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Notícias

Uma vida para o crime

      
Do Universia

"Querô" é um filme que prende o espectador do começo ao fim. A maneira com que a câmera se move e a linguagem absolutamente popular (palavrões são freqüentes) dão um tom dinâmico e atrãnte ao longa.

O drama começa com o nascimento de Querô - protagonista do filme - e conta todas as suas dificuldades dentro da sociedade. Não à toa, por sua brilhante atuação, o ator Maxwell Nascimento, que interpreta Querô, recebeu prêmios de melhor ator nos festivais de Brasília, Cuiabá e Fortaleza.

Mas não é só a interpretação do jovem protagonista que confere o realismo à produção. Todos os jovens da região periférica da Baixada Santista que passaram pela oficina de dramaturgia dão aos personagens a linguagem e os gestos naturais da idade e classe social retratada no filme. Não há 'artificialismo'.

? interessante observar que o filme preserva a realidade e não usa de meios fantásticos para contar a saga do protagonista. Querô é um jovem pobre que, seduzido pelo mundo do crime, acaba na Febem. Assim como milhares de jovens brasileiros, ele enfrenta vários problemas de relacionamento por não aceitar o modelo e as regras que existem dentro daquele local. Repetidas vezes "Querô" é espancado e sofre, inclusive, abuso sexual.

"Querô" promove uma reflexão indispensável a todo cidadão brasileiro, especialmente aos que têm acesso ao Ensino Superior.

Gênero: Drama
Direção: Carlos Cortez
Ano: 2007
Duração: 90 minutos
Site Oficial: www.queroofilme.com.br

Nos últimos anos, o cinema nacional lançou longas-metragens que levaram muitos jovens às salas de cinema conferir de perto a realidade dura de quem vive na favela ou disputa o espaço apertado de uma cela dentro de uma grande cadeia pública no País. Se você gostou de "Cidade de Deus" e "Carandiru" tem de tudo para ir ao cinema conferir a estréia brasileira deste final de semana. (Veja a galeria de fotos no rodapé da matéria)

"Querô - uma reportagem maldita", do dramaturgo Plínio Marcos, retrata a guerra urbana das grandes cidades recheada de jovens criminosos, prostitutas, policiais corruptos e pobreza. O filme foi premiado no 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, como a Melhor Direção de Arte, Melhor Roteiro e o prêmio de Melhor Ator, para o estreante Maxwell Nascimento, no papel de Querô.

Dirigido pelo cineasta Carlos Cortez, o longa-metragem conta a história de um garoto nascido na periferia de Santos, no litoral paulista. Filho de uma prostituta, Querô entra no mundo do crime e tem problemas com a disciplina opressora da Febem (Fundação ara o Bem-Estar do Menor) que atualmente se chama Fundação Casa (Centro de Atendimento Sócio-Educativo ao Adolescente).

Assim como "Cidade de Deus", um dos diferenciais deste longa foi a participação de estreantes nos papéis de protagonistas da história. Para selecionar os melhores, a produção fez uma peneira e ofereceu um curso rápido de dramaturgia. Mais de 1.200 meninos participaram dos testes, destes, aproximadamente 200 freqüentaram as oficinas, de onde 40 foram escolhidos para ser comandados pelo preparador de atores Luiz Mario Vicente.

A professora do departamento de Política da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Salete Oliveira e o professor de Jornalismo da Uninove (Centro Universitário Nove de Julho) Alexandre Barbosa foram convidados do Universia para assistir a pré-estréia do filme que aconteceu no dia 4 de setembro em São Paulo. O resultado foi uma imersão instantânea na realidade dolorosa do sangue e da violência - tão distante para a maior parte dos jovens que têm acesso ao Ensino Superior - que o veredicto dos professores não podia ser outro: os estudantes não podem perder.

Um soco no estômago

Após 90 minutos de filme, ao sair da sala, o professor Barbosa disse: "Isso é um soco no estômago". Para ele, a realidade chocante escancarada no filme é o que marca tanto aqueles que a conhecem de perto, como aqueles que nunca tiveram contato com a realidade da Febem. "Esse é um dos poucos filmes que mostra algo aparentemente tão distante, mas ao mesmo tempo tão perto."

Na opinião do professor, o modo como o tema é abordado na obra, um mistura de ficção e realidade, violência e descaso, o longa deveria ser tema de debates entre amigos, parentes e toda a sociedade. "Não é um filme pra se assistir comendo pipoca, e sim pra ser até exibido e discutido em universidades, principalmente para as áreas de Humanas como: Direito, Jornalismo, Psicologia, Ciências Sociais, Filosofia, Psicologia, Cinema, entre outros", indica.

A professora Salete Oliveira se preocupa com o impacto que o filme pode causar. "? um filme forte sem dúvida, mas corre o risco de ser apenas 'mais um' em prol de um discurso reformista" alerta. Para ela, é importante que as pessoas vejam o filme para ter uma melhor noção da realidade e também ampliar as discussões em torno das soluções para a delinqüência juvenil. "Não sei qual será a reação após todos assistirem. Espero que a discussão seja muito maior do que a reforma da Febem, a reforma do Código Civil e outras reformas, porque isso tudo nós já vimos em outras oportunidades."

Para Salete, o problema da Febem - assim como todo sistema carcerário do Brasil - vai muito além de melhorias e reformas. Por esse motivo, ela defende que só a produção de um filme, seja "Querô" ou outras obras ligadas ao mesmo tema, não seja suficiente para promover mudanças em relação à forma como a sociedade brasileira enxerga a violência, especialmente, vinda de menores infratores. No entanto, a professora reconhece: "Querô trata de um tema importantíssimo e esse tipo de discussão é sempre bem-vinda", conclui.

O Banco Santander é o principal patrocinador do filme. Saiba sobre esta participação no Santander Universidades .

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