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Mais que talento

      
Por Lilian Burgardt

Se você escolheu entre os cursos de Dança, Música, Artes Plásticas/Visuais, Artes Cênicas ou Arquitetura como opção de carreira, já sabe que terá de enfrentar um vestibular - se não mais complexo - um pouco mais exigente. Além da tradicional bateria de provas - comum a todos os cursos - você irá passar por uma banca de avaliação para medir sua aptidão para uma dessas carreiras. E aí não tem choro nem vela. Não adianta nem tentar o curso de Artes Plásticas se o máximo que você consegue desenhar é um zé palito. Tampouco o curso de Dança se você não tem a menor coordenação, flexibilidade e, ainda por cima, morre de medo de subir no palco.

Jogar um balde de água fria não é o objetivo dos especialistas que defendem essa idéia, mas sim, mostrar ao estudante que quem nunca teve o contato com qualquer uma dessas artes - ainda que de forma amadora - dificilmente se dará bem em um curso de graduação com este perfil. Contudo, eles também alertam: talento é fundamental, mas não é o suficiente. "Já tive candidatos que desenhavam mangás maravilhosos, mas não entendiam nada de arte e não se interessavam por isso. Ou seja, iam entrar e sair da faculdade fazendo mangás. Não é o perfil de aluno que queremos," destaca o coordenador do curso de Artes Visuais da Unesp (Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho), Pelópidas Cypriano.

A regra de Pelópidas é seguida por outros cursos que adotam a prova de habilidades específicas em diferentes instituições de Ensino Superior de norte a sul do Brasil. Mais do que talento, o estudante deve apresentar outros diferenciais para se dar bem. E isso é exigido desde a primeira avaliação. O Universia conversou com especialistas para descobrir, afinal, o que somam e subtrãm pontos dos candidatos em uma prova específica, além de extrair algumas dicas para você se preparar melhor. Confira!

Antes de mais nada, é preciso explicar que um curso de graduação em dança não tem como objetivo formar um bailarino, mas um completo profissional da dança. Diferente do que se aprende nas escolas de balé e jazz, por exemplo, a universidade vai ensinar o jovem que tem aptidão para a dança a ser um melhor interpréte por meio de técnicas de criação, coreografia e tudo que está ligado ao universo técnico da arte, além de passar o conhecimento para que ele possa ser um diretor artístico, por exemplo. "? completamente diferente do que aprende um dançarino com 17 anos vindo de um escola prática de dança", explica a diretora do Instituto de Dança da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Dulce Tamara Lego.

O candidato precisa estar antenado ao que há de contemporâneo no universo desta arte. Em geral, os vestibulares também pedem que eles reflitam e discutam sobre o tema. Aí, se dá melhor quem conhece as diferentes expressões artísticas e consegue tecer uma análise crítica dos produtos artísticos contemporâneos. "Assim, mais do que saber dançar, o candidato ao vestibular precisa estar profundamente imerso no universo da arte", lembra.

Quanto maior o seu repertório, melhor preparado você estará para executar a prova. Isso também irá garantir maior confiança para o improviso - algo que é cobrado na prova do vestibular. "O candidato que tem ampla cultura coreográfica, ou seja, não é bom só em dança flamenca ou só em balé cássico, por exemplo, conseqüentemente é mais criativo. Logo, consegue improvisar com mais facilidade. Isso conta muito para nós", explica. Boas condições físicas também contam pontos a favor do candidato. "O corpo têm que ser bem colocado, cabeça, tronco e membros. O movimento tem que fluir", diz Dulce.

A professora explica que para conseguir ter um bom desempenho na prova é fundamental que os estudantes estejam relaxados. Um corpo tenso, rígido, não consegue passar com clareza a fluidez dos movimentos. Então, a dica é: relaxe bem antes da prova. Faça séries de alongamentos, teste sua flexibilidade, ou seja, coloque-se à prova antes do exame. Na hora da banca, tudo precisa estar perfeito. Força muscular, alinhamento, flexibilidade, fluidez. "Um corpo bem preparado passa tudo isso para a dança. Embora a grande maioria saiba disso, eles chegam aqui e não conseguem expressar sua arte. Então, perdem pontos", diz.

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Na hora de fazer uma prova do vestibular de Música, seja na categoria instrumento ou voz, o candidato precisa ter claro apenas uma questão: não dá para se perder no meio do caminho. Esqueceu a letra? Se perdeu na nota? Isso vai prejudicá-lo, sim. Por isso, o conteúdo pedido no vestibular, ou a letra de sua escolha precisam estar afiadíssimos. "? uma seleção bem rígida. Aquele que errou certamente fica em desvantagem em relação ao candidato que executou uma prova sem falhas", diz a coordenadora do curso de Música da Unesp, Gisela Gomes Pupo Nogueira.

Saber que você não pode errar, logo de cara, é um tanto quanto assustador, não é mesmo? Não há, porém, melhor forma de avaliar o aluno a não ser o seu conhecimento musical. E, na música, é sempre tão evidente quando um candidato esquece, erra ou se perde. Nada falha aos ouvidos, ainda mais dos especialistas. ? diferente de uma prova escrita, em que você pode pensar, voltar, esperar. Ali, tudo é muito rápido. Contudo, dominar o nervosismo faz parte da vida de um músico.

A Unesp oferece duas modalidades de graduação ligadas à música: bacharelado e licenciatura. Cada uma delas têm características distintas na seleção. Para o curso de bacharelado, por exemplo, se avalia o domínio técnico tanto no teste prático como no escrito - que também faz parte da prova de aptidão. Portanto, a cobrança em cima da capacidade expressiva e do conhecimento da obra é muito maior. A grande dica é que os estudantes pesquisem sobre a música solicitada. "Tem candidato que só se preocupa em pegar a partitura e executá-la bem. Mas se perguntarmos algo relacionado a obra e ao autor ele não saberá responder. Isso prejudica sua avaliação", diz.

No caso da licenciatura, não há programa específico, ou seja, as obras são de livre escolha. "Avaliamos o talento e o uso do instrumento como habilidade para a docência", explica. O seu poder de expressão também será avaliado, assim, escolha uma obra que valorize o seu trabalho, seja de regência, voz ou junto a um instrumento musical. "Na Unesp, aceitamos todo o tipo de repertório, desde música erudita até popular", lembra Gisela.

Por isso, se você pretende fazer vestibular de música a melhor dica é: estude muito o que foi pedido ou escolha muito bem seu repertório. Na hora de executá-lo para a banca ele precisa ser dominado com segurança. "Logo no primeiro ano da faculdade, o aluno precisa demonstrar um conhecimento mínimo, ele terá repertórios para executar. Daí a importância de selecionar candidatos que já tenham conhecimento musical", diz.

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Dá para imaginar prestar um vestibular de Artes Plásticas se você não entende nada do assunto? Não, né? A ordem é estudar, estudar e estudar. Isto porque, além da prova prática, em que os alunos devem fazer algum tipo de desenho ou trabalho artístico manual, é preciso ter boas noções de História da Arte para se dar bem na avaliação escrita. Muita gente não sabe, mas também faz parte da prova de habilidades específicas questões com interpretação de textos, associação de obras a seus respectivos artistas e movimentos. O objetivo é selecionar não só os estudantes que têm domínio da técnica, mas aqueles que se interessam e querem, de fato, "respirar" a arte. "Não nos interessa o aluno que só saiba desenhar, mas aquele que pretende aprender sobre o tema na faculdade," completa o coordenador de Artes Visuais da Unesp, Pelópidas Cypriano.

Como o professor disse anteriormente, não é o especialista em mangá ou tampouco o aluno que estudou Macunaíma, mas não leu o livro que se encaixa no perfil de artista plástico procurando, mas sim, aquele que se identifica com a profissão e gosta de se envolver com arte. "Por isso, além da prova prática, também cobramos que o candidato faça essas relações entre autor, obra e período. Assim, é possível separar quem realmente está interessado daqueles que estão de 'gaiato' fazendo a prova", explica Pelópidas.

Se você têm o perfil, gosta de arte mas precisa de uma ajuda para organizar sua rotina de estudos aí vão algumas dicas: leia os livros de História da Arte de traz para frente. Por que? Pelópidas explica: "a maior parte das provas pede questões ligadas à arte contemporânea e não a do antigo egito, por onde começam os livros. Muitos alunos não estão mais no pique de estudar o livro até o final e acabam se concentrando nos tempos da antigüidade, o que os prejudica. O aluno que lêo livro ao contrário se dá melhor."

Segundo Pelópidas, também vale ler as provas anteriores e conferir o que está sendo pedido. Assim, o estudante começa a ter idéia dos exercícios que serão cobrados. A Unesp disponibiliza as provas anteriores do vestibular específico de Artes Visuais na página do Instituto de Artes. Outra boa dica é fazer parte de grupos de discussão sobre o tema. O orkut conta com uma comunidade de estudantes do Instituto de Arte da Unesp. "Lá, alunos, ex-alunos e uma turma de candidatos que têm interesse em cursar a graduação na universidade discute temas interessantes e atuais que podem servir de auxílio para os vestibulandos", conta.

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"Em cima do tablado não precisa ser brilhante, mas ter vocação e dedicação", diz a professora do Departamento de Ates Dramáticas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Cristiane Werlang. Por isso que, no vestibular de sua universidade, nem sempre os alunos escolhidos são aqueles que já passaram por escolas de teatro ou que já tiveram algum papel para representar. "Tem, sim, muita gente "crua" mas de talento que acaba aprendendo tudo aqui", diz a professora. Segundo ela, a prova de habilidades específicas do curso de Artes Cênicas da UFRGS tem um caráter muito mais de bem-vindo do que de "vá embora", já que o perfil do candidato valorizado é aquele que demonstra muita vontade de aprender.

? claro que na hora do monólogo - modelo de prova prática aplicada no curso - ganha pontos o aluno que tem boa desenvoltura, conseguindo não só passar o texto sem errar, mas dar alma ao personagem. Aí vale tudo, fantasia, maquiagem. "O aluno precisa se preocupar em passar a mensagem. O que ele tiver a seu favor para ajudá-lo, deverá usar", diz.

Este ano, os candidatos ao curso de Artes Cênicas da UFRGS terão de interpretar Romeu e Julieta. Em 15 minutos, cada um terá de apresentar um monólogo sobre as personagens. Mas não é só isso. Assim como no curso de Artes Visuais, o conhecimento sobre teatro e arte, de forma geral, também contará pontos a favor dos candidatos. "Não basta interpretar bem. O candidato que tem uma bagagem cultural rica, ou seja, que vai ao cinema, ao teatro, estando sempre em contato com as mais variadas formas de arte também acaba sendo favorecido na hora da entrevista - segunda fase da avaliação.

Na opinião da professora não há segredo. "Um texto, para ser bem interpretado, precisa ser lido, estudado e ensaiado com cuidado. Na hora da apresentação, não force nada. Na entrevista, menos ainda. Quanto mais autêntico melhor", ressalta. Sua dica para os alunos é: "como o teatro exige um trabalho de corpo e voz, o estudante precisa se preocupar muito em se manter calmo e relaxado. Vale apostar em alongamentos antes da prova e exercícios vocais. Eles farão você se sentir mais seguro para desempenhar uma boa performance", opina.

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Se você desenha bem, tem meio caminho andando para se dar bem em uma prova de habilidades específicas do curso de Arquitetura. O que você precisa é treinar suas técnicas. "A dica é: desenhar, desenhar e desenhar. Não há mistério", diz o professor do curso de Arquitetura da UnB (Universidade de Brasília), Kristian Schiel. Profundo defensor das provas de habilidades específicas, ele acredita que o aluno talentoso tem 99,9% de chance de ingressar em uma boa faculdade caso se dedique aos estudos. "Não acredito que exista algum segredo para quem tem isso dentro de si", ressalta.

Mesmo assim, ele dá boas dicas para vencer o nervosismo que atinge boa parte dos jovens faixa de 18 e 19 anos, enfrentando o seu primeiro vestibular. Conferir as provas anteriores do vestibular o qual pretende prestar é a primeira boa pedida. "Em geral, as universidades disponibilizam as provas anteriores no site da instituição. O aluno pode conferir para saber qual a linha de raciocínio da avaliação", diz.

Na UnB, o aluno passa por quatro tipos de teste: o primeiro é um desenho de observação, em que o aluno deve desenhar a representação de um objeto. Depois, o desenho de memória, em que o aluno deve desenhar algo pedido pela banca sem que possa recorrer ao objeto no momento. O terceiro é um desenho de imaginação. Em geral, o estudante desenha um objeto do futuro ou representa algo abstrato. Por último, há o exercício de raciocínio espacial. Exemplo: A prova traz o desenho de um cubo vazado divido em partes e o aluno precisa ordenar e encaixar as figuras. "Este teste exige bastante do aluno. Por isso, treinar o raciocínio espacial também é outra dica importante", diz.

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