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Do Universia

Se as recentes manifestações estudantis nas universidades brasileiras reacenderam o interesse pelo movimento estudantil, é preciso retomar sua história para compreender sua relevância na vida política do país. Em outras condições, sociais e políticas, os estudantes tiveram grande relevância no debate social e político do Brasil.

Relembre, abaixo, dois momentos importantes na história do Brasil.

Na ditadura, representação e repressão

A maior manifestação política do país. Foi assim que os veículos de comunicação retrataram os comícios que aconteceram por todo o Brasil no início da década de 80, sendo o maior deles em São Paulo (mais de 1,5 milhão de pessoas) em abril de 1984, antes da votação da Emenda Dante de Oliveira, que regulamentaria as eleições diretas para presidência do Brasil.

Nessa época, o Brasil vivia sob a sombra da ditadura militar, e as eleições eram realizadas de forma indireta. Os representantes políticos não eram eleitos através do voto popular e a presidência da república era exercida por generais do exército. O processo das "diretas já" está ligado à abertura política iniciada na década de 70, durante o governo Geisel, que seria uma fase transitória do regime autoritário em direção à democracia.

Neste período, a lei Suplicy de Lacerda colocou na ilegalidade as instituições de representação estudantil, como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e as UEEs (Uniões Estaduais dos Estudantes), que passaram a atuar na clandestinidade. Todas as instâncias da representação estudantil tinham que ser submetidas ao MEC (Ministério da Educação).

"Os estudantes chegaram à conclusão que era preciso fazer uma luta de massas, que seria levantada a bandeira pelas liberdades democráticas, e foi a partir disso que o movimento estudantil se reorganizou. Em 79, foi refundada a UNE, o que desembocou em 83, 84, na luta pelas eleições diretas. Nessa época, o movimento estudantil teve, juntamente com outras forças políticas, um papel primordial", explicou a coordenadora do Projeto Memória do Movimento Estudantil, Angélica Muller, que é doutoranda em História Social pela USP (Universidade de São Paulo).

Surgiu então, em 1983, o estímulo à luta pela escolha do presidente. Liderados pelo PMDB, cresceu o número de comícios pelo país, defendendo a aprovação da emenda Dante de Oliveira, que propunha ao congresso a volta imediata das eleições diretas para presidente. "Durante a ditadura existia um inimigo comum, todo mundo queria acabar com o regime, todo mundo queria voltar para a democracia, e era necessário fazer um enfrentamento, luta de massa, ir pra rua e fazer protesto" reiterou Angélica.

A emenda não foi aprovada, mas na eleição indireta, o candidato de oposição ao regime militar, Tancredo Neves, ganhou a disputa. Apesar da vitória, Tancredo não chegou a assumir, falecendo em 21 de abril de 1985. Com sua morte, assumiu o vice José Sarney e, no final de seu governo, foram realizadas as primeiras eleições diretas para a presidência da república desde 1960.

Contra Collor, surgem os "caras pintadas"

Em 1990 Fernando Collor de Mello do PRN (Partido de Reconstrução Nacional), assumiu a presidência, prometendo a moralização da política e o fim da inflação. Durante vários meses, a imprensa nacional fez referências a um possível envolvimento do presidente em negociatas, que ganharam intensidade após declarações de Pedro Collor de Mello, irmão do presidente, confirmando a existência de um esquema de corrupção.

Diante da gravidade desse fato, a Câmara dos Deputados instituiu uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que comprovou a existência de um esquema de corrupção coordenado pelo empresário Paulo César Farias, o PC, que em 1989 foi tesoureiro da vitoriosa campanha de Collor para a Presidência da República.

Ignorando a crescente mobilização popular, o então presidente convocou a população em 16 de setembro de 1992 a sair as ruas vestida de verde e amarelo. Naquele domingo, porém, milhões foram as ruas, mas de preto, pedindo o impeachment.

Entre os manifestantes havia um grande numero de ?caras-pintadas?, jovens que pintaram o rosto com as cores da bandeira nacional, protestando contra a falta de ética na política. "Nessa época, o movimento estudantil teve toda uma organização, reuniões prévias, e tinham forças internas que não queriam erguer a bandeira pelo impeachment do Collor, depois de tanto tempo lutando pela democracia, como poderíamos tirar um presidente eleito democraticamente?", relembra Angélica.

"Houve nesse momento um comando bem deliberado das oposições, que usaram com muita competência o movimento estudantil, colocaram os meninos nas ruas, os 'caras-pintadas'. Foi tudo articulado, comandado pelas oposições, e de uma forma muito bem organizada, pois fizeram uma pressão impressionante e conseguiram influenciar a favor da destituição presidencial", relembrou Antonio Flavio Testa, sociólogo, cientista político e professor da UNB (Universidade de Brasília).

Em 29 de dezembro, Fernando Collor renunciou, para evitar o impeachment. A sessão prosseguiu culminando na cassação de seus direitos políticos por oito anos.

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