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O que os especialistas estão fazendo?

      

Por Silvia Angerami

O aumento da temperatura no planeta preocupa. Segundo o relatório divulgado em fevereiro pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da sigla em inglês), da ONU (Organização das Nações Unidas), a temperatura média mundial aumentará entre 1,8ºC e 4ºC até 2100, elevando o nível do mar entre 18 e 59 centímetros e aumentando a chance de ocorrência de fenômenos como ciclones, secas e enchentes.

A questão do aquecimento global não está ligada somente às mudanças climáticas. Em decorrência do aumento das edificações, formaram-se ilhas de calor. A impermeabilização do solo e a conseqüente evaporação ocasiona o aumento dos temporais e trombas dïagua. Na seqüência de tanta chuva, surgem as enchentes.

Esses fatos motivaram a WWF (World Wide Foundation) a promover uma ação em março, junto ao povo australiano. Todos foram convidados a ficar uma hora sem luz pela causa contra o aquecimento global. O movimento Earth Hour, liderado pela cidade de Sydney, promoveu a idéia de corte de 5% das emissões de dióxido de carbono por empresas, comunidades e pessoas em 2007. Veja o comercial criado pela Leo Burnett para promover a idéia e multiplicá-la pelo mundo.

Veja vídeo neste link.

Sem exageros

A pesquisadora científica Mirian Ramos Gutjahr, geógrafa, doutora e mestre em Ciências na área de Climatologia pelo departamento de Geografia da USP, comenta que para que a sociedade tenha um comportamento consciente e unido, é necessário que exista uma organização e um controle tanto do poder público quanto da iniciativa privada, na prevenção dos desastres naturais. "Isso pode ser feito, por exemplo, impedindo que pessoas morram ao ocupar áreas de risco. ? importante alertar e ensinar a população", afirma ela.

Desastres naturais - como a atividade de um vulcão, terremoto, secas ou enchentes - são dinâmicas do planeta, que só se transformam em desastres de fato quando existe a presença humana no local onde elas ocorrem. "Quando essas coisas acontecem e estão relacionadas a mortos ou a feridos, é que se tornam desastres", explica.

Já os desastres climáticos acontecem sempre em relação a variações climáticas, que podem provocar chuvas torrenciais que são a causa de deslizamentos e de inundações, ou à emissão de gases poluentes, que contaminam e envenenam as pessoas. "Com o aumento da temperatura existe uma tendência para que esses eventos ocorram de maneira mais intensa e mais freqüentemente", afirma.

A professora Mirian diz que o mais recente relatório do IPCC comprova as suspeitas dos anteriores, ou seja, desde fevereiro, existe a certeza de que a influência é antropológica. "Isso quer dizer que a tendência é que a gente tenha maior quantidade de eventos que podem se transformar em desastres, como por exemplo o derretimento de geleiras e de neves nas calotas polares".

Mas, calma! Ainda não é hora de se apavorar. O glaciólogo Jefferson Simões, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) critica as interpretações exageradamente catastróficas e afirma que o "derretimento" da Antártica ainda não é um perigo iminente, como algumas notícias querem nos fazer acreditar. "Apenas 0,7% do gelo do planeta está derretendo e a participação do gelo antártico nesse percentual é mínima", diz ele.

Mas ninguém nega que as cenas mostradas no documentário "Uma Verdade Inconveniente", do ex-vice presidente norte-americano Al Gore, não são ficcionais. "Todos aqueles eventos não são inventados, é um documentário", destaca a professora Mirian.

Veja, no menu ao lado, link para reportagem especial sobre este e outros filmes sobre a questão do aquecimento global e dos desastres naturais / climático.

Para ela, o que foi feito até agora ainda foi pouco para sensibilizar a população para o problema. "Infelizmente, a população ainda está totalmente alheia a isso. Os cientistas, acadêmicos, universitários e a mídia não está conseguindo sensibilizá-los suficientemente", critica.

A pesquisadora acredita que está na hora de trazer esse problema para o nosso cotidiano. "A educação ambiental tem que estar mais presente na vida das pessoas e das crianças. Nós temos o mau hábito de gastar energia com grande desperdício, desperdiçar fontes de energia não-renováveis, abusar dos combustíveis fóssesis, além de sermos responsáveis pela emissão de gases que provocam o envenenamento e o aquecimento da atmosfera. ? necessário que haja uma grande mudança de comportamento, embora as pessoas não façam essas coisas por mal, mas por desconhecimento", acredita Mirian.

Na sua opinião, é necessário que haja mais divulgação, mais campanhas educativas, como a que o governo faz para combater o problema da dengue. "Quando o governo julga que existe uma ameaça importante, ele faz muitas campanhas. Seria necessário essa mobilização geral para que conseguíssemos uma boa economia de água e de eletricidade", espera ela.

Construções de madeira

O professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Carlos Alberto Szücs, doutor em Ciências da Madeira em 1991 pela Université de Metz, na França, afirma que o processo fisiológico de crescimento das árvores, no momento da fotossíntese, é responsável pela captura do dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. "Sabe-se também que é na formação do tecido lenhoso que esse carbono fica seqüestrado. Atualmente, essa captura e seqüestro do carbono, têm importância vital, uma vez que o carbono livre na atmosfera vem contribuindo para a densificação da camada de gases que envolve o nosso planeta e, quanto mais densa essa camada, menos permite que os raios ultravioleta retornem na proporção necessária. Essa retenção dos raios ultravioleta vem provocando o aquecimento global e o conseqüente efeito estufa", explica.

Por isso, ele defende o emprego das madeiras nas construções. "O uso da madeira coloca em evidência dois aspectos relevantes de consciência ambiental para os dias de hoje: o emprego de um material que é de fonte renovável e que pode ser produzido em florestas plantadas; e o emprego de um material que captura e seqüestra o carbono, antes livre na atmosfera", enumera. O professor Szücs acredita que "deveria existir também por parte do governo, um ato de consciência ambiental, traduzido na forma de incentivos fiscais às construções em madeira".

Manifestação

Mas não é só de estudos e pesquisas científicas que se dá a atuação da universidade junto à sociedade. A UCB (Universidade Católica de Brasília), por exemplo, vai realizar um simpósio sobre o aquecimento global de 29 a 31 de maio. Mas além da programação normal do simpósio, com palestras e debates, haverá uma manifestação pública dos alunos da UCB nas embaixadas dos Estados Unidos e da China. "A manifestação será pacífica e diferente. A China e os Estados Unidos, maiores emissores de gases do efeito estufa no mundo, criticaram os resultados do relatório da ONU divulgado no início deste ano", comentou o coordenador do evento, professor Genebaldo Freire.

O efeito estufa, as conseqüências e as causas
Enrique Ortega *

Por favor, não culpem as vacas pelo efeito estufa, nem aos sitiantes. A responsabilidade cabe aos que tomam as decisões de peso: as grandes empresas dos países industrializados que, através de seus lobbies e governos mancomunados, mudaram o espírito dos trabalhos da Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992. A Agenda 21, cujo objetivo era estabelecer as ações e metas para mudar os rumos do planeta e torná-lo sustentável, foi descaracterizada.

O bem-estar das empresas norte-americanas (grandes emissoras de gases de efeito estufa) ainda é colocado acima dos interesses da espécie humana, cuja sobrevivência dependeria desses acordos globais. O pagamento da dívida externa dos países latino-americanos (injusta e muitas vezes paga) obriga os países do cone sul a destruir suas florestas para exportar gado e soja. E nos dias atuais, decisões sobre biocombustíveis estão sendo tomadas sem debate público, sem analisar alternativas e o impacto sócio-ambiental delas.

Os responsáveis são aqueles que perderam o sentimento de solidariedade, que colocam o lucro das grandes empresas como máxima prioridade, que condenam à extinção a inúmeras espécies e que destroem o futuro da espécie humana.

(trecho de artigo publicado no Portal ComCiência: https://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=22&id=238)

Enrique Ortega é pesquisador do Laboratório de Engenharia Ecológica, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp

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