text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Hollywood e a natureza

      

Por Felipe Datt

Tragédias naturais sempre fizeram a cabeça dos grandes estúdios de cinema norte-americanosÿ- e das platéias ao redor do globo. E explorar o medo do ser humano com imagens realistas da natureza foi um tiro certeiro. Com blockbusters de sucesso ao longo das últimas três décadas, foi em especial em meados da década de 90 que as catástrofes envolvendo furacões, vulcões, tempestades, inundações e qualquer outra "revolta" natural que envolvesse mortes e destruições encheram os cofres de Hollywood. Os atentados contra as torres gêmas em setembro de 2001 e outras tragédias recentes, como o furacão Katrina, que desolou Nova Orleans, fizeram com que os executivos dos estúdios puxassem o freio nesse tipo de produção. Mas elas estão prontas para voltar com toda a força.

A lista de filmes é grande eÿ- descontando os exageros e a falta de realismo em algumas históriasÿ- recheada de títulos divertidos. Um dos mais emblemáticos filmes nessa linha é "Twister" (1996), grande sucesso de bilheteria que retratava a (real) história dos "caçadores de tornados", pessoas comuns que até hoje aguardam a chegada das temporadas de ventos fortes para correr atrás de tufões e furacões. Para se ter idéia de como esse tipo de produção agrada as platéias, o orçamento de Twister foi de US$ 92 milhões, com o filme arrecadando, nas bilheterias de todo o planeta, US$ 470 milhões.

Na categoria tragédias envolvendo vulcões, duas divertidas obras foram lançadas também no final da década passada: "O Inferno de Dante" e "Volcano ? A Fúria" (ambos de 1997). No primeiro, um vulcanologista (especialista em fenômenos vulcânicos) tenta convencer o conselho dos cidadãos da fictícia cidade de Dante a declarar estado de alerta, pois um vulcão muito próximo, que está inativo há vários séculos, entrará em erupção. Em "Volcano", um fenômeno faz com que um vulcão inativo entre em erupção em Los Angeles, destruindo os cartões-postais da cidade.

Um pouco mais para frente a onda foi, literalmente, explorar filmes com mares revoltos e tempestades avassaladoras. Em 2000 foi lançado "Mar em Fúria", que contava a história dos tripulantes de um barco pesqueiro às voltas com a mais terrível das tempestades em pleno alto-mar. Ou a "onda perfeita", como batizaram. O filme seguiu o lançamento de "Tempestade" (1996), que envolvia crimes e assassinatos em meio a um dilúvio em uma cidade norte-americana.

A nova onda

Depois de um hiato de alguns anos e um relativo esgotamento do tema, Hollywood já deu as primeiras cartas daquele que deve ser o segundo round na onda dos filmes-catástrofe. Os inimigos continuam os mesmos, mas ao invés de culpar apenas uma raivosa Mãe-Natureza, a bola da vez é atacar o próprio ser humano como desencadeador de um dos grandes motivos de pânico desse novo século: o aquecimento global. A própria cerimônia do Oscar este ano deu a pinta dessa preocupação: a moda é ser "verde", do bufê servido nas festas pós-prêmio às limunises pouco poluentes que levam e trazem os artistas.

Na tela grande, um dos poucos exemplares nessa categoria, até o momento, é o "O Dia Depois de Amanhã". O filme estreou há três anos e causou polêmica entre cientistas, geólogos e especialistas no tema, que se dividiram em relação à história que aborda uma série de alterações climáticas modificando drasticamente o planeta e fazendo com que milhões partissem rumo ao Hemisfério Sul. O filme deixa claro a influência do homem no processo de aquecimento da atmosfera e, posteriormente, seus reflexos diretos no planeta. Se peca pela falta de verossimilhança, ganha pontos com os efeitos especiais impecáveis e com a cena final, em que os norte-americanos são proibidos de passar pela fronteira do México em busca de refúgio.

Mas o mais polêmico título a tratar de aquecimento global está longe de ser ficção. Vencedor do Oscar de Melhor Documentário este ano, "Uma Verdade Incoveniente" (2006) foi a forma do ex-vice presidente americano Al Gore escancarar ao mundo sua análise sobre o aquecimento global, mostrando os mais variados pontos de vista sobre o tema e as possíveis alternativas para que o planeta não passe por uma catástrofe climática nas próximas décadas.

Nada do que está ali chega a ser muito novidade: o nível dos mares está subindo, as geleiras derretendo, a temperatura média da Terra cresceu nos últimos cinqüenta anos, faltará água potável em breve, os recifes de corais estão desaparecendo. Tudo isso no meio de detalhes sobre a infância de Gore e sua própria relação com o meio ambiente, o que fez com que fosse acusado de se aproveitar do tema da moda para garantir alguns votos nas próximas eleições (embora ele ainda não tenha confirmado sua candidatura). Nada de errado com isso, nem com a conclusão de que a solução para minimizar os problemas é adotarÿum desenvolvimento mais sustentável. Cabe ao expectador embarcar ou não nas idéias. E, com certeza, agir.

Todos os filmes citados na reportagem estão disponíveis para locação.

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.