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Como se preparar para a internacionalização?

      
Por Lilian Burgardt

Pensar em cooperação com outros países em prol de uma Educação Superior mais forte e mais competitiva se faz determinante para garantir que uma nação caminhe, acelerada, rumo ao desenvolvimento. Diante desta perspectiva, muitos países vêm discutindo a possibilidade de estabelecer acordos, já que a estratégia da internacionalização permite enfrentar os desafios que a globalização propõe.

Ainda hoje, porém, boa parte dos acordos internacionais em prol da educação, principalmente, na pós-graduação, estabelecidos pelo Brasil e por nações vizinhas a nossa, contemplam países norte-americanos ou do continente europeu. Afinal, por que não nos aproveitarmos da condição geográfica favorável, já que estamos próximos, e trabalhar em cooperação?

Com esta proposta, teve início, na manhã da última segunda-feira (18/06), o Seminário "Internacionalização da Educação Superior e a pós-graduação na América Latina." O debate está fazendo parte da programação do evento Virtual Educa que reúne representantes das mais diversas universidades brasileiras e estrangeiras que fazem parte deste bloco, com a finalidade de pensar em novas perspectivas para educação mediante um trabalho em conjunto.

Segundo o diretor geral do Colégio Arzobispo Fonseca, Salamanca - Espanha, Victor Cruz Cardona, os mercados estão se globalizando e os grandes blocos como a U.E (União Européia) estão se fortalecendo para ganhar mercado em um universo mais competitivo. Diante disso, a resposta para o fortalecimento da América Latina está bastante evidente: temos que juntar forças para formar uma sociedade de conhecimento mais forte e com melhor poder de negociação. Ainda que estejamos em uma posição de desvantagem, por conta dos poucos recursos diante de países de primeiro mundo, ele defende o potencial criativo, ou seja, o desenvolvimento científico e tecnológico - que parte majoritariamente dos departamentos de pós-graduação das universidades - como o principal fator de competitividade no exterior.

Hoje, porém, estamos muito longe do cenário ideal porque muitas universidades - e isso serve não só para o Brasil, mas para o restante dos países latino-americanos - não estão preparadas para trabalhar com internacionalização. Na opinião do representante do consórcio das universidades peruana, Vitor Hanagas, o maior entrave para a internacionalização na América Latina se deve ao fato de que os países não sabem por onde começar. "Esta foi uma dificuldade sentida pelos representantes das universidades do Peru. No entanto, atentas a importância de tal questão, foi criada uma comissão que esteve durante cinco dias na Europa conversando com representantes e líderes do bloco educacional integrado de educação (Tratado de Bolonha) a fim de identificar como tal projeção de integração do Ensino está sendo feita", disse.

Não é preciso vivenciar o modelo europeu na prática para entender os primeiros passos a serem dados em prol da internacionalização. "A partir do momento que a universidade reconhece a importância de trabalhar com o conceito de internacionalização em seus campi, ela precisa assimilar alguns conceitos determinantes para o sucesso de um projeto como esse. E eles são muito óbvios para quem lida com o intercâmbio internacional dentro do campus, mas precisam ser mais bem observados e seguidos", disse Cardona.

Executando a internacionalização dentro do campus

Em prol deste objetivo, Cardona destaca a necessidade do fortalecimento e a consolidação de uma cultura de internacionalização no interior das instituições. "Não há como pensar em cooperação se a própria universidade não acredita neste conceito. Isto significa que, para pensar em internacionalização, a universidade tem que preparar seus alunos, docentes e funcionários para este conceito, muito antes de pensar nos acordos a serem estabelecidos evitando que, no futuro, seja preciso devolver o dinheiro destinado à concessão de bolsas por falta de candidaturas", disse. "Para conseguir difundir esse pensamento é preciso melhorar a infra-estrutura de apoio acadêmico e de gestão", sugere Cardona. Isso pode ser feito ao se investir em cursos de língua estrangeira, incentivando que seus alunos e professores valorizem o uso de um segundo idioma como, por exemplo, o espanhol, em sala de aula.

Passado este primeiro momento, a instituição deve pensar em cooperação acadêmica e científica por meio da qual se possa identificar e compartilhar fortalezas que, em médio e longo prazo, consolidem níveis crescentes de inter-relação e interdependência em benefício dos programas. Neste aspecto, vale citar programas de sucesso como a pós-graduação em Medicina de Cuba, referência mundial, além da competência chilena no que diz respeito aos programas de pós-graduação em tecnologia da informação, como alguns exemplos bem-sucedidos que podem cooperar com as IES brasileiras.

Para Cardona, falta, hoje, nas universidades o estabelecimento de uma lógica de gestão da internacionalização que faça com que os professores, pesquisadores e alunos dos projetos em questão sejam protagonistas de ações que visem a consolidação e a sustentabilidade da cooperação. "Visito muitas universidades, tanto no Brasil como no exterior, em que os diretores dos departamentos de relações internacionais é que viajam e se esforçam para manter o acordo, quando isso também deveria ser explícito por parte dos beneficiados, ou seja, professores e alunos", afirmou.

Ele fez a ressalva, de que, em boa parte dos casos os departamentos de relações fazem um esforço fora do comum para divulgar tais iniciativas e identificam uma certa apatia da comunidade acadêmica em relação a esta questão. "O que reforça a importância da difusão do conceito de internacionalização como um bem macro e um esforço, também macro, por parte de toda a comunidade acadêmica", disse.

Na hora de estabelecer os acordos, Cardona também lembrou a importância em criar um programa flexível para que, no futuro, os alunos não sejam prejudicados com a falta de mobilidade e a não validação dos créditos. "? preciso priorizar programas que tenham uma grade curricular flexível, ou seja, que possa se ajustar a grade de sua instituição com facilidade e que permita ao estudante uma fácil adaptação", explicou.

Por último, mas não mesmo importante, como a internacionalização deve visar os dois lados, ou seja, não apenas o acesso de estudantes brasileiros a universidades estrangeiras, mas inserção de nossas universidades no mercado internacional, ou ao menos, a atração de estudantes estrangeiros, os acordos internacionais devem permitir a construção de programas de pós-graduação em função não só da demanda de um mercado do conhecimento, mas das necessidades de desenvolvimento científico e tecnológico em torno da sociedade e da economia dos países em questão, no caso, aqueles que fazem parte da América Latina.

"Para operacionalizar estes paradigmas as universidades devem promover alianças estratégicas nacionais e internacionais com instituições, organizações governamentais e não governamentais com a sociedade civil e com o setor produtivo", destacou Cardona. Além disso, devem definir os pilares de qualidade em termos de competência (conhecimentos, habilidades, destrezas, atitudes e valores) que permitam pensar na possibilidade de criar programas de pós-graduação nacionais e internacionais reconhecidos e aceitos no âmbito internacional para fazer possível a mobilidade de alunos e acadêmicos de pós-graduação.

"A principal implicação dessas mudanças é reconstruir o papel da universidade que, até ontem, separava os acadêmicos do restante da sociedade. E mais, fazendo questão de se desconectar do universo empresarial, justamente onde a inovação vira desenvolvimento. Hoje, já se sabe que apostar em inovação e, portanto, investir em pós-graduação ampliando as pesquisas feitas nas universidades e possibilitando o trabalho em cooperação com a sociedade, especialmente por meio de acordos estabelecidos com as empresas, fazem com que deixemos de ser um castelo de cristal, para estar a serviço da sociedade, essa, cada vez mais globalizada, com anseios e necessidades também internacionalizados", encerrou.

A sua universidade mundo afora

Convidado para expor o resultado do mestrado internacional do Instituto Tecnológico da Costa Rica, o professor Tomás Jesús Guzmán Hernández apresentou o case de sua pós-graduação em Biotecnologia, Biodiversidade e Desenvolvimento sustentável como o principal resultado bem-sucedido da união de instituição de Ensino Superior latino-americanas em prol de um curso alinhado às necessidades de uma sociedade cada vez mais preocupada com o meio ambiente.

Desenvolvido amplamente em conjunto com instituições, de Cuba, México, entre outras nações da América Latina, o curso permitiu a inserção e a ascenção da instituição costa riquenha no mercado internacional por meio de uma plataforma totalmente a distância. O que permite uma inserção no exterior com um custo muito mais baixo do que os investimentos necessários para a consolidação de uma sede física em outros países.

"Com um bom programa e a cooperação de instituições estrangeiras foi possível reunir o que cada uma delas tinha a oferecer de melhor e trazer isto até as mãos dos estudantes das mais diversas regiões do mundo. Ao mesmo tempo que um estudante da Costa Rica está em "sala de aula", um boliviano também pode usufruir do mesmo recurso", disse Hernández.

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