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Notícias

Pela integração regional

      

Do Universia

Em setembro, o Iesalc (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe), ligado à Unesco, realizará o Congresso Internacional de Reitores Latino-Americanos e Caribenhos. Os preparativos para o evento, que integra a rodada de preparação para a conferência regional Cartagena 2008, seguem a todo vapor.

Durante o ano, o Iesalc tem realizado uma série de reuniões e congressos para debater a relevância e pertinência de inúmeros temas que dizem respeito ao desenvolvimento da América Latina como um todo. O de setembro, que ocorrerá no campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), será o primeiro encontro temático, e debaterá o compromisso social das instituições de Ensino Superior da região.

"Este é um debate importante na ação universitária, particularmente na América Latina em que há tantos problemas sociais que requerem a atenção das universidades", explica a diretora do Iesalc/Unesco, Ana Lúcia Gazzolla. "Durante o encontro, pretendemos estudar vários sentidos do compromisso social e os desafios que se colocam para as universidades latino americanas e caribenhas no século XXI."

Ana Lúcia Gazzola, diretora da Iesalc/Unesco
Em entrevista exclusiva ao Universia, a ex-reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) falou sobre a importância da atuação das universidades no atual cenário da América Latina, sobre a situação da Educação no Brasil e também sobre os avanços que as intituições de Ensino Superior da região fizeram no que diz respeito à integração.

Confira abaixo a entrevista concedida pela dirigente.

Universia - Em setembro, a Iesalc/Unesco organiza o Congresso Internacional de Reitores Latino-Americanos e Caribenhos. De que maneira o evento está sendo organizado para se integrar às demais reuniões regionais da Unesco?

Ana Lúcia Gazzolla - A primeira coisa é que estamos organizando um evento que é parte do conjunto de eventos e atividades que vão conformar a agenda regional da América Latina e Caribe em preparação à conferência regional de Educação Superior. Em 1998 houve uma conferência geral de conscientização da Unesco e em 2009 haverá a segunda conferência mundial. Nós, no IESALC, somos responsáveis por organizar a preparação, que vai culminar em uma conferência regional de Educação Superior, chamada Cartagena 2008, que vai ocorrer na Colômbia, em Cartagena de Öndias, entre os dias 4 e 6 de junho de 2008, um ano antes do encontro Mundial.

Universia - Quais temas serão discutidos nestes debates regionais?

Ana Lúcia Gazzolla - Vamos realizar, neste ano, uma série de eventos, atividades, e estudos, tratando de configurar uma agenda para tomar decisões e fazer propostas sobre vários temas pertinentes à Educação Superior. Um desses temas é a questão do compromisso social das Universidades. Este é um debate importante na ação universitária, particularmente na América Latina em que há tantos problemas sociais que requerem a atenção das universidades. Esse evento de setembro não é o primeiro porque em maio houve um congresso de reitores, mas é o primeiro evento temático internacional dentro dessa sequência de eventos que estamos realizando. Pretendemos estudar vários sentidos do compromisso social e os desafios que se colocam para as universidades latino americanas e caribenhas no século XXI.

Universia - A senhora destacou a importância desta atuação das universidades na América Latina devido aos problemas sociais. Até onde pode se estender esta ação das IES?

Ana Lúcia Gazzolla - Esse compromisso social vai desde responsabilidade social até questões como a implementação de uma verdadeira cultura de inovação que permita transferir conhecimento ao setor produtivo para adicionar valor aos processos de produção. A construção de uma relação universidade-empresa também faz parte do sentido de compromisso social. E vamos trabalhar ainda outros temas, como se dá a internacionalização, o trabalho de inserção das universidades. Mas, a nossa intenção é verificar qual é a agenda, quais os desafios, quais são as estratégias. E pretendemos terminar o evento com um plano no campo da temática do compromisso social. Paralelamente ao evento, realizaremos uma espécie de mostra dos projetos de compromisso social das universidades, em que as instituições partícipes poderão colocar estandes fazendo uma mostra dos trabalhos mais relevantes.

Universia - Já existe um número de universidades participantes?

Ana Lúcia Gazzolla - Ainda não, pois elas estão se inscrevendo agora.

Universia - O prazo de inscrições vai até quando para a mostra?

Ana Lúcia Gazzolla - Até perto do evento, não há uma data limite. Enquanto houver lugar, as pessoas podem se candidatar. O evento é público, as pessoas podem ir e participar, mas para o estande há um prazo, é necessário entrar no site do evento (https://www.ufmg.br/ciralc/pt/index.html) e fazer a inscrição.

Universia - A senhora citou alguns pontos interessantes, como a questão da internacionalização e a da relação universidade-empresa. Pensando no sistema de Ensino Superior brasileiro, como podemos considerar o posicionamento das nossas instituições em relação ao restante da região?

Ana Lúcia Gazzolla - Brasil, México e a Argentina são os três países mais desenvolvidos na Educação Superior da América latina. Nosso sistema é grande, consolidado na qualidade, na diversidade de instituições e, junto com o México, é o mais forte em pós-graduação. O Brasil também é o país da América Latina e Caribe que investe o maior percentual do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Hoje, esses setores recebem 1,27% do PIB. Nesse aspecto, avançamos bastante. Naturalmente, sabemos que ainda temos um número baixo de cientistas por habitante e que é preciso investir muito nisso e também nas pontes entre as universidades e o setor produtivo. Mas grandes passos foram dados, e acho que isso é muito importante.

Universia - Politicamente, o Brasil tem buscado ocupar um papel de liderança entre os países vizinhos. No Ensino Superior essa liderança já é algo real?

Ana Lúcia Gazzolla - O Brasil tem uma posição de liderança na América Latina e Caribe no campo, particularmente, da educação de pós-graduação e pesquisa. Por outro lado, temos uma forte tradição extencionista, no outro lado do compromisso social, que são os projetos de alfabetização, da área da saúde, formação de professores, educação continuada. O Brasil tem um papel importante no cenário latino-americano e caribenho. Há outros países que também têm relevância, mas há uma forte atenção voltada ao Brasil, principalmente porque temos um número grande de Universidades. Claro, temos também nossas "mazelas". Somos o país com maior número de analfabetos, essa é uma questão que precisamos analisar nas universidades. Como trabalhar com o governo para erradicar o analfabetismo? O Brasil é, hoje, o país da América Latina que mais forma doutores. Ao mesmo tempo, somos também um dos paises com o mais alto índice de analfabetismo, que é um número absoluto de analfabetos muito alto. Assim, temos grandes avanços, mas também grandes lacunas e grandes problemas.

Universia - E como a América Latina tem se unido para combater os problemas da região? Conseguimos avançar neste campo também?

Ana Lúcia Gazzolla - Acho que conseguimos enormes avanços. O Universia, por exemplo, é emblemático desse avanço. Temos conseguido, na nossa região, trabalhar cada vez mais em rede. Há anos o conceito de rede se consolidou. Em algumas, o IESALC teve um papel muito importante, como na criação da rede de macrouniversidades. Em outras, o IESALC apenas trabalhou com elas, mas elas se criaram pelo próprio trabalho das universidades como o Grupo Montevidéu. Então, há todo um trabalho em redes, há várias redes universitárias internacionais, latino americanas e caribenhas, há vários conselhos de reitores que atuam de maneira sub-regional.

Universia - Esta série de eventos, incluindo o de setembro, também trabalhará neste sentido?

Ana Lúcia Gazzolla - ? isso que estamos tentando fazer. Nesse ano em que estou aqui já promovemos duas grandes reuniões de presidentes das redes e dos conselhos de reitores. Neste trabalho, estamos discutindo uma agenda comum para que possamos otimizar os esforços e os recursos, e possamos de fato configurar um espaço acadêmico latino-americano e caribenho que nos permita maior mobilidade estudantil em trabalhos e áreas temáticas específicas, circulação dos professores, reconhecimento de créditos, e assim por diante. Acho que o Brasil avançou muito, há muito caminho pela frente. Mas acho que a América Latina, inclusive do ponto de vista da preparação da conferência regional, é o setor que está mais adiantado, exatamente porque somos capazes de trabalhar em rede. O Universia tem um papel importante nessa articulação regional, extremamente importante.

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