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UAB a expansão da EAD

      

Por Lilian Burgardt

No Brasil, apenas 30% dos municípios dispõem de Ensino Superior. Sobram nada menos que 3.941 cidades onde não há faculdades ou universidades. Além disso, a maior parte das 2.300 IES (Instituições de Ensino Superior) está situada apenas nas grandes capitais e no litoral. Entre a população com 18 a 24 anos, só 10,9% estão matriculados no Ensino Superior (na Argentina, esse percentual é de 47%. No Chile, é de 20,6%). O Plano Nacional de Educação, de 2001, apontou como meta estender o atendimento, na graduação superior, a 30% dos jovens entre 18 e 24 anos até o ano de 2011. Nesse contexto, surge a UAB (Universidade Aberta do Brasil), como uma das alternativas para a expansão da Educação Universitária e da consolidação do ensino a distância no País.

O Brasil aponta não só estatísticas, mas justificativas para investirmos em educação a distância. O governo sinaliza que está disposto a investir no setor para melhorar os números da Educação Superior Brasileira. Além disso, as universidades estão integradas em prol deste objetivo, ou seja, trazer mais brasileiros para o 3º grau. "Fico muito feliz em ver um projeto como a UAB saindo do papel. Especialmente porque ela é um desejo muito forte de toda comunidade envolvida com a EAD no Brasil", destaca o diretor científico da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), Waldomiro Loyolla.

Para ele, além da abertura de vagas - 90 mil novas, como anunciou o governo - do financiamento de cursos de estudantes e da abertura de novas oportunidades para os docentes envolvidos, o projeto tende a ser um divisor de águas porque fará com que as IES trabalhem em um regime de cooperação. "A criação da UAB marca uma nova era para as instituições que trabalharão juntas em prol de um projeto pedagógico", frisa.

O diretor da Unisul Virtual - unidade da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) responsável por seus programas de EAD-, João Vianney, também destaca sua alegria em ver a chegada da Universidade Aberta do Brasil como uma proposta pedagógica de união das IES. Ele conta que, em 1999, concluiu um estudo para seu doutorado que mostrava uma defasagem de mais de 30 anos do Brasil em relação à criação de universidades públicas à distância. A Inglaterra criou a Open University em 1969, a Espanha criou a Universidade Nacional de Educação a Distância em 1972 e, mesmo países periféricos, como Equador e Venezuela, criaram suas "universidades abertas" nesta época.

Para o secretário substituto da SEED/MEC (Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação), Hélio Chaves Filho - que fica no cargo até a posse do professor Carlos Eduardo Bielschowsky, atual presidente da Fundação CECIERJ (Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro) - um dos maiores benefícios que a UAB trará para a descentralização do Ensino Superior é o de trabalhar articulando as IES, bem como os poderes públicos estadual e municipal. Em sua opinião, um desafio que, se superado, será um exemplo de como com interesse e boa vontade é possível criar projetos de sucesso.

Ele encara o projeto não só como a grande oportunidade para o Brasil cumprir a meta dos 30%, mas de conseguir atrair e formar novos professores para atender a demanda do Brasil. "A gente sabe da carência de bons professores e de como é difícil enviá-los para as regiões mais distantes do Brasil permitindo uma descentralização do conhecimento. Com a UAB consolidada isso vai ser possível", destaca.

O que precisa melhorar

Mas não é apenas de boas previsões que está recheado o futuro da UAB. Embora o atual movimento conspire à favor de seu sucesso, especialistas dizem que é preciso ter cautela, especialmente porque uma revolução no ensino não é feita do dia para a noite. O presidente do Instituto Monitor, Roberto Palhares, alega que a comunidade acadêmica e o governo vêm apostando pesado na iniciativa, como se fosse possível conquistar resultados surpreendentes em apenas quatro anos. "A meta de 30% de alunos matriculados em Instituições de Ensino Superior é muito ambiciosa. Para isso, seria preciso que o sistema da UAB estivesse não só formatado, mas testado e aprovado, o que não é nossa realidade", critica Palhares.

Vianney também lembra o fato de que o modelo de financiamento estabelecido para iniciar os trabalhos remunera os professores e os técnicos das universidades públicas por meio de bolsas de incentivo, enquanto que nos demais países foram contratados profissionais com dedicação específica para estruturar as universidades virtuais. "Entendo que, dentro de uns cinco a dez anos, já com uma competência estabelecida na maioria das universidades públicas federais e estaduais, o MEC tomará a iniciativa de formalizar uma ou mais instituições dedicadas à educação a distância", diz.

Para o secretário, o modelo ainda está sendo construído, o que significa que ele está aberto, sim, a modificações, estas, a serem construídas não só pelo governo, mas pelas próprias instituições e sociedade. "De novo, é uma proposta que visa articular a união entre governo universidade e sociedade construindo um modelo que atenda as necessidades de todos", diz.

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