ensejo, os funcionários da USP também aderiram à greve, reivindicando aumento de salário.

Não se sabe exatamente quantos alunos são a favor da greve, mas a maioria é contra a ocupação do prédio da reitoria, como declarou oficialmente o Diretório Central dos Estudantes (DCE), e congregações de várias unidades e institutos da USP - como a Escola de Engenharia de Lorena, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, a Faculdade de Educação, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Medicina Veterinária e Zootecnia, Odontologia, Odontologia de Bauru, o Instituto de estudos Avançados, Instituto de Geociências, Instituto de Química de São Carlos e a Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto.

A decisão de greve, no entanto, pareceu descabida para a reitoria da USP - que alega estar flexível a negociações, além do fato do governador ter voltado atrás em vários pontos de seu decreto. Quem está fazendo declarações representando a USP é a assessora de imprensa da IES, Márcia Avanza. "Num primeiro momento, a USP estranhou o decreto do governador, mas foram questões que - a partir do diálogo - estão se resolvendo. O governador voltou atrás em diversos pontos, e outros estão em discussão. Por enquanto, a autonomia da USP não está em risco", explicou Márcia. Segundo ela, neste primeiro dia que a greve foi anunciada, as aulas estavam correndo normalmente, e seriam poucos os alunos que teriam aderido à greve. "O que não está funcionando é aquilo que depende do aval da reitoria, cujos funcionários foram impedidos de trabalhar por conta dos alunos - como certificado de defesa de tese e aprovação de férias", explicou.

Os estudantes da USP elaboraram pauta reivindicando 14 itens, os principais deles são: aumento das moradias estudantis, contratação de professores, reformas nos prédios e a declaração oficial da reitora, Sueli Villela, com um posicionamento claro a respeito do decreto de Serra.

A USP já cedeu em alguns deles, como o da moradia estudantil. Enquanto os estudantes pediram 598 novas vagas, a reitora aceitou construir 304 (198 no campus de São Paulo, 68 em São Carlos, e 68 em Ribeirão Preto), o que foi insuficiente na visão dos alunos. Além disso, nesta quinta-feira, 17, foi publicado na Folha de S. Paulo, artigo da reitora com seu posicionamento a favor da autonomia da Universidade. Quanto à contratação de novos professores, nesta quarta-feira, 16, a USP divulgou a aprovação, pela Assembléia Legislativa de São Paulo, o Projeto de Lei Complementar 32/2006, que prevê a criação de 1.900 cargos de professor doutor para a universidade. O projeto, encaminhado em 2006 pelo então governador do Estado, Cláudio Lembo, foi votado e aprovado na terça-feira, dia 15. Não fica claro no texto, no entanto, quantos desses 1900 cargos prevêem a contratação de novos professores e não a regulamentação de docentes hoje no cargo de "professor assistente", já que a lei prevê a extinção de 1567 cargos de Professor Assistente.

O Universia entrou em contato com a comissão de comunicação do grupo organizador da ocupação - eles estão dentro da reitoria usando o telefone de lá - e conversou com um dos membros, Apoena Canuto, 21 anos, do terceiro ano de História. Segundo ele, a reitora não trata diretamente do decreto de Serra nem em seu artigo na Folha, nem em qualquer outro. "A gente quer um posicionamento oficial especificamente sobre o decreto, que não foi revogado. Sem revisão do decreto, a USP continua subordinada a um regime de perda de autonomia, o que significa que mensalmente teremos de fazer pedidos de verbas, não só publicar os gastos como é feito hoje. Isso dificultaria compra de materiais básicos para a IES e a realização de pesquisas alternativas, ou seja, perderemos liberdade científica", afirmou. Além disso, segundo Canuto, os 1900 cargos anunciados são, na realidade, a regularização dos cargos de professores que já estão na universidade e não a contratação de novos.

Luciana Scuarcialupi, 25 anos, estudante do último ano de Ciências Sociais da USP que não está participando da greve, acredita que, apesar do movimento ser legítimo, não funciona, é uma ferramenta desgastada. "O problema é que não se toca em um ponto primordial - o conceito de uma universidade pública. A gente está defendendo os nossos direitos e, na realidade, é uma minoria que estuda na USP. Como discutir autonomia de uma instituição que no fundo não é pública, pois não é acessível a qualquer pessoa? A gente já fere de antemão o princípio da universidade pública", afirma.

Nesta quinta-feira, 17, foi entregue aos estudantes um ofício de reintegração de posse da Reitoria. O documento comunica que, por decisão da 13¦ Vara da Fazenda Pública, o grupo de invasores deveria deixar o prédio imediatamente. Os estudantes não quiseram assinar o documento, que foi lido pelos oficiais de Justiça.

A recusa em deixar o local poderá implicar numa retirada à força - numa operação semelhante às que são realizadas em reintegrações de posse de locais invadidos por sem-teto, por exemplo. No entanto, o clima entre os estudantes parece ser de descrença quanto a uma eventual operação policial dentro dos limites da USP.

Para mais informações sobre a ocupação, acesse o blog dos estudantes: https://ocupacaousp.blog.terra.com.br

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