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Histórico escolar ruim não quer dizer fracasso

      
Do Universia

Um bom profissional é aquele que sempre foi um exemplo em sala de aula, que tirava dez em tudo? A resposta é: nem sempre. Ser um bom estudante é sinal de aplicação e de interesse, o que é sem dúvida um bom começo, mas não é a única condição para uma pessoa se tornar um grande profissional. Há casos de pessoas que não eram os melhores alunos, até longe disso, e que hoje são profissionais bem-sucedidos em suas profissões. Embora esses exemplos tenham conquistado boas posições mesmo com baixo desempenho acadêmico, fica evidente que não foi a falta de estudo que os qualificou, já que em todos os casos houve sempre uma busca por conhecimento. Entretanto, o fiasco no boletim não significou o fim do sonho de ser um profissional de destaque.

Mas deixar os estudos em segundo plano não é uma boa estratégia para quem deseja uma posição de destaque na carreira. A opinião é da psicóloga Maria Regina Maluf da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), que observa que apenas uma minoria consegue ter êxito profissional depois de uma participação apagada na universidade. "Na maioria das vezes, aquele estudante que se dedica ao que é proposto na universidade sai na frente dos que não o fazem. Existem exceções, mas são poucas," alerta. Mesmo afirmando que são raras as exceções, Maria Regina admite que elas acontecem e nas duas direções. "Os cursos universitários têm por objetivo formar o futuro profissional. Em certa medida todos fazem isso, mas os resultados tendem a se distribuir. Existem também os excelentes alunos que não dão certo", declara ela.

Um bom exemplo desse aluno regular cujo desempenho profissional está acima do que aponta a tendência de seu histórico escolar é Alexandre Dias Ribeiro, 26 anos, formado em Tecnologia da Informática pela FIA (Faculdade de Interação Americana). Ele não esconde que seu desempenho não foi dos melhores na faculdade, mas justifica ao dizer que a falta de tempo foi determinante para isso. "Trabalho desde os 14 anos de idade. Na época da universidade, o único momento que tinha para me dedicar aos estudos era à noite, depois que chegava da faculdade. Mas sabia que no dia seguinte teria que acordar cedo para trabalhar", conta. Por isso, seu desempenho foi modesto na universidade com relação a notas de provas e trabalhos, e o número de faltas alto quase o levou à reprovação. Nada que impedisse Ribeiro de ter uma posição de destaque numa importante multinacional. Hoje, ele é Gerente de Recursos para Regiões da IBM, uma das maiores empresas de informática do mundo.

Embora seja um exemplo vivo de que ir mal nos estudos não quer necessariamente dizer que a pessoa será um mau profissional, Ribeiro reconhece a importância da graduação, mas destaca ainda mais a relevância de uma boa formação. "A faculdade ajudou, é lógico. Na função em que estou hoje, ajudou muito. Se eu não tivesse feito talvez demorasse muito mais (para chegar aonde chegou). Foi um diferencial. A pessoa tem de fazer cursos, mesmo fora da universidade. Após o curso, tem de ser estagiário para absorver prática", afirmou Ribeiro.

Outro exemplo de profissional de sucesso que derrapou na vida estudantil é Alexsandar Mandic um dos maiores nomes da internet no Brasil, fundador do Portal iG e atualmente proprietário do site Mandic. O empresário não é formado, mas cursou a Escola Técnica de São Paulo e faz uma revelação. "Mais ou menos na 6¦ série, meus pais me colocaram numa escola para 'anormais', pois eu era um péssimo aluno" confessa. Mandic diz que não se interessava por várias matérias e quando não gostava de determinado assunto, não o estudava e se dava mal em provas e trabalhos. Sempre se interessou apenas por assuntos especificamente ligados à sua área de atuação, criação de projetos para a internet e temas relacionados. Mesmo com todas as dificuldades, foi até case da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, um reconhecimento importante por seus atributos profissionais. Porém, quem pensa que Mandic vê a faculdade com desprezo e faz apologia à deserção estudantil, engana-se. "Muitas vezes me fez falta a graduação, o diploma e um melhor aproveitamento nos estudos. Quem tiver oportunidade, tem sim é que estudar" aconselha.

A psicóloga Maria Regina diz que a universidade não é feita para "prender" o aluno, nem para transformá-lo numa máquina de fazer provas e trabalhos. "O intuito universitário é fazer o aluno pensar, questionar tudo, ser curioso. Isso é o que consideramos bom", observa ela. Maria Regina acrescenta que os exemplos de profissionais citados nessa matéria são de pessoas criaram alguma outra maneira de absorver conhecimento. O segredo, segundo ela, é a forma de aprendizado. "São indivíduos criativos, têm várias formas de pensamento divergente. Raciocinam e pensam de maneira diferenciada da maioria. Têm dificuldades de se adaptar às pressões, normas e prazos", diz ela. "Todos os profissionais estudaram. Mesmo que não tenha sido na escola ou na universidade, eles podem ter feito cursos, podem ter lido livros específicos", acrescenta a psicóloga.

Mas apesar das diferenças de perfil na hora do aprendizado, Maria Regina declara que o conhecimento é fundamental. "O risco é grande. Se a pessoa for bem-sucedida quando trabalhar, não aprendeu nos moldes da universidade, mas aprendeu da maneira dele, buscando subsídios que o agradem, mas aprendeu. Não há sucesso sem conhecimento", finaliza ela.

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