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O mundo na sala de aula

      
Por Lilian Burgardt

A menos que você seja fascinado por diferentes culturas ou nutra o desejo de se especializar fora do país, a importância em ter uma experiência internacional no currículo é algo que vem à tona apenas quando um aluno estrangeiro está em pé a sua frente e você precisa se desdobrar para integrá-lo ao ambiente e aos demais estudantes, não é mesmo? Embora esse primeiro impacto pareça ruim - já que que não dominar determinada situação é algo difícil para um professor - a boa notícia é que reverter este quadro pode ser mais fácil do que se imagina. Boa parte das Insituições de Ensino Superior mantêm em seus campi escritórios voltados para este fim. São eles os responsáveis por enviar estudantes para intercâmbios acadêmicos fora do país e, também, criar oportunidades para que seus mestres, doutores e pesquisadores tenham uma vivência internacional.

"Conhecimento não tem fronteiras. Se o professor quiser acompanhar tudo o que está acontecendo no mundo é fundamental que ele tenha a sua experiência internacional", defende a coordenadora do escritório de relações internacionais da UCS (Universidade de Caxias do Sul) e também presidente do FAUBAI (Fórum de Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais), Luciane Stalivieri. Para ela, tal experiência não só amplia a visão de mundo e faz com que o professor consiga transmitir melhor seus conhecimentos para os alunos, como também, o faz questionar sobre o que sabe da cultura fora do país. Resumindo: trata-se de uma formação à parte porque, na prática, permite que o professor consiga contextualizar melhor o conteúdo que está sendo visto em sala de aula, além de fazer com que ele desenvolva um trabalho mais eficaz com os alunos estrangeiros, ao passo que saberá de suas dificuldades já que também as vivenciou quando estava fora do seu "habitat natural".

Segundo o vice-presidente do FAUBAI e coordenador do escritório de relações internacionais da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Antônio Carlos Gondim, ainda que, em geral, os professores aceitem bem os estudantes estrangeiros, há dificuldades de entendimento, porque logo que eles chegam ao Brasil, ainda têm deficiência em compreender e falar a língua, já que não dominam o idioma. Claro que muitas instituições como a própria UFPR - que oferece um curso intensivo de português para os alunos estrangeiros - ajudam neste processo, mas a vivência internacional por parte dos docentes, tende a reduzir os problemas de adaptação, criando um ambiente mais favorável para este aluno.

Luciana complementa ainda que em um processo de internacionalização da Educação Superior é fundamental que os professores estejam cada vez mais preparados para lidar com essa interculturalidade em sala de aula. "Hoje, enviamos nossos alunos para o exterior mas recebemos poucos estudantes estrangeiros. Cada vez mais, porém, países do continente europeu e de outras regiões do mundo se interessam pela cultura brasileira e querem enviar seus estudantes para nossas universidades. Estar preparado para receber estes jovens é uma questão de aumentar sua competitividade internacionalmente", diz.

Fazendo as malas

Seja por intermédio da Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) ou por contato direto com as agências representantes de países como França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, entre outros, o Brasil mantém importantes acordos que privilegiam o embarque de docentes para uma especialização no exterior. Em geral, as agências destes países representam programas bem sucedidos de mobilidade docente porque, acima de tudo, estão administrando programas de bolsas de estudos, de capacitação, de formação docente, principalmente em nível de mestrado e doutorado. Logo, são programas que contam um investimento muito grande dos governos de origem. (Confira, no link ao lado, o programa de bolsas da Fundação Carolina voltado para docentes)

Se você, professor, está interessado em embarcar nessa idéia, é preciso estar certo da linha de estudo/pesquisa em que pretende investir e procurar quais países têm programas interessantes na área, verificando se há acordos pré-estabelecidos com o Brasil via órgãos competentes como a Capes, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), ou diretamente com sua universidade. Para isso, vale a pena buscar a ajuda dos escritórios internacionais. Em geral, eles têm acesso a todos os acordos estabelecidos com a instituição e que tenham esta finalidade. "Os escritórios podem ajudar a nortear o caminho a ser seguido pelo professor ou até sinalizar uma outra opção de instituição que não tinha sido pensada", explica Gondim.

Segundo ele, essa é uma dica importante porque a maioria dos docentes acaba trocando com seus pares sobre seu interesse em viajar para o exterior, mas não procura os escritórios de relações internacionais. Em alguns casos, como a participação em eventos fora do país, por exemplo, o escritório pode até financiar a viagem do professor, caso ele tenha interesse em estabelecer algum acordo de cooperação com alguma universidade estrangeira em sua área. "Os recursos são escassos mas, ao menos uma vez por ano, a passagem e as diárias para que os professores estabeleçam contato acadêmico com seus pares fora do país é uma iniciativa dos escritórios", explica.

Vale lembrar que, há casos em que o grande entrave para essa vivência internacional é a falta de condições financeiras. Nem todos os docentes têm como investir em um mestrado ou doutorado integral no exterior. Atentos a este problema, cresce a oferta de programas sanduíche, para diminuir o tempo passado fora do país a fim de reduzir as despesas do professor no exterior. Há, também, programas de curta duração com bolsas de estudo que variam de três meses e trinta dias. "O professor precisa estar atento às diversas opções que ele têm acesso, já que é fundamental ter essa interlocução com seus pares no exterior", ressalta Luciana.

A insistência neste quesito se dá porque boa parte dos programas de intercâmbio no exterior não tem procura suficiente por parte dos brasileiros. Na última reunião anual do FAUBAI, realizada em abril de 2007 na cidade de Curitiba - Paraná, a grande reclamação dos representantes dos escritórios de relações internacionais foi a falta de demanda que, muitas vezes, obriga as instituições a encerrarrem seus acordos com instituições e agências estrangeiras. "Os programas são bons e estão à disposição, mas não são usufruidos pela comunidade acadêmica. Daí a importância de manter uma relação mais próxima com os escritórios que estabelecem os acordos internacionais de cooperação para saber o que há disponível", conclui. (Clique e confira a cobertura completa sobre o evento)

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