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A UNESP e os desafios da inovação tecnológica

      

O termo inovação tecnológica tem sido mundialmente utilizado para representar as modificações em processos e produtos feitos pelas empresas para torná-las mais competitivas em um mercado cada vez mais global. Ela é feita principalmente nas indústrias que possuem o conhecimento do mercado e têm condições de mensurar o risco de aceitação de um novo produto. Por outro lado, a grande maioria do conhecimento científico e/ou tecnológico é, em geral, desenvolvido nas Universidades ou Institutos de Pesquisa, sem comprometimento direto com as necessidades de mercado.

? preciso refletir sobre a forma como as universidades encaram o desafio de inserir o conhecimento que geram no mercado. O fato é que apenas uma pequena parcela de pesquisadores-docentes já interage com as empresas, ainda que de maneira ainda não articulada. Essa interação vai desde uma simples consultoria para solução de problemas técnicos até o desenvolvimento de projetos tecnológicos de grande impacto para as empresas.

O Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UNESP, criado neste ano, tem como objetivo justamente gerir a política de inovação no âmbito da UNESP, depositar os pedidos de proteção intelectual dos resultados de pesquisa produzidos na Universidade, gerenciar a transferência de tecnologia para as empresas, bem como facilitar a interlocução entre os pesquisadores da UNESP e o setor empresarial.

Representantes do NIT estarão presentes em todas as unidades da UNESP, com o objetivo de dialogar com os pesquisadores e evidenciar os serviços que o Núcleo poderá oferecer a toda comunidade de pesquisa da UNESP. Para o lançamento do NIT, a Pró-Reitoria de Pesquisa está organizando o Primeiro Simpósio em Inovação Tecnológica, a ser realizado dias 24 e 25 de setembro (informações e inscrições em https://www.aptor.com.br/inovacao/programacao.php). O evento terá a participação de importantes personalidades, representando os vários setores envolvidos na inovação, desde órgãos de fomento, institutos de pesquisa, empresários e pesquisadores.

Para compreender melhor os caminhos da inovação tecnológica, é preciso lembrar que a aposta no conhecimento para essa evolução foi feita, desde o início do século XX, pelos EUA e alguns paises europeus. Ao final da Segunda Guerra Mundial, esses governos passaram a financiar tanto o desenvolvimento científico como o tecnológico, via organização de agências de fomento, tais como NSF, NRH, CNRS, entre outras.

No Brasil ocorreu fenômeno similar, por recomendação da classe científica e poder público, com a criação do da FAPESP e do CNPq, cujo objetivo primordial era o de investir no domínio do conhecimento do ciclo da energia atômica, em função do grande impacto da criação da bomba atômica e controle da energia nuclear.

Entretanto, a política de desenvolvimento levada a cabo pelos integrantes do chamado primeiro mundo e o Brasil guardou considerável distância. Enquanto aqueles países investiram numa política centrada na inovação tecnológica, com o objetivo de se tornarem mais competitivos, graças às inovações no processo produtivo, aqui se investiu na instalação da indústria pesada que, entretanto, ancorava-se na compra de tecnologia, muitas vezes ultrapassada.

Países asiáticos entre os quais a Coréia seguiram, a partir da década de 1980, o caminho do Japão, que apostou na cópia da tecnologia (engenharia reversa) para dominar os processos mais avançados e, então, atingir o patamar de produtor de inovações. Coréia e Brasil apresentavam os mesmos indicadores de desenvolvimento científico e tecnológico.

Enquanto a Coréia investiu na reformulação dos ensinos básicos e superior, na industrialização com foco na inovação e no mercado externo, o Brasil focou as ações nas potencialidades do seu grande mercado interno, nos produtos agrícolas e primários e na proteção do que aqui era desenvolvido. Infelizmente, frente à economia global, tal opção não tem sido capaz de nos garantir o desenvolvimento contínuo e auto-sustentável.

Cabe agora trilhar caminhos para que o Brasil esteja no âmbito das sociedades do conhecimento. Para tanto, será preciso resolver uma série de problemas estruturais, inclusive a reforma de todos os níveis de ensino, desde o fundamental até o superior. Por outro lado, há no Brasil de hoje em torno de 60 mil doutores formados, muitos deles subempregados e a espera de oportunidades para aplicar seu potencial.

O país é responsável por produção científica invejável (em torno de 2% da mundial) e que o coloca entre os 15 primeiros a nível mundial. A Lei de Inovação Tecnológica (2006) trouxe alguns mecanismos legais para facilitar a interação entre os profissionais das Instituições de Pesquisa e as empresas.

Ainda que a lei não possa resolver por completo o grande desafio de produzir inovação tecnológica nas empresas, facilita a solução de um dos grandes desafios: a transferência do conhecimento acadêmico (científico e tecnológico), desenvolvido nas Instituições de Pesquisa, para o ambiente das empresas. Nesse contexto, Núcleos de Inovação Tecnológica, como o recém-criado pela UNESP, são instrumentos que devem definir a política de proteção intelectual e facilitar o diálogo entre as instituições e as empresas.

* José Arana Varela, pró-reitor de pesquisa da UNESP, possui graduação e mestrado em Física e doutorado em Materiais Cerâmicos pela Universidade de Washington (1981). Professor-titular do Instituto de Química, câmpus de Araraquara, é membro do conselho superior da Fapesp e da Academia Internacional de Cerâmica.

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