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Pós lato sensu: como escolher a sua?

      

Por Bárbara Semerene

Segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, realizada em 2004, o setor privado de pós-graduação cresceu 30% entre 2001 e 2004. O crescimento se deu, principalmente, por causa dos MBAs e das especializações (cursos de pós-graduação lato sensu) com carga horária menor e critérios de seleção e avaliação mais flexíveis do que os mestrados e doutorados (classificados como pós-graduação stricto sensu). Diante de tanta oferta, como saber quais cursos são idôneos, quais são "caça-níqueis" e quais realmente vão acrescentar à sua carreira?

Saber qual parâmetro usar é muito importante, uma vez que a maioria desses cursos são caros e requerem disponibilidade de tempo. Nos casos dos cursos stricto sensu, fica mais fácil decidir, uma vez que a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) realiza uma avaliação formal sobre estes, os quais são sujeitos às exigências de autorização, reconhecimento e renovação - concedidos por prazo determinado, dependendo de parecer favorável da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Já para os cursos lato sensu não há exigência de autorização, o que torna mais difícil o controle de qualidade. Mas este pode ser feito pelo aluno, se ele souber fazer uma boa análise.

A primeira coisa a ser checada é se o curso tem os pré-requisitos estabelecidos pelo MEC para as pós-graduações lato sensu:

    - Duração mínima de 360 horas;
    - Exigir trabalho ou monografia de final de curso;
    - Mínimo de 75% de presença dos alunos;
    - Corpo docente constituído por 50% de mestres e doutores.
    - Ser oferecido por uma Instituição de Ensino Superior ou por Instituição especialmente credenciada para atuar nesse nível educacional, exclusivamente em sua área de atuação.

? possível verificar esses itens diretamente na instituição, que é obrigada a fornecer todas as informações acerca deste curso: composição curricular, corpo docente, duração do curso e horários de aula, metodologia, horários de orientação para monografia ou trabalho de conclusão de curso, portaria ou resolução interna do órgão máximo da instituição criando o curso. A supervisão do MEC sobre os cursos de lato sensu acerca do atendimento das exigências previstas é feita no momento das avaliações do SINãS (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior), quando efetivamente estas informações são verificadas in loco. Além disso, o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) está desenvolvendo um cadastro nacional de cursos lato sensu que vai conter todas as informações sobre estes cursos. Só não há ainda data de lançamento. E há os procedimentos de supervisão do MEC com base na manifestação (via comunicados ou denúncias) que são verificadas pela SESu (Secretaria de Educação Superior).

Se está tudo dentro da lei, o próximo passo é avaliar os seguintes aspectos:

- Status da IES no mercado
Se os cursos de graduação, mestrado e doutorado da IES são bem avaliados e de renome, necessariamente os cursos de pós lato sensu também serão bons? A questão é polêmica. Para Marco Antônio Quége, coordenador do Certificate e da Educação Executiva do IBMEC São Paulo, uma IES bem avaliada pela Capes por seus cursos stricto sensu é um bom indicativo de que a instituição se preocupará em ter referenciais fortes em todos os níveis. Para o consultor de gestão de Ensino Superior Ryon Braga, no entanto, não se pode fiar nisso. "Não necessariamente uma IES bem avaliada pela Capes no stricto sensu é bom no lato, já que a avaliação do primeiro tem um viés acadêmico. Já o lato não tem vínculo com produção científica, ao contrário, foca nas necessidades profissionais do aluno, esse é o principal atributo desse tipo de especialização", explica. Segundo o consultor, é importante ver se o curso está de acordo com as necessidades profissionais do aluno e, em segundo lugar, se os professores do curso estão inseridos no mercado, em qual empresa trabalham, pouco importa a carreira acadêmica deles. Vale a pena, também, pedir o coaching de consultores e profissionais da área de Recursos Humanos da empresa onde você trabalha. Eles normalmente têm mais conhecimento sobre bons cursos.

Outro bom caminho para se verificar o prestígio do curso é ver quem são os ex-alunos: se é gente de renome naquela área, alguém bem sucedido na empresa onde você próprio trabalha, bom sinal. Tente se aproximar deles para pedir maiores informações. A própria instituição pode lhe passar os contatos de ex-alunos. "Aqui nos programas que coordeno no IBMEC São Paulo, 90% dos meus novos candidatos chegam através de indicações de antigos alunos, o que acaba sendo uma chancela bastante importante. Até publico depoimentos deles no nosso site", afirma Quége. No caso de MBAs, há rankings internacionais de avaliação, como o da AACSB (Associate for Advanced Colegiate School of Business - www.aacsb.edu) e da Amba (Associate of MBAs - www.mbaworld.com).

- O nível dos seus futuros colegas
A turma também fará parte de seu aprendizado, e mais: é essencial para o seu networking. Uma boa forma de avaliar o nível que terá os seus colegas é pelo critério de seleção da IES para o curso. Quanto mais rigoroso o processo seletivo, mais chances de melhor ser o nível dos alunos. No IBMEC São Paulo, por exemplo, são identificados o momento profissional dos alunos, a experiência profissional e os gaps que aparecem ao se confrontar a área de formação com a demanda profissional. Também são avaliados os planos profissionais dos alunos no médio prazo.

"A qualidade do corpo discente é fator de sucesso dos nossos cursos no IBMEC São Paulo", afirma Quége. Lá, busca-se alunos que têm bem claro em mente o percurso profissional que querem percorrer. As IES de boa reputação, em geral, se preocupam em ter alunos que já são reconhecidos em suas áreas de atuação ou que têm esse potencial porque é um ciclo virtuoso: esse bom profissional vai ganhar visibilidade depois do curso e vai indicar esse mesmo curso para profissionais mais novos, que vão confiar em sua indicação. Ou seja: o aluno constrói a reputação da escola.

"O mercado não contrata o título nem o diploma de alguém, mas a capacidade de solucionar determinados problemas. Queremos gente com essa capacidade. Não recomendo procurar um curso de pós se você não tem objetivos claros de carreira e está esperando que a IES faça milagres por você", explica Quége.

Segundo ele, é saudável que a IES monte turmas com uma heterogeneidade controlada: gente de diferentes áreas de graduação, de diferentes experiências profissionais (vindas de ONGs, consultorias, multinacionais, empresas familiares). "Essa mistura tende a enriquecer as aulas", explica. Para tanto, o IBMEC São Paulo realiza, no processo seletivo, entrevistas com os candidatos, formulário de aplicação que detalha informações sobre o aluno, tais como os projetos relevantes que já fez, as grandes dificuldades que já enfrentou até esse determinado momento da carreira, porque está nos seus planos estudar nesse ano, o que espera desse programa. "Não são raras as vezes que mandamos o candidato voltar depois de alguns anos, quando já estiver mais maduro profissionalmente." Um alerta: fuja de cursos que só basta pagar caro para entrar.

- A infra-estrutura do curso
Vá conhecer a escola ao vivo e a cores. Não adianta ficar só pesquisando pela internet, trocando e-mails com os coordenadores e falando ao telefone. ? preciso ver para crer. Converse com o gestor do programa ao vivo. "Assim dá para ter um feeling sobre o 'estilo de vida' daquele curso", diz Quége. Observe se a escola lhe agrada fisicamente.

- A grade curricular e a metodologia de ensino
Não se deixe deslumbrar por disciplinas de nomes pomposos. Vá atrás de saber do que elas realmente vão tratar. Quando você está buscando especialização na área que já atua, fica mais fácil saber se aquelas disciplinas vão acrescentar ao seu conhecimento. Mas quando é para uma área desconhecida, o melhor é recorrer à gente da área para ajuda-lo a avaliar as matérias oferecidas e no que elas agregarão ao seu conhecimento e aprimoramento profissional. "Desconfie se o curso se propõe a abordar muitas disciplina em curto espaço de tempo. Isso indica que não há um projeto pedagógico muito amarrado e específico", alerta Braga.

Outra coisa que deve ser pesada é a metodologia do curso: recursos e ferramentas em relação às especificidades da área. "Se o curso é na área de Negócios, por exemplo, é bom que tenha simulações, estudos de casos, jogos empresariais. Mau sinal se só tiver aula expositiva", afirma. Segundo ele, é importante ter uma estrutura de ensino diversificada.

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