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Notícias

Por dentro do movimento

      

Do Universia

A longa paralisação promovida por estudantes na USP (Universidade de São Paulo) trouxe de volta à cena um personagem que andava distante: o movimento estudantil. Embora sem uma ligação clara com uma entidade que representasse suas exigências, a invasão à reitoria encadeou uma série de ações em outras instituições de Ensino Superior. A partir daqueles dias, uma questão surgiu no meio acadêmico: pode se considerar que está surgindo um novo movimento entre os alunos?

Ao longo da história do Brasil, o movimento estudantil brasileiro mostrou ser uma representatividade de peso (conheça mais sobre esse histórico clicando em "Para ajudar a entender", nos links à direita). Em épocas críticas como durante o período da ditadura militar (1964 a 1985) e também no processo de impeachment do presidente Collor (1984), os estudantes, unidos a outras entidades populares, desempenharam papéis de extrema relevância política e social.

Hoje, este movimento ainda mantém algumas características essenciais de outros momentos, como o fato de ser policlassista e constantemente renovado, dado que os estudantes permanecem poucos anos nas instituições de ensino. "? natural do movimento esse rodízio, você é estudante por um período da vida. Agora, o importante é manter o legado, as reivindicações", explica José Antonio Segatto, professor de sociologia da UNESP (Universidade Paulista) de Araraquara.

Nas semanas que se seguiram aos primeiros movimentos na USP (Universidade de São Paulo), instituições como a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), UNESP (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFAL (Universidade Federal de Alagoas), UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), UFMA (Universidade Federal do Maranhão), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também vivenciaram manifestações de alunos.

"A ocupação da USP foi vitoriosa, pois trouxe para o debate público temas como a autonomia das universidades e os perigos que representavam os decretos do (governador de São Paulo, José) Serra. Se nada tivesse sido feito, as leis teriam passado e não seriam debatidas questões como a da necessidade do fortalecimento da universidade pública, por exemplo", afirmou Gustavo Petta, ex-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes). "A ocupação foi vitoriosa por colocar a universidade no centro do debate do país, por ter conseguido que o governador, mesmo que não na totalidade, recuasse em alguns pontos do decreto."

Movimento "sem cabeça"?

Uma distinção que se pôde perceber durante os protestos realizados neste momento foi uma certa independência dos movimentos. Em parte porque muitas das reivindicações diziam respeito à reivindicações referentes às rotinas das universidades, muitas vezes, as bandeiras - internas e externas - eram levantadas por grupos de alunos não ligados diretamente às entidades coordenadoras do setor, principalmente à UNE.

Segundo Segatto, um dos problemas desse "novo" movimento estudantil está na falta de credibilidade das bases: "estamos passando por um enfraquecimento das entidades estudantis, centros e diretórios acadêmicos e da própria UNE. Esses órgãos estão muito enfraquecidos, inclusive porque existem correntes dentro do movimento estudantil que têm um certo desprezo por estas instituições".

Ainda assim, nos protestos realizados nos últimos meses, foi possível notar que a Reforma Universitária - projeto que segue em debate no Congresso - é um dos temas que permeia a maior parte dos protestos dos estudantes. Para Antonio Flavio Testa, sociólogo, cientista político e professor da UNB (Universidade de Brasília), no entanto, o movimento estudantil, atualmente, se configura apenas em um fator estratégico na questão partidária.

"Não vemos mais a bandeira de discussão de qual é o papel da juventude no processo político brasileiro, qual sua a missão, como que ela vai construir o futuro, o que ela vai reivindicar do ponto de vista político e ideológico", critica Testa. "O movimento estudantil se tornou um instrumento tático que é usado de acordo com os interesses dos partidos, dos grupos que são mais poderosos, que têm mais recursos financeiros e que têm condições de mobilizá-los."

E a partir de agora?

Para evitar que haja um novo "resfriamento" do movimento, a UNE programou uma série de novos atos. Entre 04 e 08 de julho, a UNE realizou o seu 50º Congresso Nacional, onde discutiu as formas das próximas manifestações que a entidade vai realizar. Na ocasião, foi aprovada uma movimentação denominada de "jornada de lutas", prevista para agosto, quando a entidade completa 70 anos.

"A tendência é que o mês de agosto seja realmente marcado por manifestações, mobilizações, paralisações, tanto nas instituições públicas em torno da questão da luta por mais verbas nas universidades, na luta pela assistência estudantil, como no que diz respeito às instituições privadas. Pretendemos já iniciar uma jornada de luta contra possíveis aumentos de mensalidade, por renegociação com os alunos inadimplentes", afirma Petta.

Durante o Congresso, foi eleita uma nova presidente para a UNE. Lúcia Stumpf, a nova dirigente, assume após 15 anos de hegemonia masculina no cargo.

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