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Lições para a prática empresarial

      

Por Renato Marques

A (des)organização das pequenas e grandes empresas foi o tema da segunda parte da entrevista concedida pelo professor da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), Mitsuru Yanaze, ao Portal Universia.

Para o professor, muitas vezes, as grandes estruturas de empresas multinacionais afastam as análises de cada setor, impedindo que estas tracem uma estratégia única de atuação. Ao mesmo tempo, os pequenos empresários fazem, rotineiramente, suas análises de mercado, mas não sistematizam esses diagnósticos.

Leia, abaixo, a segunda parte da conversa.

Universia - Pensando a partir da vivência que o senhor tem em empresas, especialmente as pequenas e médias empresas, é possível afirmar que elas têm hoje a cultura de pensar no negócio como um sistema? Nas grandes empresas me parece ser uma coisa mais natural - até pela rotina do negócio. As pequenas empresas têm essa cultura?

Mitsuru Yanaze - Sinto dizer que isso não acontece nem nas grandes empresas, porque estas implantam modelos de avaliação e cada setor acaba implantando o seu. Então, por exemplo, o setor de vendas decide fazer uma análise da evolução das vendas e comparar com os concorrentes. Na prática, está fazendo uma matriz BCG. E cada setor começa a implantar determinados modelos que são úteis, mas depois acabam não amarrando essas informações. Em uma pequena empresa, o empresário acaba fazendo todas as análises, mas não percebe o que está fazendo. O que ele precisa fazer é sistematizar isso, compartilhar com outras pessoas.

Universia - Isso não acontece porque as pessoas acreditam que essas análises são muito complexas?

Mitsuru Yanaze - Olhe, por exemplo, a partir do momento em que o empresário fica observando o movimento pra saber se aquele mercado está sendo atrãnte ou não - vamos supor que ele tenha uma lojinha em um determinado bairro -, ele avalia o comportamento das pessoas, a presença de outras lojas. Ou seja, está analisando determinadas variáveis para saber se a atividade continua atrãnte ou não. Nisso, ele já está aplicando uma matriz GE. Se, depois, ele começa a fazer uma avaliação entre ele e seu principal concorrente na região e pensar: "eu sou forte aqui, mas sou mais fraco do que aquele outro", ele está fazendo SWOT. O que ele precisa fazer é sistematizar isso. Registrar, para não deixar só na cabeça, porque isso é um perigo. Quando ele faz isso e compartilha com a sua equipe, acredito que está aplicando de uma forma efetiva esses conceitos. Algumas empresas já estão começando a despertar em relação a isso.

Universia - Podemos pensar, então, que o cenário, neste sentido é positivo?

Mitsuru Yanaze - Eu diria que vejo isso com muito otimismo. Mesmo as grandes empresas, que têm problemas para concatenar as coisas estão preocupadas com o tema. E, também, aqueles pequenos e médios empresários que faziam suas avaliações, estão começando a utilizar o modelo na dimensão que ele precisa. Não vai fazer uma análise mais sofisticada quando precisa de algo na realidade dele. Uma coisa é você ter cem, duzentos clientes. Outra coisa é ter três milhões de clientes, como as empresas de telecomunicações têm. Se tenho uma loja pequena, um comércio pequeno, vou aplicar todos esses modelos na dimensão que preciso, mesmo a pesquisa de mercado.

Universia - Mas uma pequena empresa tem condições de fazer pesquisas de mercado?

Mitsuru Yanaze - Claro que sim. A partir do momento em que um pequeno empresário, junto aos seus dois balconistas, por exemplo, cria um sistema de registrar informações importantes para suas decisões, ele está fazendo pesquisa. Observa o comportamento do comprador, conversa com o cliente, pergunta se ele está contente ou não, o que está faltando na loja. Ele está fazendo pesquisa dentro da dimensão dele. Guardadas as proporções, é a mesma coisa que a grande empresa faz, com modelos sofisticados de análise.

Universia - O senhor enxerga também o livro como um trabalho que pode ser usado pelo próprio pequeno empresário? Pergunto isso porque vemos, ainda, índices altos de mortalidade de pequenas empresas no Brasil e um dos fatores mais relevantes no diagnóstico é a falta de planejamento. ? possível pensar em estender a utilização da obra também para pequenos e médios empresários?

Mitsuru Yanaze - Como no livro partimos de um princípio de planejamento estratégico e, logicamente, vamos a fundo nas teorias, ele serve tanto para o estudante de graduação, de pós, como para o pequeno e grande executivo. Vejo que se ele é uma pessoa com essa preocupação, um talento de empreendedorismo, tenho certeza absoluta que esse livro vai ajudá-lo, porque ele vai ver toda uma seqüência de modelos a serem utilizados para o planejamento. Primeiro, analisar os recursos que tenho e quanto tenho, as pessoas dispostas a trabalhar comigo ou mesmo a minha esposa, por exemplo. Quem pode trabalhar comigo, quem tem capacidade? Que recursos materiais eu tenho? Tem algum ponto que eu posso começar? Que equipamentos seriam necessários? A partir desses princípios, ele vai fazer uma avaliação - e estes termos são comuns tanto para grandes empresas que querem montar um negócio mundial e como para um empresário que tem poucos recursos.

Universia - Vale a pena arriscar em um negócio sem um planejamento de marketing bem detalhado?

Mitsuru Yanaze - Aí chegamos ao ponto de dizer: não coloquem em prática a idéia antes de organizar o planejamento e a definição de objetivos de metas e estratégias. Não coloque isso em prática antes de tentar organizar os recursos que você tem, estabelecer uma forma de coordenar os recursos humanos, fazer com que eles trabalhem adequadamente, se comprometam e se motivem. E crie sistemas de controle. Para fechar, um estudo de viabilidade econômica e financeira. Só a partir daí abra um negócio. Então, mais do que nunca, entendo que o livro será útil pra esse empresário também.

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