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Notícias

Raio-x da EAD no Brasil

      
Por Lilian Burgardt

Assim como toda grande novidade, a região Sudeste do Brasil foi a primeira a abraçar a EAD (Educação a Distância) e ramificá-la em suas diversas instituições de ensino. Seja pela grande quantidade de instituições de Ensino Superior e, também, pela enorme demanda de alunos presentes, a região dominou, desde meados de 2001, quando houve seu primeiro "boom", a expansão da EAD no Brasil. No ano de 2005, segundo dados do ABRãD (Anuário Brasileiro Estatístico de Educação a Distância) a região concentrava 50% dos alunos estudando a distância.

? interessante observar, porém, que a edição 2007 do anuário aponta uma mundança radical na capilarização da EAD no Brasil, colocando o Sul do país na primeira colocação entre as regiões que mais concentram alunos de EAD e, juntamente com a região Centro-Oeste, a que mais cresce em número de estudantes. Para se ter uma idéia, só no ano de 2006, do total de 778. 458 estudantes matriculados em cursos de Educação a Distância em instituições de ensino credenciadas, 258.623 estavam concentrados na região Sul, 243.114 na região Sudeste e 135.998 na Centro-Oeste.

Número de alunos em instituições autorizadas pelo
Sistema de Ensino a ministrar EAD no Brasil - 2004-2006

RegiãoEstado200420052006
ÿÿAlunos% do total Alunos% do totalAlunos% do total
Centro-Oeste Distrito Federal 17.143ÿ42.783ÿ124.329ÿ
Goiás836ÿ956ÿ2.735ÿ
Mato Grosso 3.500ÿ4.817ÿ5.384ÿ
Mato Grosso do Sul 2.109ÿ3.055ÿ3.550ÿ
Total Centro-Oeste 23.5887,6%51.61110%135.99817,5%
NordesteAlagoas1.150ÿ1.330ÿ943ÿ
Bahia500ÿ3.300ÿ31.231ÿ
Ceará52.687ÿ49.353ÿ38.300ÿ
Maranhão2.185ÿ6.956ÿ7.465ÿ
Paraíbaÿÿÿÿ20ÿ
Pernambucoÿÿ360ÿ3.116ÿ
Piauíÿÿÿÿ473ÿ
Rio Grande do Norte ÿÿ1.625ÿ3.434ÿ
Sergipe830ÿ1.404ÿ4.836ÿ
Total Nordeste 57.98218,7%64.32813%89.81811,5%
NorteAmazonasÿÿÿÿN.D.ÿ
Pará2.144ÿ973ÿ10.097ÿ
RondôniaÿÿÿÿN.D.ÿ
Roraimaÿÿÿÿ654ÿ
Tocantins9.500ÿ21.640ÿ10.154ÿ
Total Norte 11.6443,7%23.2435%50.9056,5%
SudesteEspírito Santo 6.777ÿ7.942ÿ1.054ÿ
Minas Gerais 26.340ÿ37.584ÿ38.999ÿ
Rio de Janeiro 49.865ÿ29.579ÿ53.403ÿ
São Paulo 80.905ÿ144.162ÿ149.658ÿ
Total Sudeste 163.88753%239.26747%243.11431.2%
SulParaná29.846ÿ89.891ÿ141.793ÿ
Rio Grande do Sul 2.618ÿ7.249ÿ60.642ÿ
Santa Catarina 20.392ÿ28.615ÿ56.188ÿ
Total Sul 52.85617%125.755ÿ258.62333,2%
ÿTotal Geral 309.957ÿ504.204ÿ778.458ÿ
FONTE: ABRãAD/2007

Em porcentagem, isso significa que, hoje, o Sul detém 33% dos alunos de EAD, contra 31% do Sudeste. Isso mostra ainda que, além de uma queda acentuada, o Sudeste também dividou seus alunos com outras regiões, como a Centro-Oeste que, só nos últimos três anos, passou de 7,6% para 17,5% do total de alunos matriculados em instituições credenciadas oferecendo cursos de EAD no Brasil.

Segundo especialistas, tal mudança de cenário sobre Educação a Distância é muito positiva, primeiro porque a expande para outros estados com menor concentração de renda e, também, com um leque menor de Instituições de Ensino Superior do que a região Sudeste. Em segundo lugar, porque aponta uma melhor distribuição dos alunos envolvidos com EAD no Brasil. (Veja, na tabela ao lado, que ao contrário do que acontecia em 2005, quando São Paulo detinha a maior porcentagem de estudantes, o número de alunos está mais equilibrado entre as três regiões, Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com 33%, 31% e 17,5% respectivamente).

"Na região Sudeste tudo acontece primeiro. A Educação a Distância também começou por aqui e agora, já consolidada, passou para outros estados. ? um cenário promissor indicando que há demanda de cursos em outras localidades e que a EAD está se expandindo para atender as regiões de maior demanda, ou seja, as mais distantes e carentes do país", destaca o diretor científico da ABED, (Associação Brasileira de Educação a Distância), Waldomiro Loyolla.

Para o presidente do Instituto Monitor - escola que oferece cursos de educação a distância e desenvolve o Anuário com o patrocínio do MEC e o apoio da ABED, Roberto Palhares, o que há de mais interessante nesse novo contexto é que, até pouco tempo, não era possível imaginar uma expansão da EAD tão veloz. "Um novo campo, desconhecido por muitos, com um crescimento como esse é realmente espantoso. Isso mostra o quanto as mais diferentes regiões brasileiras estão apostando na EAD", ressalta.

Mudança de paradigmas

As transformações do setor também indicam outros particularidades determinantes para o sucesso da EAD no Brasil, como a redução da restrição à metodologia de ensino, tanto por parte dos estudantes, como pelas instituições, além de um maior interesse pela EAD vindo da população que realmente precisa desse tipo de educação para ascender profissionalmente, ou seja, pessoas com maior faixa etária e baixa escolaridade.

Isso se reflete nos números, tanto é que, hoje, o crescimento de alunos regularmente matriculados em cursos de EAD credenciados no Brasil é de 150%. Um Entre 2004 e 2006, um aumento de 309.957 estudantes para 778.458. Também cresceu em 36% o número de instituições autorizadas ou com cursos credenciados para oferecer tal modalidade de ensino no mesmo período. Um salto de 166 para 225 instituições. "Não há dúvida de que este percentual de crescimento é reflexo do interesse de uma população que precisa estudar em condições flexíveis e, até então, não tinha alternativa", garante Loyolla.

Crescimento do número de instituições autorizadas pelo sistema de Ensino (CNE E CEEs) a
praticar EAD e de seus alunos, de acordo com levantamento do ABRãAD 2004 ? 2006

ÿ200420052006Crescimento
2004 - 2006
Número de instituições autorizadas ou
com cursos credenciados
16621722530%
Número de alunos nas instituições309.957504.204778.458150%
FONTE: ABRãAD/2007

Para o especialista da ABED, isso inclui, majoritamente, a população carente que precisa trabalhar e não consegue ter freqüência em um curso presencial, além de que, de maneira geral, a população brasileira passou a ter mais acesso à modernas tecnologias como computador e a Internet, facilitando seu ingresso em cursos a distância por meio do e-learning. (Confira a porcentagem de crescimento de alunos e instituições oferecendo EAD na tabela abaixo)

Importante: vale lembrar que os dados das tabelas se referem apenas a educação a distância oferecida em Instituições de Ensino credenciadas pelo MEC (Ministério da Educação). Contabilizando os vários tipos de curso existentes, ou seja, ensino credenciado, educação corporativa, e outros projetos nacionais e regionais como: Sebrã, CIEE, Fundação Roberto Marinho, entre outros, o total de alunos matriculados em cursos a distância salta para a casa dos 2,79 milhões. Isso significa que um em cada oitenta brasileiros estudou por EAD no ano passado. Neste cenário, ainda hoje, a região Sudeste continua detendo da maior parte dos cursos de oferecidos nesta modalidade de ensino, seja na rede credenciada, ou por educação corporativa e outros projetos nacionais, 659 do total de 899 existentes no Brasil todo.

O diretor da Unisul Virtual - unidade da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) responsável por seus programas de EAD-, João Vianney, contente com a expansão da EAD em sua região, explica que é preciso verificar este crescimento em três dimensões. Há uma expansão no ingresso de uma população adulta, com faixa etária na casa dos 35 anos, e que está se matriculando em cursos de graduação focados nas áreas em que estes alunos já atuam profissionalmente, o que é muito positivo. "Estes alunos conquistam, ao mesmo tempo, uma melhoria da performance profissional e realizam sonho de conquistar um diploma de graduação", reforça.

Um segundo grupo de alunos, também em expansão, reúne candidatos na faixa dos 25 aos 35 anos, e que ingressa em cursos de grande demanda como Administração e Ciências Contábeis, em busca de uma formação para conquistar um espaço no mercado de trabalho. Há uma terceira dimensão, que corresponde ao ingresso em cursos de Licenciatura a distância, englobando um grande número de alunos com faixa etária entre 18 e 24 anos, recém saídos do Ensino Médio.

"Sobre este fenômeno o Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul pronunciou-se de maneira restritiva, por entender de que a formação de professores deveria receber um tratamento especial e diferenciado. Na prática a manifestação do Conselho de Educação gaúcho sinalizava de que entendia os modelos de educação a distância como adequada para fazer a formação superior de professores leigos que já estivessem em sala de aula, mas não suficiente para formar pós-adolescentes ainda sem experiência docente. Esta é uma questão polêmica, e que está preocupando inclusive o Ministério da Educação", diz.

Vale lembrar que, em 2006, o Universia elaborou uma reportagem sobre Educação a Distância para jovens recém-saídos do Ensino Médio, e a maior parte dos especialistas entrevistados, incluindo o próprio professor Vianney, destacou que o método realmente não era o mais indicado para jovens em geral. O argumento, no entanto, não colocava em discussão a qualidade do método de ensino, mas a importância da vivência no ambiente universitário que é determinante para a formação do jovem. Na ocasião, o professor destacou: "é claro que o ideal é que estudantes tenham essa vivência, mas é preciso destacar que o estudante que não tem essa oportunidade por uma dificuldade de acesso não está em desvantagem em termos de qualidade de ensino." (Leia mais sobre tema em Graduação.com não é para adolescentes).

Atualmente, reflexo da ampla difusão da Educação a Distância no Brasil, o discurso de especialistas em relação a EAD vem a sobrepujar preconceitos como a dificuldade de organização do jovem que estuda sozinho e a falta de maturidade de um egresso do Ensino Médio para ser o "senhor de seu conhecimento". "Em conversas informais com diretores de RH de grandes empresas escuto muitos elogios sobre a postura dos estagiários e profissionais que vieram de um curso a distância", destaca Loyolla. Em geral, o especialista diz que o discurso positivo em relação à postura profissional destes jovens permeia pela disciplina e a excelência da busca e análise de informações. "Demandas nem sempre cumpridas por profissionais formados no método tradicional de ensino", diz.

Estes fatores aliados a crescentes investimentos em produção tecnológica e a criação e consolidação da UAB (Universidade Aberta do Brasil) - grande aposta do governo federal para a expansão universitária e maior inserção de jovens no Ensino Superior - indicam que a Educação a Distância trará resultados importantes para a Educação Superior no país, ainda que especialistas tenham críticas fortes à atual legislação praticada pelo MEC a fim de regular o setor. Para saber mais sobre estes temas, continue navegando neste especial acessando os links acima e à direita.

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