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EAD e a produção tecnológica no Brasil

      

Enquanto a Internet ainda engatinhava, a Educação a Distância já tinha anos de vida a sua frente. E mais, milhares de alunos espalhados por todo o mundo aprendendo. No Brasil, estava à frente do movimento pró EAD o Instituto Universal Brasileiro, distribuindo milhares de apostilas de norte a sul do país e formando estudantes no que, à época, correspondia ao 1¦ e 2¦ grau. E quem não se lembra do preconceito tão enraízado na mente do brasileiro sobre o método? Muito mais do que hoje, fazer educação a distância neste tempo era um caminho árduo e tortuoso.

O método, porém, vinha apresentando resultados. Com o tempo, os canais de TV passaram a adotar a metodologia de ensino a distância a fim de transmitir conhecimento. A Fundação Roberto Marinho apostou no seu projeto Telecurso 2000 que, em números, é considerado por especialistas, como o método mais bem-sucedido de Educação a Distância em nosso país. A explicação de tanto sucesso é muito simples. Segundo especialistas, é hábito do brasileiro sentar-se em frente à televisão e absorver o que ali é transmitido. Prova disso foi apontada na última pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que constatou haver mais televisores do que geladeiras nos lares brasileiros.

Eis que, a criação da Internet também foi determinante para a expansão da Educação a Distância. E, agora, com a possibilidade de TV Digital, a nova mídia se tornou a grande aposta para uma reviravolta em prol da EAD. Após muita especulação sobre o tema, alguns especialistas, porém, se mostram cautelosos quanto a verdade neste discurso. "Em médio prazo, não creio que, no Brasil, será a TV Digital, a mídia que irá expandir a Educação a Distância", defende o diretor científico da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), Waldomiro Loyolla. Sua aposta é que, por aqui, a Internet continue se sobrepujando a outros veículos de comunicação para a difusão da EAD.

A crença nessa "revolução" que poderia ser feita pela TV Digital esbarra no custo do desenvolvimento de projetos nesta linha e na falta de mão-de-obra especializada para criar cursos interativos que atinjam tal objetivo. Percepções que foram sendo assimiladas ao passo que a nova tecnologia veio chegando ao país. Outro fator que contribui para que os especialistas continuem apostando na Internet como meio de difusão da EAD é o baixo custo.

Hoje, com a Lei da Informática e a redução nos impostos sobre equipamentos eletrônicos ficou mais fácil ter acesso a micro-computadores e, assim modernizar as Instituições de Ensino e as próprias residências dos brasileiros com o computador. Ainda que muita gente não tenha acesso ao equipamento, a tendência é que isso mude radicalmente em curto prazo. "Os laptops de 100 dólares e o barateamento dos micros farão com que mais brasileiros possam ingressar na era digital via computador", explica.

Pode até parecer um contrasenso, se pensarmos que, já que brasileiro gosta de televisão, e em pouco tempo a TV Digital se tornará padrão no Brasil, que o "boom" da EAD seja feito por meio de computadores. Mas, é preciso lembrar que existe uma imensa parcela da população que mal sabe como funciona um computador. E mais, não terá idéia do que a TV Digital poderá oferecer. Além disso, o preço dessa tecnologia irá chegar ao mercado brasileiro com muitas cifras a mais do que a maior parte da população pode pagar. Vale lembrar que, nos países desenvolvidos, a história é completamente diferente. Lá, computadores são muito mais acessíveis há anos, assim como a TV Digital já está consolidada. O que mostra como estamos distantes dessa realidade.

Por uma TV educativa?

Enquanto o Brasil discutia o padrão tecnológico a ser implantado pelo governo brasileiro, o debate em torno do conteúdo e dos profissionais ficou um tanto quanto à margem do "negócio". Hoje, o padrão está às vésperas de estourar e falta pessoal qualificado para trabalhar essa revolução da comunicação. Aquilo que poderia ser o "boom" de uma programação de TV educativa também está sob uma grande nebulosa.

Para o presidente do Instituto Monitor, Roberto Palhares, embora haja uma grande expectativa em relação a programação educativa da TV digital, pela convergência de mídias que ela proporciona, os altos investimentos que demandam a criação de um projeto com tal foco será decisório na adoção ou não desta mídia para a educação a distância. "A TV exige grandes recursos para massificar a educação. Não vejo a TV digital como possibilidade de EAD a não ser que grandes empresas como a Fundação Roberto Marinho, por exemplo, tenham interesse em dispor de recursos para investir nesta linha", diz.

O diretor da Unisul Virtual - unidade da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) responsável por seus programas de EAD-, João Vianney, complementa que, hoje, a venda de computadores supera a de outros equipamentos como televisores, por exemplo. O custo de produção internacional dos equipamentos caiu. No entanto, falta qualificação técnica para a operação dos equipamentos nas escolas do ensino presencial das redes municipais e estaduais. Se isso ocorre com cursos ligados à educação via computadores, no cenário da TV digital o caminho a ser percorrido tende a ser ainda mais complexo.

O secretário substituto de Educação a Distância da SEED/MEC (Secretaria de Educação a Distância), Hélio Chaves Filho, que fica no cargo até a posse de Carlos Eduardo Bielschowsky, atual presidente da Fundação CECIERJ (Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro), se posiciona totalmente contrário a essa percepção. Ele acredita que se o governo implantar uma estratégia de TV interativa combinada com escola e com as emissoras para que haja canais de cunho educativo em favor da Educação a Distância nos moldes das discussões que, segundo ele, já estão sendo realizadas, a TV digital será, sim, muito promissora neste sentido. "Não tenho dúvidas de que estabelecidas estas diretrizes a tv digital será uma excelente ferramenta de educação", diz.

Para ele, trata-se de uma visão muito cartesianista a de que precisamos evoluir por etapas, ou seja, passando pelos micro-computadores para a TV digital. "Sou totalmente contra essa ótica fragmentada. A TV digital interativa pode proporcionar um cenário em que o usuário já surfe na programação com a possibilidade de canais via Internet. Estamos discutindo uma convergência de mídia, em que a própria TV tenha um terminal de computador. Não signfica, em absoluto, que o usuário terá de se adaptar ao computador para conseguir ter acesso à TV digital", explica.

O secretário destacou ainda que a proposta de TV pública que vem sendo discutida irá pretende trabalhar amplamente a Educação a Distância. No que diz respeito ao conteúdo, utilizado materiais vindos da própria academia por meio das Instituições de Ensino Superior envolvidas com a UAB (Universidade Aberta do Brasil). "Hoje, temos uma parceria com cerca 50 instituições e a idéia é trabalhar com as soluções em curso já disponíveis na própria Universidade Aberta", diz. Vale lembrar que as negociações neste aspecto ainda estão muito embrionárias, assim como a troca de informações e idéias com o ministério das telecomunicações em prol da viabilização de canais educativos no momento de consolidação da TV digital.
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